O mundo andava chato e sem sentido. O sintoma claro do meu desencanto era aquela vontade reiterada de mudar pro mato e plantar jabuticabas, goiabas, gabirobas e coisas do tipo.
Digo que andava sem sentido não com aquela sóbria visão como a que Caeiro/Pessoa diz que basta uma coisa existir para ser completa e que são vãos e inúteis todos os esforços do pensamento de tentar compreender a mínima coisa. Digo sem sentido porque quando não se sabe para onde vai mesmo que se veja a estrada não há com se decidir por um lado dela.
Digo que andava chato porque parecia que mais nada nele conseguia despertar do enfado do cotidiano, nada quebrava o sono que não era o bom sono de quem está no mundo sem ser do mundo, mas sim o sono da apatia de quem não está no mundo mas tampouco fora dele.
Andava nestas quando Kurtz ligou de seu posto lá no ponto mais negro do Coração das Trevas.