Fins do mundo
Releio, com entusiasmo, um livro que nas primeiras vezes que li não me agradou tanto: O Périplo de Baldassare, de Amin Maalouf. Resolvi relê-lo de tanto que estava me lembrando de algumas passagens dele e assim deixei a primeira impressão de lado e reli com um pouco mais de boa vontade. Ao mesmo tempo que gosto muito de Maalouf como contador de histórias, descreio da visão política secularista que ele adota como pano de fundo, mas sobre isto já escrevi diversas vezes.
O grande tema de fundo do livro é a crença de todos com o fim do mundo, anunciado então para o fatídico ano de 1666. É evidente que em toda época de crise, de mudanças, as pessoas tendem a acreditar que o mundo vai acabar, o que não deixa de ser, em certo sentido, uma verdade porque há um mundo morrendo e outro nascendo.
É em um mundo de lado em transformação concreta e de outro perante a perplexidade das profecias e sinais que o protagonista, um pacato comerciante de livros de origem genovesa estabelecido no Oriente Médio se envolve em uma grande viagem entanto recuperar um antigo livro árabe – o Centésimo Nome de Mazandarani – que concederia poderes a quem o lesse. O paradoxo do livro é que o comerciante não é nenhum fanático, pelo contrário, é um cético, desligado das questões religiosas e descrente das profecias, mas que acaba sendo arrastado no meio do turbilhão das perplexidades da época.
Mesmo sem acreditar ele fica confuso com tantos sinais de um mundo que se desagrega. Seu companheiro em uma parte de viagem é outro cético, um judeu cujo pai está envolvido no círculo íntimo de Sabbatai Zevi, o místico judeu que se proclama o Messias e ajunta multidões esperando o final dos tempos. Ambos caminham em uma trilha que não desejavam, arrastados pela força dos tempos, pelos sinais, pelas circunstâncias, pela perplexidade com a falta de sentido das coisas.
Lembrei-me enquanto lia de outro livro – este um livro acadêmico – Mil Anos de Felicidade, de Delumeau, grande catálogo comentado de todas as previsões milenaristas, suas bases – ou falta de base – seu contexto e suas conseqüências. O autor observa que a despeito de todos os riscos, a imensa maioria das previsões tem sempre uma data certa e precisa.
De minha parte sinto certa identidade com o personagem de Maalouf, desanimado com os cenários futuros que surgem, com a falta de sentido que as coisas vão tomando. Penso que também o autor deve ter se sentido assim e por sito escreveu o livro. Não vou contar o final, claro, mas é no chegar a ele que entendi proque o livro não me agradou. Conservo a crença, quixotesca talvez, de não ser indiferente aos destinos do mundo.

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Olá, Sou estudante de
Olá,
Sou estudante de jornalismo na ECA-USP. Estou realizando uma pesquisa de com o objetivo de traçar um panorama sobre diários virtuais (blogs) brasileiros. Por meio de um questionário básico, estou entrevistando vários autores de diários virtuais em todo o país.
Se você quiser contribuir, basta enviar uma mensagem para
pesquisablog.usp@gmail.com, até dia 01 de novembro. Entrarei em contato assim que receber uma resposta afirmativa.
Agradeço a atenção e espero você possa participar desta etapa da pesquisa Atenciosamente, Mariana.
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