Edward Saïd

Razões do discurso secularista e imperial

Razões do discurso secularista e imperial

Alexandre Gomes

Neste atual período de extrema descrença e materialismo é relativamente natural que acabe por ganhar espaço mesmo no senso-comum a noção de que a religião é um instrumento de dominação da população. O sentimento expresso na frase célebre de Marx - "A religião é o ópio do povo", parafraseada de forma sagaz por Raymond Aron que proclamou que o "marxismo é o ópio dos intelectuais" - é tomada como uma verdade absoluta em meios cada vez mais diversos.
É natural que Marx proclamasse isto, afinal jamais poderia de pensar segundo um homem da sua época na qual se glorificava a supremacia da ciência e do governo secular. Praticamente não houve autor contemporâneo a Marx que não compartilhasse da sua mesma visão e o velho filósofo foi, de certa forma, vítima da mesma visão ideológica que tanto condenava.

Orientalismo e ocidentalismo

Orientalismo e ocidentalismo

"A mente oriental abomina a precisão, (...) o europeu é um raciocinador conciso (...), ele é um lógico natural mesmo que Não tenha estudado lógica" (Cromer, Modern Egipt; citado por Edward Saïd em Orientalismo)
Alexandre Gomes

Impossível falar no Oriente Médio sem que venha à mente as imagens de terroristas fanáticos, mulheres veladas, religiosidade exacerbada. Estas imagens logo evocam outras mais abstratas, como a do fedain se matando em um ataque suicida na esperança de alcançar o paraíso nos braços das huris em meio a rios de vinho. Assim como é impossível também nào imaginar ditaduras sanguinárias oprimindo o povo com base em um discurso que se utiliza da religião para fins políticos, quando não econômicos.

O outro, o mesmo

O outro, o mesmo

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Alexandre Gomes

"Ó Humanos, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos para reconhecerdes uns aos outros."(Alcorão, 49: 13)

Há poucas questões tão importantes a serem discutidas no mundo de hoje como a do "outro". Em um mundo que tende a se fragmentar em civilizações irredutíveis dotadas de visões de mundo irreconciliáveis e em busca de identidades próprias mais sólidas e racionalizadas a noção do "outro" torna-se central em todo debate.
Este debate, olhado com certa desatenção, transcende em larga escala a simples esfera acadêmica. Não é uma discussão puramente filosófica, sociológica ou antropológica, nem mesmo uma simples discussão política porque tem implicações graves na vida de todos, como destacou Samuel Huntington no seu "Choque de Civilizações".

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