Mr. Slang e o Orkut

Aos meus amigos do Orkut

Eu confesso que pouco visito a maior parte das comunidades do Orkut que participo. A maior parte delas não conseguiu ainda encontrar um meio de comunicação e eu acho que o próprio veículo não é muito apropriado. Se eu fosse do Google sugeriria que a parte dos fóruns fosse linkada a algum tipo de lista de discussão, talvez por email, dando mais agilidade e facilidade ao processo de participação. Do ponto de vista técnico não é algo tão difícil e até eu que não sou nenhum expert em programação utilizo um sistema assim nos sites que gerencio.
Além da limitação técnica, precisa ter paciência para ir percorrendo as comunidades, postando mensagens, rezando para o servidor não dar pane e privar você dos donuts. Acho que pouca gente consegue realmente fazer isto a não ser que tenha realmente um grande interesse no assunto ou algum distúrbio psicológico que exige que ele faça qualquer esforço para chamar a atenção.
É evidente que as comunidades tem outra utilidade, que é a de se encontrar pessoas com interesses afins. Nem sempre funciona, visto que muitos inscrevem-se por algum tipo de impulso e as mais variadas motivações devem estar presente. Às vezes sinto-me frustrado comigo mesmo por minha lista de comunidades ser maior do que a de amigos – sinal que não fui capaz de fazer pelo menos um amigo novo a cada uma delas – mas também não tenho a menor intenção de adicionar alguém só para fazer número.
Ando muito com Monteiro Lobato na cabeça, em grande parte talvez por conta da Comunidade dele no Orkut, uma das poucas ás quais tenho conseguido dar uma atenção razoável e assim peço desculpas por voltar a falar dele nesta mesma semana. Relacionando este comentário com o que eu estava dizendo acima, lembrei de uma das conversas de Lobato com Mr. Slang – amigo inglês que é uma espécie de versão adulta da Emília – na qual o inglês diz que deveria haver no máximo uns 30 homens no sentido estrito do termo pelo país e uns 2000 pelo mundo todo.
Antes que as mulheres concordem com a frase esclareço rapidamente que o vocábulo se refere, nas palavras da Emília anglo-saxônica, a “unidade de força social construtora, elemento propulsivo, engenheiro do dia de amanhã”. Não é preciso dizer que está se referindo ao seres humanos – homens e mulheres - que fazem a diferença, que não são “burocratas da biologia” nas palavras de Lobato ou, como diria Pessoa, “cadáver adiado que procria”.
Também não tem nenhuma relação com o super-homem de Nietzsche (e só posto esta observação porque infelizmente o “profeta” alemão está na moda e eu acho uma moda mais do que perigosa), afinal uma das coisas que distingue estes homens é o amor pela humanidade, a disciplina moral, o desejo de progresso. Mas certamente tem muito a ver com a “minoria seleta” de que fala Ortega y Gasset (ouro autor que estou citando muito por conta da releitura recente que fiz de A Rebelião das Massas) quando discute quem manda no mundo.
Digo isto para lançar a pergunta: quantos seres humanos há no Orkut...
As estatísticas registram um monte, já vi comunidades com meio milhão de pessoas. Mas quantos realmente estão fazendo alguma diferença eu não saberia dizer. Ter um milhão de amigos para mim equivale a não ter nenhum, afinal é impossível no curso de uma vida dar toda a atenção que realmente justifique o nome de amigos a um milhão de pessoas.

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.