Outros

Sampa

Vista aérea da Praça da Sé, que recebeu uma multidão de 300 mil pessoas no dia 25 de janeiro de 1984 (Foto: Agência Estado/arquivo) A Cidade parece ser o local onde se torna possível a explicitação das vocações mais diversas e, portanto, a especialização mais particular através da comunicação e da colaboração. A especialização, por sua vez, leva à dependência de uma atividade em relação às outras e, breve, à limitação da autonomia. Daí a necessidade de reaparecer, distinguir-se e recolocar um significado e um aspecto à própria individualidade. Aqui nascem, também a competição e o conflito. Cooperação e luta, envolvimento e isolamento chocam-se em uma intensa mobilidade que é também movimento, ir adiante, descobrir-se a si próprio e ao mundo, mudá-los.” (Roberto Guiducci, A Cidade dos Cidadãos)

 

 

2010 para mim foi o “Ano do Plano Diretor”, na minha mania de nomear meus anos. Passei o ano discutindo sobre desenvolvimento urbano, incontáveis reuniões de todo tipo, milhares de páginas de relatórios para serem mastigados pela análise estatística para transformarem-se em um uma folha apontando tendências, conversas e mais conversas com sábios, tolos e loucos aprendendo sempre algo em cada uma, dezenas de livros de todas as tendências e visões para tentar compreender o assunto, dos mais conservadores aos mais radicais, mapas e mais mapas quase tão repletos de cores e legendas quanto as pessoas que moram naquele território representado. Emfim, um turbilhão de informação a ser processada, digerida, condensada em conceitos e transformada em ferramenta para a ação.

Nós, o Povo

Jeca Tatu“Mas pra mim, seu doutor não leve a mal, pra mim coisa que não presta não pode ter nenhuma beleza...” (Guimarães Rosa, Sagarana)

 

Abstração terrível este de “povo”. Seja para ser aclamada ou vilipendiada ainda assim é uma abstração terrível, tanto pela sua absurda imprecisão de tentar reunir milhares de indivíduos em uma única categoria seja pela assustadora constatação de que ela faz algum sentido.

A tentação da ação

Fernando pessoaA vida prática sempre me pareceu o menos cômodo dos suicídios. Agir foi sempre para mim a condenação violenta do sonho injustamente condenado. Ter influência no mundo exterior, alterar coisas, transpor entes, influir em gente — tudo isto pareceu-me sempre de uma substância mais nebulosa que a dos meus devaneios. A futilidade imanente de todas as formas da ação foi, desde a minha infância, uma das medidas mais queridas do meu desapego até de mim. (Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego”)


 

 

Poucos ditados populares encontrariam tanto reforço nas mais elevadas e complexas teologias como o que diz que “de boas intenções o Inferno está cheio”. A nossa incompreensão dos intrincados mecanismos das coisas do mundo e até das sociedades nos faz tantas e tantas vezes agir de forma desastrosa até quando a intenção é fazer algo positivo. Talvez sabedoras disto as mais antigas e sólidas tradições religiosas tenham consagrado como o seu ideal de santo aquele que nada faz, só fica parado em contemplação e justificando assim a existência do mundo, tal como os grandes santos hindus, budistas, cristãos e alguns sheikhs sufis.

Resenhas de Babel

Babel by Hersch

Este quase 80 textos foram escritos especialmente durante o período entre 99 e 2000 e na sua maioria foram publicados no jornal Primeira Página, de São Carlos (SP), no qual eu trabalhava. Remexer neles me deu algumas curiosas impressões e lições.
Tantos textos polêmicos comentando a política, em especial esta rasteira e rastaquera política local, publicados nos espaços nobres desapareceram quase todos, viraram poeira como os fatos que os motivaram, ainda que provavelmente estas coisas todas ainda devem se repetir por lá.

Professores e mestres

Professores e mestres

Alexandre Gomes

Há um diferença enorme entre ser professor - burocrata cumpridor de horários e planos de ensino - e ser mestre realmente preocupado com seus discípulos. O primeiro vê apenas números e notas, o segundo enxerga homens que podem ser melhorados. E já nem incluo neste rol um terceiro tipo, que sequer professor é, que anda proliferando pelas escolas do país contaminando o futuro da nação.
Um pequeno texto que circula há muito tempo, lembro de tê-lo lido em uma Seleções antiga e agora o redescubro na Internet, fala muito desta diferença entre professor e mestre. O título é "Lecionei a todos eles" e a versão mais comum é a seguinte:

O senhor das moscas

O senhor das moscas

“Se fizer uma revolução, a faça por diversão
Não a faça com a cara zangada
Nem a faça com mortal seriedade
Faça-a por diversão
(...)
Não a faça porque odeia as pessoas
mas para abrir seus olhos” (DH Lawrence, A Sane Revolution)

O ideal e o possível

O ideal e o possível

O conceito de Ética em Sócrates, Platão e Aristóteles

"Se imaginais que, matando homens, evitareis que alguém vos repreenda a má vida, estais enganados; essa não é uma forma de libertação, nem é inteiramente eficaz, nem honrosa; esta outra, sim, é mais honrosa e mais fácil: em vez de tampar a boca dos outros, preparar-se para ser o melhor possível." (Palavras atribuídas a Sócrates por Platão, ao final do seu julgamento)

Sumário

Introdução *

Defina seus termos *

A sociedade perfeita *

Imagens de Deus

Imagens de Deus

Alexandre Gomes

"As opiniões dos homens sobre Deus surgem apenas na imaginação deles, e é absurdo tentar deduzir alguma coisa do que dizem; bem ou mal, eles o disseram de si mesmos, Não de Deus" (Farid Ud-Din Attar, A conferências dos Pássaros)

Ao longo dos séculos os homens tem intuído a existência de um Ser Superior que criou o mundo e zela pelo Universo. É perceptível uma evolução deste conceito para formas cada vez mais abstratas, imateriais e sobretudo a crescente consciência de uma unidade.
Mesmo sob o clima de absoluto relativismo cultural que predomina na cultura pós-moderna, as pessoas intuem esta unidade da divindade como um conceito mais evoluído do que o da multiplicidade de deuses. No momento atual o mundo vive entre dois extremos quanto à questão religiosa, digladiam-se materialistas extremos para os quais a crença em Deus é uma superstição dos tempos de ignorância e fundamentalistas para os quais Deus é tudo e o que o homem faz não é senão a vontade d'Ele.

As esperanças de uma nova era

As esperanças de uma nova era

Alexandre Gomes

"Os milenaristas sucedendo-se uns após os outros até nossos dias, jamais deixaram de fixar uma calendário preciso para o início do milênio. O fato de se verem continuamente forçados a alterar este calendário, na sequência das decepções causadas pelos acontecimentos, nunca desencorajou os obstinados" ( Jean Delumeau, Mil anos de Felicidade)

Sobre o nome genérico de milenarismo são chamados os grupos que esperam o surgimento de uma idade áurea do mundo que antecederá o Juízo Final. Como em geral, mas não obrigatoriamente, as previsões falam de um período de Mil Anos de felicidade surgiu o nome de milenarismo que agrupa idéias, seitas, profecias e crenças das mais distintas desde o início do cristianismo.

Bradlee & Mr. Boot

Bradlee & Mr. Boot

Uma análise rápida da entrevista de Bradlee ao Estadão

Tell the Truth *

Garganta profunda *

Fardo do homem de letras *

Cercas de arame farpado *

A pena invisível do mercado *

Conclusões *

Tell the Truth

Uma análise rápida das principais idéias contidas na entrevista de Bradlee

No domingo, dia 31 de outubro de 1999, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma longa entrevista com o editor do Washington Post à época do Caso Watergate, Benjamin Crowinshield Bradlee. Ao longo da entrevista Bradlee defende o papel da imprensa nas sociedades modernas, destaca a importância da ética profissional e ataca a exigência de formação específica na área de Jornalismo para o exercício da profissão - resquício do entulho autoritário do regime militar que sobrevive graças à pressão corporativista numa curiosa aliança de interesses entre a extrema-direita que implantou a norma e a esquerda que faz dela meio de vida.

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