“A Cidade parece ser o local onde se torna possível a explicitação das vocações mais diversas e, portanto, a especialização mais particular através da comunicação e da colaboração. A especialização, por sua vez, leva à dependência de uma atividade em relação às outras e, breve, à limitação da autonomia. Daí a necessidade de reaparecer, distinguir-se e recolocar um significado e um aspecto à própria individualidade. Aqui nascem, também a competição e o conflito. Cooperação e luta, envolvimento e isolamento chocam-se em uma intensa mobilidade que é também movimento, ir adiante, descobrir-se a si próprio e ao mundo, mudá-los.” (Roberto Guiducci, A Cidade dos Cidadãos)
2010 para mim foi o “Ano do Plano Diretor”, na minha mania de nomear meus anos. Passei o ano discutindo sobre desenvolvimento urbano, incontáveis reuniões de todo tipo, milhares de páginas de relatórios para serem mastigados pela análise estatística para transformarem-se em um uma folha apontando tendências, conversas e mais conversas com sábios, tolos e loucos aprendendo sempre algo em cada uma, dezenas de livros de todas as tendências e visões para tentar compreender o assunto, dos mais conservadores aos mais radicais, mapas e mais mapas quase tão repletos de cores e legendas quanto as pessoas que moram naquele território representado. Emfim, um turbilhão de informação a ser processada, digerida, condensada em conceitos e transformada em ferramenta para a ação.