Profissão, Vocação, Destino

A famosa citação de Weber sobre a política como vocação e a política como profissão tem servido aos mais variados usos equivocados. Ela também está parcialmente contaminada por uma visão tornada arcaica pela complexidade crescente do mundo e da gestão pela qual a política deve ser hobby de aristocratas ociosos. Hoje nem mesmo os setores da burgueisia e os altos executivos poderiam dispender seu tempo na política e ao mesmo tempo serem capazes de desempenhar suas funções.
Fora o sentido mais econômico da distinção, que nem é a mais importante da frase de Weber, seu sentido mais geral e político continua necessário, ou seja, não se deve depender da política de tal forma que sejamos obrigado a fazer aquilo que nos contraria, que sabemos que não é bom, ou mesmo só deixar de fazer aquilo que é necessário por se temer que isto nos retire o poder, o mandato, a influência. É um daqueles pressupostos fáceis de falar na forma de centenas de bravatas, mas que é cada vez mais raro ver quem tem realmente a bravura de segui-la.
A política entrou na minha vida de uma forma avassaladora. Eu podia ter resolvido ser muitas coisas, mas me decidi sempre pela política. Há, com certeza, muitos momentos nos quais preferia ter seguido outros caminhos, como enfrentar tarefas que exigissem menos esforço intelectual como a carreira acadêmica, confrontasse animais menos ferozes como no sonho de infância de ser zo?ogo, requeresse menos responsabilidade e tivesse mais soluções para tudo como jornalista.
Não vou negar os momentos no qual há o desejo profundo de alguma utopia à Thoreau de viver no mato e andar a pé pelas trilhas nos intervalos de uma vida dura e simples. Há também a utopia oposta de postar-me a frente de 40 potenciais delinquentes juvenis em uma sala de aula. Estas duas ainda persistem apesar de todas as recomendações em contrário e é possível que acabe em uma delas no momento que sentir que a política tornou-se incapaz de dar alguma resposta efetiva.
 É por não ser tão descrente como todos acham que sou que tenho tanto medo de nos momentos convulsionados pedir a Deus que seja feita a vontade dele e não a minha, que eu siga no sentido de cumprir meu destino. O medo é das preces serem atendidas e por isto sempre penso mil vezes para ver se estou preparado pro resultado.
Seria presunção dizer que ele me quer neste meio da política, ainda mais na forma como ela anda. Mas só posso dizer que é sempre nela que ele encontra um caminho pra mim, abre novas portas ou reabre portas antigas a cada vez que sou tomado pela vontade de deixar tudo e ir plantar jabuticabas. Só posso concluir que há nisto um sentido, mesmo que oblíquo demais para minha percepção humana.

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