Miguel de Cervantes Saavedra

Miguel de Cervantes Saavedra (Alcalá de Henares, 29 de Setembro de 1547 — Madrid, 23 de Abril de 1616), romancista, dramaturgo e poeta espanhol. Autor da mais importante obra em castelhano, Don Quixote de La Mancha.

Precisamos de Quixote

Precisamos de Quixote

Alexandre Gomes

"Embora, Senhor Quixote, as sandices vos tenham transtornado o cérebro, nunca podereis ser repreendido por estes homens de obras vis e soezes" (Cervantes)

Alguém, já não me lembro mais quem, disse que Dom Quixote é certamente o mais excepcional símbolo do homem. Não resta dúvida que este personagem infeliz representa o que temos de mais humano, incluindo a sandice. Quixote é o homem que ousa sonhar e tem a coragem de enfrentar a sua obscura existência armado com pouco mais do que aqueles sonhos.
Já disse em artigo escrito há alguns meses que Quixote encarnou tanto a rebeldia que se rebelou contra seu autor. Criado pelo Cervantes entrado em anos para ironizar o aluado Cervantes jovem que levou a ambos ao cárcere sarraceno e a uma existência infeliz.

Livros de insônia

Livros de insônia

Alexandre Gomes

Já citei inúmeras vezes aqui a frase de Borges segundo a qual mais do que escolas, ele foi educado por uma biblioteca. Há um outro aspecto desta frase, contudo, que eu não explorei. A leitura é geralmente vista como uma atividade de lazer, um modo agradável de passar o tempo, um meio para se conhecer o mundo numa viagem onírica (ainda que seja pelo sonho dos outros).
Mas reduzir a leitura, em especial de bons livros - cada vez mais raros - a simples hobby é não ser dotado da real capacidade de leitura. Ler é algo mais do que esta tarefa prosaica a qual se pode dedicar algumas horas vagas. Já houve quem tenha descrito o ofício de escritor como uma maldiçõa que impele o indivíduo a escrever, pouco se improtanto até mesmo se alguém vai ler, escreve porque para o verdadeiro escritor escrever é igual viver, ele é incapaz de conceber a vida sem escrever, assim como nào a concebe sem respirar.

Livros que não precisaram ser lidos

Livros que não precisaram ser lidos

Alexandre Gomes

"Há uma regra segura para julgar tanto livros quanto homens, mesmo sem os conhecer; basta saber por quem são amados e por quem são odiados" (Maistre)

O propósito de todo livro, ao menos teoricamente, é ser lido, ainda que por um solitário punhado de pessoas. Portanto falar de livros que Não precisaram ser lidos é algo paradoxal, é como falar de um não-livro, contudo é impossível ignorar que estes não-livros existem - e em quantidade crescente - malgrado todo o esforço dos autores e sobretudo devido aos comentaristas.

Cenários dantescos

Cenários dantescos

Alexandre Gomes

"Aqui é mister deixar toda suspeita, dar por morta toda tibieza" (Dante, Divina Comédia)

Contam-se nos dedos livros que tiveram tanta importância na História da humanidade quanto a Divina Comédia de Dante, obra prima que marca a passagem de uma época à outra, de um modo de ver o mundo a outro. Muitos já observaram que, como todos os grandes livros, a Divina Comédia tem camadas sucessivas que permitem as mais diversas interpretações.
Borges afirmou que alguns comentadores viram três camadas no texto de Dante, outros sete, mas que provavelmente elas são infinitas. Quem trilha a senda mística verá símbolos usuais de que se trata de algo mais que um livro escrito ao acaso, detectará lá um mapa do caminho à Unidade.

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