Um pais de verdade
Ontem, esta segunda-feira negra dominada pelo pânico, tive esperanças de que o Brasil pode sim virar um país de verdade qualquer dia destes. Entre os sintomas o que mais me chamou a atenção é que pelo menos por onde estive ninguém tinha ligado a mínima para a divulgação da lista de convocados para a Copa do Mundo. Só no final do dia o assunto começou a ganhar alguns comentários, demonstrando assim que ao menos às vezes ainda somos capazes de estabelecer prioridades.
A velocidade e variedade dos boatos que circularam pelo dia, a grande maioria sem ter nenhuma base real, demonstrou que a informação também é parte da guerra. A Internet, em particular, mostrou como pode ser útil – servindo de instrumento de comunicação, mobilização, expressão de idéias, tanto quanto inútil, ampliando e divulgando boatos, gerando pânico e servido para a expressão de idéias mais do que extremistas, de um lado ou de outro. É o preço a ser pagar pela liberdade de informação e no final das contas o balanço foi bem positivo, na minha opinião.
O fato mais lamentável de toda a crise – a mesquinhez daqueles que preocupam-se mais com a próxima eleição – acabou gerando um dos fatos mais positivos que foi o repúdio geral, o asco, a este tipo de oportunismo cego. Quem investiu neste caminho perdeu pontos de credibilidade junto à opinião pública e devem ter percebido isto porque á noite quase não havia mais vestígios deste tipo de discurso.
As entidades de Direitos Humanos; que tem sua parcela de culpa por conta de seu esforço para desmoralizar as forças de segurança, por conta de seu discurso antiquado e bitolado sobre segurança pública, e por desarmar o Estado de Direito na sua capacidade de defender-se; convocaram diversas manifestações pela paz. Deveriam, como naquela famosa piada de Garrincha, ter combinado com o PCC, afinal para falar em paz quando há uma guerra em andamento é necessário que os agressores estejam presentes. Também devem colher a perda de credibilidade e poder de mobilização por conta de ter ficado evidente o erro da sua política.
O grande desafio agora é começar a pensar de fato em uma política e um discurso de segurança pública com uma base realista, jogando fora de uma vez por todas aquele baú de frases feitas para o período militar e que não faz o menor sentido em um regime democrático. Fiquei contente em ver que este ponto de vista, foi expresso em um comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN, segundo li no blog do Noblat (http://noblat1.estadao.com.br/noblat/index.html).
Algo que vi pouco mas que é muito mais necessário neste momento é o apoio e solidariedade às forças de segurança, afinal são as polícias Civil e Militar que estão na frente de batalha desta guerra, portanto precisam e merecem sentir que na retaguarda contam com o apoio ativo e solidariedade por parte da sociedade. Mesmo agora que a situação, graças a Deus, começa a tranqüilizar-se, não se pode esquecer que há uma guerra em andamento, a qual só estará concluída quando a repetição de tais ataques não puder mais ocorrer com a mesma facilidade.

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