Swift

Modesta proposta para uma utopia futurista

Modesta proposta para uma utopia futurista

Alexandre Gomes
Poucos livros falaram sobre o futuro de forma animadora, em especial neste pequeno Século XX de desilusão sem esperança. Quanto mais sombrio o cenário futuro desenhado mais marcante seria o livro, tanto que os dois grandes clássicos do gênero, "Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e "1984" de George Orwell, carregam nas cores cinzentas.
O homem do Renascimento era otimista quanto a si mesmo, portanto as utopias renascentistas, como a de São Thomas Morus e a "Cidade do Sol" de Campanella, descreviam uma terra idílica. O homem do pós guerra é um pessimista, portanto pinta cenas dantescas e, como agravante, as situa não em um mar distante, mas no futuro de toda a humanidade.

O medo da imortalidade

O medo da imortalidade

Alexandre Gomes

O Homem Bicentenário (The Bicentennial Man) que estreou nos cinemas brasileiros esta semana traz uma edulcorada adaptação de dois contos de Isaac Asimov, como todos já devem ter lido à exaustão em milhares de textos sobre o filme. Um dos contos preferidos do próprio Asimov, O Homem Bicentenário fica bastante diluído dentro da trama da novela "O Homem Positrônico" na adaptação cinematográfica.

Há dois enredos concorrentes dentro da trama, motivada pela mistura das duas histórias. A idéia de um robô lutando para ser reconhecido como humano - o enredo de The Positronic Man - é hoje mais ou menos rotineira (embora não o fosse quando Asimov escreveu a história em 1976).

Tecnocratas da imaginação

Tecnocratas da imaginação

"Por meio de seu invento a pessoa mais ignorante poderia, por um preço módico e pouco esforço, escrever tratados de filosofia" (Swift, Viagens de Gulliver)

Alexandre Gomes

Há algum tempo eu e o colega Cirilo Braga criamos um personagem que fez uma curta mas brilhante carreira como articulista em São Carlos e andou até pela Internet: Ivonney Penna. Os artigos escritos a quatro mãos tinham a característica de nunca dizerem nada, mas transmitiam esta mensagem com muito estilo em frases pomposas repletas de lugares-comuns escolhidos a dedo.
Analisando a globalização por exemplo, tema que jamais pdoeria faltar na agenda do Ivonei, o nosso articulista à guisa de conclusão do longo artigo perguntava: "mas será a globalização realmente globalizante ou paenas globalizadora?".

Livros de insônia

Livros de insônia

Alexandre Gomes

Já citei inúmeras vezes aqui a frase de Borges segundo a qual mais do que escolas, ele foi educado por uma biblioteca. Há um outro aspecto desta frase, contudo, que eu não explorei. A leitura é geralmente vista como uma atividade de lazer, um modo agradável de passar o tempo, um meio para se conhecer o mundo numa viagem onírica (ainda que seja pelo sonho dos outros).
Mas reduzir a leitura, em especial de bons livros - cada vez mais raros - a simples hobby é não ser dotado da real capacidade de leitura. Ler é algo mais do que esta tarefa prosaica a qual se pode dedicar algumas horas vagas. Já houve quem tenha descrito o ofício de escritor como uma maldiçõa que impele o indivíduo a escrever, pouco se improtanto até mesmo se alguém vai ler, escreve porque para o verdadeiro escritor escrever é igual viver, ele é incapaz de conceber a vida sem escrever, assim como nào a concebe sem respirar.

Livros que não precisaram ser lidos

Livros que não precisaram ser lidos

Alexandre Gomes

"Há uma regra segura para julgar tanto livros quanto homens, mesmo sem os conhecer; basta saber por quem são amados e por quem são odiados" (Maistre)

O propósito de todo livro, ao menos teoricamente, é ser lido, ainda que por um solitário punhado de pessoas. Portanto falar de livros que Não precisaram ser lidos é algo paradoxal, é como falar de um não-livro, contudo é impossível ignorar que estes não-livros existem - e em quantidade crescente - malgrado todo o esforço dos autores e sobretudo devido aos comentaristas.

A Aniquilação

A aniquilação

Alexandre Gomes

"As opiniões dos homens sobre Deus surgem apenas na imaginação deles; e é absurdo tentar deduzir alguma coisa do que dizem: bem ou mal eles o disseram de si mesmos" ( Farid Attar, Mantiq ut-tair)

O homem sempre tentou entender a natureza da divindade, mas ao refletir sobre isto está condenado a limitar esta compreensão ao seu próprio universo de idéias e símbolos e portanto condenado ao fracasso. Aliás o termo refletir parece ser mais do que adequado porque em praticamente todos os casos o homem pensa ter visto Deus quando na verdade vê apenas o reflexo de si mesmo, de seus valores, paixões e personalidade.

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