Monteiro Lobato

José Bento Renato Monteiro Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 — São Paulo, 4 de julho[1] de 1948) foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. Foi o "precursor" da literatura infantil brasileira e ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo, bem como divertido, de sua obra de livros infantis, o que seria aproximadamente metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de inúmeros e deliciosos contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, prefácios, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro e um único romance, O Presidente Negro, que não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças.

Nós, o Povo

Jeca Tatu“Mas pra mim, seu doutor não leve a mal, pra mim coisa que não presta não pode ter nenhuma beleza...” (Guimarães Rosa, Sagarana)

 

Abstração terrível este de “povo”. Seja para ser aclamada ou vilipendiada ainda assim é uma abstração terrível, tanto pela sua absurda imprecisão de tentar reunir milhares de indivíduos em uma única categoria seja pela assustadora constatação de que ela faz algum sentido.

O triste fim da Literatura Infantil

O triste fim da Literatura Infantil

Alexandre Gomes

Lobato, dizem, deixou de escrever para adultos porque desistiu de tentar colocar idéias nas cabeças deles, repletas demais de costumes, vícios e preconceitos para que coubesse alguma coisa mais. Resolveu, então, sugerir idéias às mentes infantis, menos doutrinadas na mediocridade e parece ter tido efeito, afinal os "filhos de Lobato" marcaram algumas décadas de progresso do país, ainda que nenhum deles tenha se tido a mesma coragem do mestre.
Quem lê os textos para adultos de Lobato, em geral artigos de jornal, lamenta a opção do escritor porque certamente ele teria muito ainda a dizer a todos. Sua mente desacostumada às normas que em geral a acorrentam produz idéias originais, juízos tão estranhos como corretos, coloca o dedo na ferida profunda da nação sem medo nem piedade; tudo isto alinhado numa prosa elegante, culta e cheia de referências sem ser pedante, às vezes numa história profunda e comovente retirada às páginas da história ou do noticiário.

Livros de insônia

Livros de insônia

Alexandre Gomes

Já citei inúmeras vezes aqui a frase de Borges segundo a qual mais do que escolas, ele foi educado por uma biblioteca. Há um outro aspecto desta frase, contudo, que eu não explorei. A leitura é geralmente vista como uma atividade de lazer, um modo agradável de passar o tempo, um meio para se conhecer o mundo numa viagem onírica (ainda que seja pelo sonho dos outros).
Mas reduzir a leitura, em especial de bons livros - cada vez mais raros - a simples hobby é não ser dotado da real capacidade de leitura. Ler é algo mais do que esta tarefa prosaica a qual se pode dedicar algumas horas vagas. Já houve quem tenha descrito o ofício de escritor como uma maldiçõa que impele o indivíduo a escrever, pouco se improtanto até mesmo se alguém vai ler, escreve porque para o verdadeiro escritor escrever é igual viver, ele é incapaz de conceber a vida sem escrever, assim como nào a concebe sem respirar.

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