Aldous Huxley

A tentação da ação

Fernando pessoaA vida prática sempre me pareceu o menos cômodo dos suicídios. Agir foi sempre para mim a condenação violenta do sonho injustamente condenado. Ter influência no mundo exterior, alterar coisas, transpor entes, influir em gente — tudo isto pareceu-me sempre de uma substância mais nebulosa que a dos meus devaneios. A futilidade imanente de todas as formas da ação foi, desde a minha infância, uma das medidas mais queridas do meu desapego até de mim. (Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego”)


 

 

Poucos ditados populares encontrariam tanto reforço nas mais elevadas e complexas teologias como o que diz que “de boas intenções o Inferno está cheio”. A nossa incompreensão dos intrincados mecanismos das coisas do mundo e até das sociedades nos faz tantas e tantas vezes agir de forma desastrosa até quando a intenção é fazer algo positivo. Talvez sabedoras disto as mais antigas e sólidas tradições religiosas tenham consagrado como o seu ideal de santo aquele que nada faz, só fica parado em contemplação e justificando assim a existência do mundo, tal como os grandes santos hindus, budistas, cristãos e alguns sheikhs sufis.

Pobres escolas

Pobres escolas

Alexandre Gomes

"Mas do que escolas, me instruiu uma biblioteca" (Borges)

As escolas são um meio ineficiente de educar, sempre foram e sempre serão. Em primeiro lugar porque só servem para a média dos indivíduos, quem está acima ou quem está abaixo desta média não terá jamais um espaço adequado lá porque elas jamais fornecerão a estes indivíduos toda a atenção que eles necessitam.

Em segundo lugar porque o objetivo primordial das escolas nunca foi o de educar, mas sim o de doutrinar (domesticar?) consciências medíocres e aptas a conviver em sociedade - e portanto respeitar as instituições. Em seu livro, tão excelente quanto pouco conhecido, "os demônios de Loudon", Aldous Huxley ironiza a pretensão dos jesuítas de moldar a mente dos seus alunos tal como se molda o corpo de uma criança enfaixando-a quando nasce.

Modesta proposta para uma utopia futurista

Modesta proposta para uma utopia futurista

Alexandre Gomes
Poucos livros falaram sobre o futuro de forma animadora, em especial neste pequeno Século XX de desilusão sem esperança. Quanto mais sombrio o cenário futuro desenhado mais marcante seria o livro, tanto que os dois grandes clássicos do gênero, "Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e "1984" de George Orwell, carregam nas cores cinzentas.
O homem do Renascimento era otimista quanto a si mesmo, portanto as utopias renascentistas, como a de São Thomas Morus e a "Cidade do Sol" de Campanella, descreviam uma terra idílica. O homem do pós guerra é um pessimista, portanto pinta cenas dantescas e, como agravante, as situa não em um mar distante, mas no futuro de toda a humanidade.

Venerável Mundo Novo

Venerável Mundo Novo

A visão da Modernidade no discurso de Khomeini

Anteprojeto de pesquisa

Resumo: o presente anteprojeto pretende delinear uma pesquisa sobre a forma como a temática da modernidade é vista no discurso de Khomeini ao longo de sua trajetória pública. A hipótese central traçada é que ao mesmo tempo que ele rejeita a identidade entre modernidade e ocidentalização tenta construir um releitura da modernidade compatível com o Islam.

"Sem a modernidade não haveria fundamentalistas, bem como não haveria modernistas" (Bruce Lawrence, Defenders of God: The Fundamentalist Revolt Against the Modern Age)

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