A casa de Chá é um tradicional ponto de encontro simbólico dos sufis. Assim eu rotulei estes meus esforços para tentar fazer poesia, de resultados variáveis quanto aos efeitos.
Envolto na floresta à beira da fogueira
O velho soldado pensa que lutou
Guerras demais para ainda acreditar nelas
Olhando as estrelas e as chamas
Só pensa se o aço gasto da espada,
Único instrumento de trabalho que conheceu,
Servirá a um mercenário ou a um salteador.
O tempo do silêncio vai se quebrando
As últimas chuvas da estação
Libertarão a torrente
Ávida da palavra
Como algum profeta apocalíptico
O silente sabe
Que seu tempo de regência se finda
Tentará usurpar o trono
Ou cederá o cetro?
Será o silêncio dos covardes
Ou dos prudentes?
O artista
Compartilha da beatitude do santo;
Seu mérito é não estar lá,
Ser taça vazia,
Não se debate tentando nadar
Nas corredeiras,
Apenas se deixa afogar
por alguns instantes.
Queria escrever como
Um pintor paleolítico,
Dotado da profunda ignorância
Capaz de não enxergar diferenças
Nossas almas vão se despindo
das palavras,
elas vão sendo jogadas pelo caminho,
como estorvo
ao contato dos sentimentos
entre si
Transcender as palavras,
Ir além dos sentidos,
Ignorar tempo e espaço,
Enfrentar os medos,
Enfim,
Perder-me entre seus braços,
Me encontrar em seu beijo!
Caminho em meio aos símbolos
Como se andasse em um mapa astral
E de tanto relatar o real
Através deles
Penso que talvez a metáfora seja eu próprio!
A lembrança de seus olhos
Ocupa minha visão
E a enche do céu
Que está neles.
Para que preciso do Céu
Se posso contemplar
Seus olhos de tigre.
Choveram letras e letras,
Algumas gotas sumiram pelo chão seco
Outras foram se juntando em poças de palavras
Das poças maiores saiu um filete de frases e versos
E estas enxurradas buscaram o leito seco do antigo rio
Quando vi novamente o rio correndo
Peguei meu barco e remei com minha pena
Sem saber se foz estava próxima ou distante
Mas com a certeza de desaguar no oceano!