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 <title>Poder da Palavra - Ortega y Gasset</title>
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 <title>Guerra e Paz</title>
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 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p class=&quot;rteright&quot;&gt;&lt;a style=&quot;margin: 0pt auto; padding: 0px 6px; text-align: center; display: block;&quot; id=&quot;aptureLink_dXec29T0pe&quot; href=&quot;http://www.flickr.com/photos/aheram/283162678/&quot;&gt;&lt;img width=&quot;500px&quot; height=&quot;375px&quot; alt=&quot;&quot; title=&quot;War and Peace&quot; src=&quot;http://farm1.static.flickr.com/118/283162678_3577c6e004.jpg&quot; style=&quot;border: 0px none ;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Por desconhecer tudo isso, que &amp;eacute; elementar, o pacifismo tornou sua tarefa demasiado f&amp;aacute;cil. Pensou que para eliminar a guerra bastava n&amp;atilde;o faz&amp;ecirc;-la ou, em suma, trabalhar em que n&amp;atilde;o se fizesse. Como via nela apenas uma excresc&amp;ecirc;ncia sup&amp;eacute;rflua e m&amp;oacute;rbida aparecida no trato humano, creu que bastava extirp&amp;aacute;-la e que n&amp;atilde;o era necess&amp;aacute;rio substitu&amp;iacute;-la. Mas o enorme esfor&amp;ccedil;o que &amp;eacute; a guerra, s&amp;oacute; pode ser evitado se se entende por paz um esfor&amp;ccedil;o ainda maior, um sistema de esfor&amp;ccedil;os complicad&amp;iacute;ssimos, e que, em parte, requerem a venturosa interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o do g&amp;ecirc;nio. O outro &amp;eacute; puro erro. O outro &amp;eacute; interpretar a paz como o simples vazio que a guerra deixaria se desaparecesse; portanto, ignorar que se a guerra &amp;eacute; uma coisa que se faz, tamb&amp;eacute;m a paz &amp;eacute; uma coisa que importa fazer, que h&amp;aacute; que fabricar, pondo na faina todas as pot&amp;ecirc;ncias humanas. A paz n&amp;atilde;o &amp;quot;est&amp;aacute; a&amp;iacute;&amp;quot;, simplesmente, pronta para que o homem a goze. A paz n&amp;atilde;o &amp;eacute; fruto espont&amp;acirc;neo de nenhuma &amp;aacute;rvore. Nada importante &amp;eacute; apresentado ao homem; pelo contr&amp;aacute;rio, tem ele de faz&amp;ecirc;-lo, de constru&amp;iacute;-lo. Por isso, o t&amp;iacute;tulo mais claro de nossa esp&amp;eacute;cie &amp;eacute; ser homo faber.&lt;/em&gt; &amp;ldquo; (Ortega y Gasset, &lt;a id=&quot;aptureLink_oXNHA7QtRU&quot; href=&quot;http://www.flickr.com/photos/aheram/283162678/&quot;&gt;&lt;u&gt;A Rebeli&amp;atilde;o das massas&lt;/u&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;J&amp;aacute; disse em in&amp;uacute;meras oportunidades que os melhores livros contra a guerra foram os escritos por soldados. Nada de Novo no Front escrito por um ex-soldado de pouca instru&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; muito mais convincente do que mil tratados pacifistas calmamente escritos em gabinetes refrigerados de minist&amp;eacute;rios. Vivemos numa era em que boas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es e m&amp;aacute;s a&amp;ccedil;&amp;otilde;es convivem e se misturam n&amp;atilde;o s&amp;oacute; por hipocrisia mas tamb&amp;eacute;m pela falta de coragem de pensar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O discurso pacifista parece ser algo imposs&amp;iacute;vel de se atacar, afinal quem quer a guerra e todas as trag&amp;eacute;dias que ela traz? A quest&amp;atilde;o, como bem aponta Ortega y Gasset, &amp;eacute; que sob o r&amp;oacute;tulo de pacifismo combinam-se as mais v&amp;aacute;rias vis&amp;otilde;es de mundo, boa parte delas equivocada ao menos em alguns pontos.&lt;/p&gt;
&lt;!--break--&gt;
&lt;p&gt;Ao come&amp;ccedil;ar a escrever sobre isto lembrei-me que o pr&amp;oacute;prios nme do blog foi inspirado pela leitura de umas p&amp;aacute;ginas de Gu&amp;eacute;non, no&lt;a id=&quot;aptureLink_6bdU2PbBIP&quot; href=&quot;http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=15558076&amp;amp;access_key=key-22xxlsby5diy1t30v0hg&amp;amp;page=1&amp;amp;viewMode=list&quot;&gt; Simbolos da Ci&amp;ecirc;ncia Sagrada&lt;/a&gt;, no qual fala-va sobre a o s&amp;iacute;mbolo da Espada no Islam, que representa a luta pelo retorno&amp;agrave; unidade e ao equil&amp;iacute;brio, tanto no sentido macroc&amp;oacute;smico como naquele sentido que &amp;eacute; mais relevante, que &amp;eacute; o microc&amp;oacute;smico, a jihad interior do homem no sentido de encontrar a harmonia. Por sinal &amp;eacute; exatamente o que simboliza a letra &amp;aacute;rabe Alef em forma de espada sobre um eclipse que figura no logo do blog, equivalente da espada de madeira que os imans usam nos serm&amp;otilde;es simbolizando justamente este poder da palavra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como vivemos numa &amp;eacute;poca de leni&amp;ecirc;ncia, n&amp;atilde;o de esfor&amp;ccedil;o, &amp;eacute; natural que o esfor&amp;ccedil;o de supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o seja bem visto e que portanto qualquer ideia de solucionar conflitos seja relegada. Preocupa-me muito, por sinal, que todo o pensamento pacifista &amp;ndash; com o qual n&amp;atilde;o deixo de simpatizar &amp;ndash; acabe por enveredar pelo caminho da nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que h&amp;aacute; batalhas que devem ser travadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; esta identidade entre paz e &amp;ldquo;n&amp;atilde;o fazer nada&amp;rdquo; de que fala Gasset no trecho que transcrevo na ep&amp;iacute;grafe que me apavora. Estes dias brincava sobre a propaganda de um banco no qual um menino judeu e um israelense rompem as barreiras do conflito secular jogando bola: depois um entra pro Gavi&amp;otilde;es da Fiel e o outro para a Mancha Verde e se matam sem sentido algum. A brincadeira me remeteu a um colega de faculdade ao qual tentei explicar sem sucesso o conflito palestino mas que dias depois contava extasiado que tinha participado de uma briga de torcida e batido um bocado em alguns torcedores do time contr&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A dimens&amp;atilde;o macroc&amp;oacute;smica deste enaltecimento da paz ignorando a dimens&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica, sociol&amp;oacute;gica e geogr&amp;aacute;fica dos conflitos e colocando a todos como ruins &amp;eacute; preocupante porque tende a perpetuar o desequil&amp;iacute;brio e destruir a justi&amp;ccedil;a. Neste sentido achei excepcional o filme Avatar, enorme evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por exemplo, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao colonialista Pocahontas, mas fico devendo ainda mais alguns dias um coment&amp;aacute;rio sobre o filme que quero ver de novo antes de analisar. Equiparar todos os conflitos com cara de asco &amp;agrave; guerra significa tornar iguais coisas bem distintas, pesar com o mesmo peso o &amp;aacute;vido financista ganancioso por petr&amp;oacute;leo, o vil mercen&amp;aacute;rio e o povo que luta contra a tirania.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por&amp;eacute;m &amp;eacute; na dimens&amp;atilde;o interior que o avan&amp;ccedil;o da mentalidade pacifista vazia mais me preocupa neste momento. &amp;Eacute; claro que a meta de cada um deve ser procurar a paz interior, mas o pressuposto desta paz interior n&amp;atilde;o &amp;eacute; deixar tudo correr e fazer vista grossa &amp;agrave;s pr&amp;oacute;prias a&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou esfor&amp;ccedil;ar-se pelo aperfei&amp;ccedil;oamento. A op&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela paz n&amp;atilde;o pode ser o efeito da pusilanimidade de enfrentar os conflitos &amp;ndash; e Gandhi destacou que a coragem era ainda mais necess&amp;aacute;ria ao pacifista que ao guerreiro enquanto Jesus disse que vinha trazer a espada e n&amp;atilde;o a paz &amp;ndash; mas pela luta com serenidade, sem &amp;oacute;dio mas com firmeza e decis&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 16 Mar 2010 21:01:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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