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 <title>Poder da Palavra - William Golding</title>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>O senhor das moscas</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_senhor_das_moscas</link>
 <description>&lt;p&gt;O senhor das moscas&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;
“Se fizer uma revolução, a faça por diversão&lt;br /&gt;
Não a faça com a cara zangada&lt;br /&gt;
Nem a faça com mortal seriedade&lt;br /&gt;
Faça-a por diversão&lt;br /&gt;
(...)&lt;br /&gt;
Não a faça porque odeia as pessoas&lt;br /&gt;
mas para abrir seus olhos” (DH Lawrence, A Sane Revolution)
&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Para ser absolutamente sincero irrita-me ouvir tantos comentários e queixas sobre os políticos. Não porque acredite nas mentiras deslavadas contadas nas CPIs ou nos dossiers e cartilhas que tentam explicar o inexplicável, também perdi muito da fé, das esperanças, daquelas certezas que nos fazem engolir as histórias e os sapos em nome da causa ou de necessidades táticas.&lt;br /&gt;
O que me irrita é ver que as pessoas, pelo seu comportamento em inúmeros casos, não seriam distintas dos piores políticos – e creiam, há inúmeros que são bons. Eu deixei de acreditar que qualquer sistema possa melhorar automaticamente as pessoas. Pelo contrário, chego a conclusão que as pessoas são capazes de degradar a mais bem elaborada das utopias.&lt;br /&gt;
A internet é um meio onde isto pode ser facilmente percebido. É só olhar a violência com que se referem aos políticos, facilmente também transposta para qualquer um na comunidade, lista de discussão, fórum, página ou blog que ouse contestar suas verdades absolutas, para verificar que por pior que seja o político aquele indivíduo que o critica é um tirano ainda pior. Digo sempre que governar a utopia é muito fácil, porque ali existe uma única vontade, uma só pessoa que decide como todas as demais vão viver, já as sociedades concretas onde há outra pessoa além do autor são coisa bem diferente.&lt;br /&gt;
Retirei-me de uma comunidade dedicada a espichaçar este símbolo do que é mais desprezível neste país – a deputada Angela Guadagnin, aquela que há zombou de todo o país executando a dança da pizza e que caso se reeleja comprovará a tese hegeliana de que todo povo tem o governo que merece e que merecemos não só ser roubados, mas que os corruptos ainda zombem de nós.&lt;br /&gt;
Sai porque no meio de toda a brutalidade da ação dela, todo o sentido político da dança da pizza a única coisa que os débeis que participam da comunidade conseguiam dizer era que ela era uma balofa, uma baleia e coisas do tipo, como se a a feiúra e a repugnância interior da deputada não dispensasse qualquer outro comentário, como se fosse uma questão estética ao invés de ética. Enfim, os que estavam lá eram pelo menos tão desprovidos das qualidades morais quanto a própria deputada, companheiros na mediocridade e no nojo que causam.&lt;br /&gt;
A internet, que é sempre meu assunto das sextas, é muito pródiga neste tipo de personagem que encarna a escória da humanidade, extravasa toda sua prepotência, vive das aparências, dos chavões, da cultura de almanaque. Talvez isto possa ser explicado pela rapidez e brevidade das comunicações – que facilitam o trabalho dos impostores intelectuais – e o anonimato ou ao menos a ausência de contato direto – que permite que o ego se veja livre de limites – ajudem a explicar estes comportamentos, mas há também os pescadores de águas turvas que transformam o desvio de personalidade - próprio e alheio – em ideologia.&lt;br /&gt;
O que me entristece ás vezes é que poderia ser diferente. Barato, rápido, seletivo, a Internet oferece um meio interessante de se estabelecer um outro parâmetro de comunicação. Ao mesmo tempo é também um argumento para demonstrar a tese principal, de que qualquer sistema é falho porque depende das pessoas e não de alguma resposta brilhante de seus mecanismos.&lt;br /&gt;
Imagine-se o cenário de uma comunidade ideal. Um grupo de pessoas pequeno o bastante para se conhecerem e tomarem as decisões em conjunto, mas suficiente para dar conta das tarefas básicas. Sem contato com algum meio externo ou tendo qualquer um deles com algum elemento de coerção sobre os demais. Poderia até incluir a condição adicional de serem crianças ou adolescentes, imagens de inocência ou rebeldia, para garantir que aqueles que não confiam em ninguém com mais de 30 também pudessem ter uma visão mais idílica da situação.&lt;br /&gt;
Em geral esta situação seria vista pelas pessoas como uma espécie de paraíso, de sociedade ideal. Mas o escritor William Golding escreveu em 54 um livro – transformado duas vezes depois em filme, só assisti a de 90 - “O Senhor das Moscas” no qual o resultado da experiência não é um paraíso, mas um inferno. Sem nenhuma regra de autoridade o que ocorre é o poder da força, o crime, a maldade em uma forma quase pura. Um sonho, talvez, para aqueles que dizem admirar Nietzsche, mas um pesadelo para todos os seres humanos normais, aqueles que não integram a escória da humanidade.&lt;br /&gt;
Há algo do “Senhor das moscas” em quase toda comunidade que se organiza através da internet e quem assistir ao filme ou ler o livro – o primeiro me parece mais brutal e portanto mais adequado – não deixará de reconhecer os personagens. Um tipo de comunidade, em particular, tem o costume de transformar-se em algo muito similar, o assim chamado micronacionalismo (como disse o nome é infeliz e pouco esclarecedor mas não fui eu quem criou, refere-se à simulação de países virtuais), não pela repetição do cenário – adolescentes, na maioria, quase sempre em uma ilha.&lt;br /&gt;
As diferenças de cenário só aguçam as semelhanças, pois não se podendo usar a força bruta, visto que o contato é virtual, utilizam-se de outros meios em especial da capacidade de adular, fazer demagogia, das alianças do vulgar contra o diferente de que fala Gasset, a inexistência de regras transforma-se na multiplicação delas até o infinito, sempre, claro, podendo ser modificadas ou alteradas segundo as conveniências. Não deixa de ser mais terrível que o “Senhor das Moscas”, não só por ser real, mas por se saber que as pessoas que estão lá infelizmente não vão ficar isoladas em uma ilha mas sairão de lá para o mundo real tendo aprendido a utilizar a truculência e a fazer qualquer coisa pelo poder. Enfim, ao invés de tornar-se uma escola da elite que ensine a buscar a autoridade que dispensa qualquer coerção ou símbolo – por sinal eram de uma os jovens do livro – transforma-se em uma universidade para formar a escória que só pensa no próprio ego e em todos os meios de atingir o poder e manter-se lá.&lt;br /&gt;
Não poderia deixar de dizer, antes que todos fiquem horrorizados e não passem nem perto destas comunidades, que a esperança na humanidade também pode ser restaurada por algumas delas, nas quais existe um ambiente saudável, produtivo, de respeito e trabalho, nas quais em geral até se consegue ter um ambiente tão sólido que os egoístas que ali caem acabam se sentindo mal e indo procurar os seus semelhantes em outras plagas, tal como os espíritos de Swedenborg ou, na expressão de Attar: “pássaros de mesma plumagem andam juntos”. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;strong&gt;PS:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Sou suspeito para falar sobre o assunto, já que tanto já fui expulso de alguns destes grupos como sou um feliz morador de um destes países virtuais, o Reino Unidos dos Açores, além de ter amigos em diveros outros. Assim deixo as indicações de uma comunidade que tem links para vários destes países para que assim cada um julgue e avalie a qual dos dois tipos pertence cada um, caso fique curioso.&lt;br /&gt;
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=788744&lt;br /&gt;
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34337&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o país virtual onde moro:&lt;br /&gt;
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2025192&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Fri, 02 Jun 2006 18:26:20 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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