Nossa Lua em Libra
A palavra é mais afiada
que a espada
Pela espada só se morre uma vez
E eu morri mil vezes em seu poema
Não fosse eu o objeto
E até apreciaria os versos
Com o sangue jorrando
Fica difícil sentir o deleite
Mas transformar até a discussão
em poesia
E brandir argumentos líricos
Não deixa de ser também encantamento
Mas se a palavra mata
Também acalenta, conforta e,
Mais que tudo, fala
E ao falar nos renova
É mais poeta do que eu
Sente!Eu só sei refletir
Mas na sua dor enxerguei a minha
E entendi
Tudo que é dotado
da beleza divina
tem este poder
De nos fazer o que realmente somos
(Porto Alegre, 30/7/2006)
