O voto é profano
O voto é profano -
Um dos principais argumentos dos patrícios romanos para não atender à reivindicação de um “tribuno da plebe” que defendesse os direitos dos romanos não-nobres era a ausência de provisão deste cargo nas leis sagradas. Mesmo quando tiveram de ceder à pressão o cargo de tribuno manteve um caráter ímpio e a própria inviolabilidade do tribuno – aponta Foustel de Coulanges – era motivada por este caráter “impuro” da função. O mais antigo dos truques para afastar parcelas da população do processo de decisão é a invocação de razões “sagradas”, das quais o caso do tribuno da plebe é apenas um pequeno exemplo. Com todos os pesares, lamentações e retrocessos, ainda assim, a história política da humanidade é a amplificação da proporção da população que detém os direitos de cidadania. Cada um destes passos históricos foi antecedido e sucedido por resmungos teológicos contra o pecado, heresia ou blasfêmia que se estava cometendo ao aceitar aquele círculo adicional de pessoas ao universo dos que deveriam decidir.
Em resposta ao post O Voto é Sagrado no blog Poder da Palavra
O voto é profano -
Um dos principais argumentos dos patrícios romanos para não atender à reivindicação de um “tribuno da plebe” que defendesse os direitos dos romanos não-nobres era a ausência de provisão deste cargo nas leis sagradas. Mesmo quando tiveram de ceder à pressão o cargo de tribuno manteve um caráter ímpio e a própria inviolabilidade do tribuno – aponta Foustel de Coulanges – era motivada por este caráter “impuro” da função. O mais antigo dos truques para afastar parcelas da população do processo de decisão é a invocação de razões “sagradas”, das quais o caso do tribuno da plebe é apenas um pequeno exemplo. Com todos os pesares, lamentações e retrocessos, ainda assim, a história política da humanidade é a amplificação da proporção da população que detém os direitos de cidadania. Cada um destes passos históricos foi antecedido e sucedido por resmungos teológicos contra o pecado, heresia ou blasfêmia que se estava cometendo ao aceitar aquele círculo adicional de pessoas ao universo dos que deveriam decidir.
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