Meu silêncio
Acordei hoje pleno de mim mesmo. Não foi algo repentino, foi chegando, crescendo, confrontando cada personagem destas que convivem nesta caravana que sou, em audiências que, quem sabe, qualquer dia eu conto se achar se podem ser úteis de alguma forma. Ouvi a todos – Hilal, o djinn e outros sobre os quais nunca falei. Foi meio enfastiante, todos tem esta mania de quererem ser sábios, no fundo acho que eles é que são cada um a seu modo muito racionais, até o garoto assustado, até a ifrite.
Cansado de tanta razão, que no fundo é sempre uma racionalização, preferi a intuição, que guia por estes caminhos melhor que um mapa que não sabemos nunca se é verdadeiro. Não errar é sempre fácil, basta não fazer nada ou apenas seguir ordens,. Achei afinal que não há mérito algum em seguir um caminho que estamos absolutamene certos que é o correto, o mérito reside em resolver as dúvidas e não em recolher certezas.
As grandes batalhas da história jamais ocorreram ente um exército que estando certo da vitória a vence. Aquelas cujo registro ficou foram as que foram vencidas com dificuldade, em condições desfavoráveis pelo mérito dos generais, ou perdidas apesar das condições favoráveis , pelos erros de avaliação.
Não vou dizer que conversar com todos estes personagens, cada um examinando a questão por um ângulo, não seja algo útil. Como diz uma grande amiga é a forma adequada de lidar com estas instâncias psíquicas, dialogando e aprendendo e não as deixando trancadas em algum calabouço como se não existissem. O que não pode ocorrer é achar que alguém pode decidir pelo meu eu eu-mesmo.
Como Maquiavel recomenda ao príncipe, penso que é necessário ouvir a todos os conselheiros e que se permita que eles se expressem com total liberdade, porém apenas nos momentos nos quais você pede a eles a opinião. Também me lembro do episódio de Michelângelo que motivou a expressão, hoje meio em desuso, “não vá o sapateiro além das chinelas”. O escultor pediu a um sapateiro que desde sua opinião sobre as sandálias de uma estátua e acolheu as sugestões dele, mas daí o artesão passou a dar opinião sobre outras coisas da estátua, motivando segundo a lenda, a frase em questão. Assim até acho que algumas destas instâncias são hábeis, sim, para avaliar a questão sob o ângulo isolado dos impulsos e motivações que representam e simbolizam, mas tem hábito de se meter onde não são chamados.
Quase sempre que oro, e até tenho feito isto com muita freqüência, não peço jamais respostas. Penso que se Deus me desejasse um autômato por um caminho pré-determinado não teria me dotado de livre-arbítrio nem da razão, sempre creio que se Ele me dá um problema para resolver é porque sabe que tenho condições de fazê-lo. Quando oro peço apenas o silêncio no coração, que a decisão possa ser apenas minha, não peço as respostas, mas que seja capaz de encontrar as perguntas certas. Como disse estes dias em um de meus exercícios de poesia; “Que mais poderia ser Ele/Senão a ausência dos sussurros/Deste mundo barulhento/E repleto?”
Neste silêncio vou me permitindo ser inteiro, encontrar em mim as coisas que procuro fora de mim e amar sem medo aquilo que é forte em mim para poder amá-lo nos outros, como me lembra a Ifrite, superar as angústias da liberdade, como me disse o djinn, ter orgulho de meu poder, como recomenda Hilal, até mesmo a encontrar meus medos, como m diz o garoto assustado, mesmo que seja para ser capaz de desentocá-los e enfrentá-los cara a cara.
Ao escutar meu silêncio dou o devido valor às opiniões de cada um deles, faço justiça a eles, enxergo que a falha não estava nas respostas deles, mas nas perguntas que eu fazia. E nesta sensação faço novamente as pazes com o maravilhoso.

Comentários
Também acordei silenciosa
Também acordei silenciosa hoje,um silencio que nem os meus conflitos diarios me petubaram e fiquei a me perguntar ,Senhor o que preciso ouvir, o que desejas me falar,é senti um enorme Amor, compaixão e carinho por mim mesma,e senti vergonha de Deus por me machucar e permitir que outros me machuquem.
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