Passagens
Escrevo pouco hoje pela falta de tempo. Passei boa parte do dia hoje no triste compromisso de acompanhar um grande amigo no velório do pai dele. Digo triste - sem muita preocupação em estar repetindo um chavão ou lugar comom, nem tanto por conta de quem parte, mas principalmente por causa de quem fica por aqui, sofrendo com a ausência e a saudade.
Lembrei-me de vários livros que li falando sobre os inconvenientes da imoratalidade. O infinito tédios do Imortais retratados por Borges, nas quais se anula a humanidade e se perde o interesse pela vida; os decrépitos imortais de uma das ilhas visitadas por Gulliver descritos por Swift, o robô bicentenário de Asimov que quer morrer para assim atingir a plena condição humana; algumas reflexões de Garaudy sobre a necessidade da morte para que o homem seja solidário, pois ela permite que o homem supere o egoísmo e tenha planos mais ambiciosos e busque convencer os outros a compartilhá-los para que depis de sua morte as coisas continuam (infelizmente estou sem o livro à mão aqui); Uma bela passagem de Amin Maalouf em Leão, o Africano no qual um sheikh diz que sem amorte o homem não ousaria nunca proque se houvesse a menor possibildiade dele não morrer ele não correria riscos.
Claro que é muito mais fácil falar isto sendo o pai de outra pessoa, deve ter pensado o leitor, provavelmente com razão. Perdi diversos amigos, alguns parentes, três avõs, quatro tiosmas não tive nenhuma perda no meu círculo mais íntimo de familiares e amigos, então não estou certo como reagiria. De qualquer forma é mais difícil para quem fica, que tem de acostumar-se a viver sme aquela pessoa, para quem por longo tempo os atos da rotina se tornarão diversas vezes dolorosos por relembrarem quem partiu.
Há alguns meses li um daqueles bons raros livros de sociologia no qual o texto e o enfoque conseguem escapar do árido, para não dizer estéril, dialeto acadêmico falando sobre alguns rituais e crenças da França Medieval a respeito dos mortos. O aspecto central do livro é uma tese antropológica bem conhecida, a de que os rituais de exéquias são necessários para manter a separação simbólica entre o mundo dos vivos e dos mortos, mas o autor destaca as ocasiões ans quais este equilíbrio é desequilibrado e então surgem boas histórias. Delas eu destacaria a de que na épcoa a Igreja acreditava em fantasmas, talvez porque a principal função das aparições era intimidar herdeiros que não cumpriam as disposições testamentárias de legatários que doavam seus bens à Igreja.
Infelizmente hoje, como disse, estou com pouco tempo...

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