Thomas Morus

Real e ideal

 

Maquiavel“Entretanto, como é meu desejo escrever coisa útil para os que tiverem interesse. mais conveniente me pareceu buscar a verdade pelo fito das coisas, do que por aquilo que delas se venha a supor. E muita gente imaginou repúblicas e principados que jamais foram vistos e nunca tidos como verdadeiros. Tanta diferença existe entre o modo como se vive e como se deveria viver. que aquele que se preocupar com o que deveria ser feito em vez do que se faz. antes aprende a própria ruína do que a maneira de se conservar; e um homem que desejar fazer profissão de bondade, mui natural é que se arruíne entre tantos que são Perversos.” (Maquiavel, O Príncipe)

 

MorusTenho tentado, continuou Rafael, descrever-vos a forma desta república, que julgo ser, não somente a melhor, como a única que pode se arrogar, com boa justiça, do nome de república. Porque, em qualquer outra parte, aqueles que falam de interesse geral não cuidam senão de seu interesse pessoal; enquanto que lá, onde não se possui nada em particular, todo mundo se ocupa seriamente da causa pública, pois o bem particular realmente se confunde com o bem geral..(Thomas Morus, Utopia)

 

Quase sempre que me pedem alguma exposição sobre política começo citando estes dois textos, de Maquiavel e Morus, como início da conversa. Por algum motivo meio misterioso – não sei se biológico, cultural, social ou seja lá qual for – o pensamento humano é viciado em dicotomias, nesta mania de separar o mundo em duas metades distintas – nem sempre muito bem feita. Enxergar o mundo como antíteses tem o defeito de impedir ou limitar duas ouras formas de ver as coisas. De um lado impede que se verifique a possibilidade de um continuum (que numa verdadeira dicotomia seria impossível pelos termos serem mutuamente excludentes) e de outro impede a síntese que a cada momento pode contribuir para uma explicação mais precisa.

Modesta proposta para uma utopia futurista

Modesta proposta para uma utopia futurista

Alexandre Gomes
Poucos livros falaram sobre o futuro de forma animadora, em especial neste pequeno Século XX de desilusão sem esperança. Quanto mais sombrio o cenário futuro desenhado mais marcante seria o livro, tanto que os dois grandes clássicos do gênero, "Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e "1984" de George Orwell, carregam nas cores cinzentas.
O homem do Renascimento era otimista quanto a si mesmo, portanto as utopias renascentistas, como a de São Thomas Morus e a "Cidade do Sol" de Campanella, descreviam uma terra idílica. O homem do pós guerra é um pessimista, portanto pinta cenas dantescas e, como agravante, as situa não em um mar distante, mas no futuro de toda a humanidade.

Realpolitik e "Política de Princípios"

Realpolitik e "Política de Princípios"

Alexandre Gomes

Resumo: O presente artigo examine algumas concepções que opõem uma "política de princípios" à chamada "Realpolitik" tentando demonstrar que os termos são em geral ilusórios tanto quanto aos seus resultados quanto aos seus sentidos. O eixo do artigo é que as visões utópicas - "de princípio" - em geral baseiam-se numa concepção totalitária da sociedade.

Palavras-chave: Política, Teoria Política, Maquiavel, Morus, Kissinger, Utopias

"O apelo (...) ao altruísmo inculca uma certa imprevisibilidade; o interesse nacional pode ser avaliado, o altruísmo depende da definição que lhe dê o praticante" (Kissinger, Diplomacia)

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