Aldous Huxley

Referência da Wikipedia: Aldous Leonard Huxley (Godalming, Surrey, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de Novembro de 1963) foi um escritor inglês e um dos mais proeminentes membros da família Huxley.

A tentação da ação

Fernando pessoaA vida prática sempre me pareceu o menos cômodo dos suicídios. Agir foi sempre para mim a condenação violenta do sonho injustamente condenado. Ter influência no mundo exterior, alterar coisas, transpor entes, influir em gente — tudo isto pareceu-me sempre de uma substância mais nebulosa que a dos meus devaneios. A futilidade imanente de todas as formas da ação foi, desde a minha infância, uma das medidas mais queridas do meu desapego até de mim. (Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego”)


 

 

Poucos ditados populares encontrariam tanto reforço nas mais elevadas e complexas teologias como o que diz que “de boas intenções o Inferno está cheio”. A nossa incompreensão dos intrincados mecanismos das coisas do mundo e até das sociedades nos faz tantas e tantas vezes agir de forma desastrosa até quando a intenção é fazer algo positivo. Talvez sabedoras disto as mais antigas e sólidas tradições religiosas tenham consagrado como o seu ideal de santo aquele que nada faz, só fica parado em contemplação e justificando assim a existência do mundo, tal como os grandes santos hindus, budistas, cristãos e alguns sheikhs sufis.

Mais uma vez o mundo não acabou

Mais uma vez o mundo não acabou

"O fim louva a vida como a noite louva o dia" (Petrarca)

Como era de se esperar, o mundo não acabou há uma semana, tampouco na sexta-feira 13. Apenas algumas centenas de apavorados levaram a história a sério, revelando que a perspectiva do fim do mundo já não é um prato tão popular no cardápio dos temores contemporâneos.
Mas não é porque o significativo esforço da mídia em atemorizar as pessoas falhou que se deva imaginar que o fim do mundo deixe de assustar. O falecido Frei Damião extraiu boa parte de sua fama de santo dos grotescos sermões nos quais descrevia com detalhes o castigo dos pecadores no inferno. Também este é o combustível da oratória dos chamados fundamentalistas que tentam convencer as pessoas a serem boas não pela virtude, mas pelo medo.

Pobres escolas

Pobres escolas

Alexandre Gomes

"Mas do que escolas, me instruiu uma biblioteca" (Borges)

As escolas são um meio ineficiente de educar, sempre foram e sempre serão. Em primeiro lugar porque só servem para a média dos indivíduos, quem está acima ou quem está abaixo desta média não terá jamais um espaço adequado lá porque elas jamais fornecerão a estes indivíduos toda a atenção que eles necessitam.

Em segundo lugar porque o objetivo primordial das escolas nunca foi o de educar, mas sim o de doutrinar (domesticar?) consciências medíocres e aptas a conviver em sociedade - e portanto respeitar as instituições. Em seu livro, tão excelente quanto pouco conhecido, "os demônios de Loudon", Aldous Huxley ironiza a pretensão dos jesuítas de moldar a mente dos seus alunos tal como se molda o corpo de uma criança enfaixando-a quando nasce.

Modesta proposta para uma utopia futurista

Modesta proposta para uma utopia futurista

Alexandre Gomes
Poucos livros falaram sobre o futuro de forma animadora, em especial neste pequeno Século XX de desilusão sem esperança. Quanto mais sombrio o cenário futuro desenhado mais marcante seria o livro, tanto que os dois grandes clássicos do gênero, "Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e "1984" de George Orwell, carregam nas cores cinzentas.
O homem do Renascimento era otimista quanto a si mesmo, portanto as utopias renascentistas, como a de São Thomas Morus e a "Cidade do Sol" de Campanella, descreviam uma terra idílica. O homem do pós guerra é um pessimista, portanto pinta cenas dantescas e, como agravante, as situa não em um mar distante, mas no futuro de toda a humanidade.

Eugenia e outras bobagens perigosas

Eugenia e outras bobagens perigosas


"Sede homens, sim, e não obtuso gado" (Dante, Paraíso V)


Alexandre Gomes

A eugenia - tentativa de "melhorar" a raça humana limitando a reprodução aos "melhores" homens e mulheres - é um fantasma que periodicamente assola a mentalidade ocidental desde os antigos gregos. Em artigo anterior já havia mencionado o quanto a eugenia de Platão o ligava até mesmo aos piores momentos do pesadelo do Brave New World.
A eugenia é um perigo, mas também uma grande bobagem porque em geral visa só os aspectos aparentes do homem, em especial as características físicas. Nem sempre, porém, elas se devem a herança genética e, mais grave, o que fez o homem ser verdadeiramente um homem não foi nunca os músculos ou a beleza, mas sim a inteligência. Fosse o australopithecus mais forte e talvez ele nunca tivesse se transformado no homem, afinal a inteligência surgiu para compensar todas estas fraquezas daquele macaco das savanas.

O autoritarismo das Utopias

O autoritarismo das Utopias

Alexandre Gomes

"Seja quais forem as suas qualidades artísticas e filosóficas, um livro sobre o futuro só nos pode interessar na medida que suas profecias nos pareçam originariamente capazes de virem a realizar-se" (Huxley, Prefácio do Admirável Mundo Novo)

Pode passar despercebido à maioria dos leitores, mas o horrível cenário do Admirável Mundo Novo não é senão em parte criação de Huxley. A estrutura fundamental do Brave New World - e boa parte de seu conteúdo - não vem do escritor inglês, mas da sociedade desejada por Platão na sua República.

Realpolitik e "Política de Princípios"

Realpolitik e "Política de Princípios"

Alexandre Gomes

Resumo: O presente artigo examine algumas concepções que opõem uma "política de princípios" à chamada "Realpolitik" tentando demonstrar que os termos são em geral ilusórios tanto quanto aos seus resultados quanto aos seus sentidos. O eixo do artigo é que as visões utópicas - "de princípio" - em geral baseiam-se numa concepção totalitária da sociedade.

Palavras-chave: Política, Teoria Política, Maquiavel, Morus, Kissinger, Utopias

"O apelo (...) ao altruísmo inculca uma certa imprevisibilidade; o interesse nacional pode ser avaliado, o altruísmo depende da definição que lhe dê o praticante" (Kissinger, Diplomacia)

Vinhas da esperança

Vinhas da esperança

Alexandre Gomes

Mencionei há poucos dias que um dos poucos autores norte-americanos dos quais gostava era Steinbeck, ainda que com algumas restrições, porque há diversos Steinbecks e não é fácil supor que o mesmo autor de "Ratos e Homens" "Vinhas da Ira" seja o autor de "Doce Quinta-Feira".
As "Vinhas da Ira", em especial, sempre me impressionou pela violenta crítica social de um lado, pelo experimentalismo formal de outro e principalmente por encontrar no livro tanta semelhança com a situação brasileira, embora descreva cenas americanas.
Quando li o livro pela primeira vez ainda não se falava do MST, embora o movimento já devesse existir já que está completando 20 anos. Mas as descrições que Steinbeck fez em 1939 dos acampamentos de agricultores migrantes que iam do meio-oeste - onde os bancos produziram multidões de Sem-terra - até a Califórnia, certamente também descreveriam com perfeição um acampamento do MST.

Orientalismo e ocidentalismo

Orientalismo e ocidentalismo

"A mente oriental abomina a precisão, (...) o europeu é um raciocinador conciso (...), ele é um lógico natural mesmo que Não tenha estudado lógica" (Cromer, Modern Egipt; citado por Edward Saïd em Orientalismo)
Alexandre Gomes

Impossível falar no Oriente Médio sem que venha à mente as imagens de terroristas fanáticos, mulheres veladas, religiosidade exacerbada. Estas imagens logo evocam outras mais abstratas, como a do fedain se matando em um ataque suicida na esperança de alcançar o paraíso nos braços das huris em meio a rios de vinho. Assim como é impossível também nào imaginar ditaduras sanguinárias oprimindo o povo com base em um discurso que se utiliza da religião para fins políticos, quando não econômicos.

O ópio dos intelectuais

O ópio dos intelectuais

Alexandre Gomes

Um levantamento dos livros mais influentes do século, realizado por editores ingleses, apresentou uma série de surpresas. Há algumas omissões questionáveis como Admirável Mundo Novo de Huxley, alguns livros óbvios como o "Em Busca do Tempo Perdido" de Proust e "A Interpretação dos Sonhos" de Freud, mas há sobretudo uma grande surpresa, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber.
Não seria de se admirar se a comunidade acadêmica da área de Ciências Sociais brasileira fizesse protestos à inclusão, tão difamado costuma ser o livro em tantos cursos por aí. Cursos que aprecem ter sido estruturados para confirmar a frase de Raymond Aron, um weberiano por sinal, que "o marxismo é o ópio dos intelectuais".

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