A prova do lenhador
Al-Ghazalli conta uma história que eu gosto muito de contar, recontar e meditar sobre ela, embora nem sempre – quase nunca – consiga refleti-la na minha vida. Adapto a história para tirar dela certos elementos estritamente islâmicos ou que pdoeriam ser mal compreendidos, e de forma bem reduzida, mas preservando a idéia original:
“Um lenhador começa a cortar uma árvore na floresta quando sai dela um demônio, diz que aquela árvore é a sua casa e não permitirá ao lenhador cortá-la. O demônio avança contra o lenahdor, mas é derrotado com facilidade e fica prostrado no chão com a surra que leva do lenhador.
Vencido o demônio oferece-se para colocar três moedas de ouro todos os dias debaixo da prota do lenhador. Desconfiado da propsota de um ser famoso pelas falsas promessas, o lenhador tenta recusar, mas o demônio lhe lembra que semrpe pdoerá voltar e derrubar a árvore caso a promessa não seja cumprida e o lenhador aceita.
Na primeira smana as moedas aparecem todas as manhãs por baixo da porta, de repente elas deixam de chegar e após esperar sem sucesso por uma semana o lenhador pega o machado e furioso decide cortar a árvore. Novamnte o demônio que morava lá resiste, mas desta vez quem fica estatelado no chão é o lenhador.
Espantado por ter sido derrotado um adversário que tinha esmagado com tanta facildiade da outra vez, pergunta o que aconteceu. O demônio, com uma gargalhada, responde:
Na primeira vez lutou pela sua fé, agora lutou só por um punhado de moedas de ouro.”
Ser capaz de se saber o que se busca, se há uma finalidade ou estamos perdidos nos meios para atingi-lo – e escrevo aqui tendo muito em mente alguns textos de Schuon sobre o reverso do espiritualismo – é talvez a questão mais fundamental para que se consiga ter algum resultaod nas buscas. É também um elemento improtante para distinguir que é verdadeiro daquilo que é falso, ainda mais neste terreno tão pantanoso da religião e da espiritualidade no qual o oculto e o superficial são legião. Mas não se pdoe ignorar que é também cosia importante para manter a concentração permanente que se deveria ter, como lembra uma amiga, quando nos movemos em um mundo no qual tudo é sagrado.
A regra das três moedas é capaz de distinguir tudo claramente na nossa mente, na emdida em que ao menos para nós é a nossa ação e nossa intenção que oferece as regras.
A participação em um ritual rleigioso, seja lá de qual fé, está sendo movida pelo nosso desejo de nos elevarmos e vislumbrar Deus, ou como um ritual mágico de constranger a divindade a atender nossos pedidos, livrar-nos do castigo ou nos dar recompensas?
Buscamos um determinado conhecimento para que ele nos ilumine ou para que ele nos dê algum tipo de poder?
Tentamos seguir um caminho para cumprir nosso dever ou para que nos sintamso superiores aos outros, que se torne algo que nso distinga dos demais?
Lembrei-me destas coisas quando fui no cinema no final de semana e perdi o dinehiro do ingresso assitindo a um filme infeliz, A Dama na Água, previsiível, superficial, marcado pro esta compreensão de que o espiritual é algum tipo de ritual mágico destinado a invocar ou exorcizar alguma força. Em outras paalvras voltado aqui para este mundo. E nem sequer isto consegue fazer muito bem porque chega ao limite do supérfluo e do ingênuo que, julgo, nem os adeptos da Nova Era vão gostar.
Tenho falado e conversado muito com diversas pessoas sobre esta questão da unidade essencial das religiões. Senti certa necessidade de esclarecer um tanto este conceito para que ele não seja entendido à luz destas idéias vagas que as religiões perderam o sentido e devem ser abandonadas em função de alguma coisa meio vaga e amorfa.
Minha visão é exatamnte a contrária. Não me sinto tão radical como estes sheikhs que nasceram no Ocidente e se encotnraram no islam, como Guénon e Schuon, mas creio como eles que a unidade se encontra no aprofundamento em cada fé, na busca das essências, na disciplina ritual, na compreensão mais profunda daquilo que o Uno disse aos homens de formas variadas. Na minha avaliação quando isto ocorre as pessoas reconehcem a verdade comum, muito mais do que simplesmente negando a validade das prescrições, processo que no fundo equivale a colocar a si ou a algum outro ser humano como juiz, negando da forma mais veemente justamente o laço do sagrado.
Falo sempre e a diversas pessoas que pro detrás das diferentes aparentes entre as fés há uma unidade essencial. Pensando enste conceito diria que certamente se chega á essência cavando mais fundo, não ficando na crosta. É fácil verificar isto ao se ver que é mais fácil discutir com uma pessoa de outra fé que tem a sabedoria da sua revelação desvelada no seu coração do que com pessoas de uma fé superficial e que protanto não são capazs de ir além dos dogmas, da rpetição de regras, citações e frases.
A primeira ilumina, fortalece a fé de ambos, como já tive várias oprotunidades de cosntatar – sempre me redescobrindo muçulmano – enquanto a segunda é um diálogo de surdos, como descreve – em outro contexto ams descrevendo o mesmo processo, - Ortega Y Gasset:
”Possuir uma idéia é crer que se possua as razões da mesma, e é, portanto, crer que existe uma razão, um mundo de idéias inteligíveis. Idear, opinar, é uma mesma coisa, apelando para ela, a forma superior da convivência é o diálogo em que se discute a razão das nossas idéias.
É evidente que não quero dizer que exista uma razão, um argumento fundamental que faça com que no final se descubra qual é a religião verdadeira. Pelo contrário – e aqui, reconheço, é uma questão de fé não completamente demonstrável, ainda que ibn Rushd tenha tentado fazê-lo – é um raciocínio que repousa na crença que todas as religiões provém da mesma fonte e portanto a investigação e o debate sincero acabarão por demonstrar que há um centro comum a partir do qual todas as expressões do sagrado foram delimitadas.
Posso, então, voltar a história do sheikh al-Ghazalli, para dizer que isto só é possível de ser encontrado quando a busca não é pelas três moedas de ouro, quando não há desejo de vitória, nem de recompensas, nem de castigos, nem de poder, mas apenas a pureza das intenções que sempre é capaz de nos manter no caminho se esquecemos os surrusos do mundo para ouvir o mais completo silêncio dos nossos anseios.

Comentários
Fé!
Sabe meu amigo, fui criada na Igreja Catolica, conheci a Doutrina de Allan Kardec aos 30 anos,hoje aos 42anos tenho a certeza que perdi muito tempo buscando algo que já tinha dentro de mim.
Hoje eu sinto Deus todos os instantes de minha vida, vejo ele dentro de mim quando silencio, no barulho, nas minhas alegrias, tristezas, dores, nos meus filhos, no sorriso de meu neto,na felicidade do meu cachorro quando chego em casa, perdemos tempo, energia buscando algo que está dentro de nós o tempo todo é assim que sinto o nosso Pai maior, não preciso de templos para sentir o Amor dentro de mim só preciso fechar os olhos e sentir ele fluir no meu coração.
A Dama na Agua
Ainda não assisti ao filme mas lamento saber que você o achou superficial e dispensável. Será esta a maneira como Shyamalan - espero ter escrito certo - vê os gênios? Algo mágico que se pode ter à mão, bem ali, na piscina? Não lamente pelo dinheiro perdido vendo um filme do qual não gostou. Foi uma oportunidade de saber o que Shyamalan pensa de ter um gênio na piscina, principalmente para você, que já passou pela experiência de ter um numa garrafa. Talvez você tivesse muito a discutir com o Shyamalan sobre o trato com essas mágicas criaturas e todos lucrariam com essa conversa, você, o Shyamalan e os gênios. Quanto a mim, gostaria muito de ouvi-lo um pouco mais sobre este gênio na piscina e a interação com seu "dono".
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