"Há momentos nos quais só trabalhar para o futuro nos consola"
Momento 1 - Uma sirene e as luzes de um carro de polícia faiscam atrás do carro do deputado, o motorista imagina que eles querem ultrapassar e abre passagem, mas ele continua seguindo atrás. Quando o carro para numa rua tortuosa e esburacada de uma cidade da periferia do ABC, no lugar da reunião, nós descemos, o carro da polícia para e dois soldados de armas na mão pulam da viatura. Alguém explica para os policiais que é o deputado. Os policiais, meio envergonhados e assustados tentam explicar que a culpa do mal entendido não é deles: - Vimos um carro grande, com placa de carro oficial, nestas quebradas, não é época de eleição, imaginamos que só podia ser sequestro! Impossível escapar do jargão "cômico se não fosse trágico" que o fato de um homem público reunir-se com sua comunidade quase seja ocorrência policial...
Momento 2 - Leio revoltado que uma Secretaria da Saúde recorreu ao STJ para não ser obrigada a comprar, por liminar, remédios de alto custo necessários para garantir a vida dos pacientes. A revolta chega ao asco quando vejo que o mesmo estado daquela secretaria está envolvido até o pescoço nas falcatruas denunciadas pela Operação navalha. Não tem recursos para salvar uma vida, mas para montar esquemas com empreiteiras tem. Muito nojo da política, muito desprezo por quem vota em gente capaz destas brutalidades, mas me consola uma frase da correspondência entre Anísio Teixeira e Monteiro Lobato: Há momentos nos quais só trabalhar para o futuro nos consola

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