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 <title>Poder da Palavra blogs</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/blog</link>
 <description>Reflexões do cotidiano</description>
 <language>pt-br</language>
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 <title>Equilíbrio</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/equil%C3%ADbrio</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;a style=&quot;padding: 0px 6px; float: left;&quot; id=&quot;aptureLink_1DUtuEtE9o&quot; href=&quot;http://www.flickr.com/photos/denise-ann-wells/4413294548/&quot;&gt;&lt;img width=&quot;278.84999999999997px&quot; height=&quot;357.5px&quot; alt=&quot;&quot; title=&quot;&amp;quot;Balance of Time&amp;quot; Acrylic painting by Denise A. Wells&quot; src=&quot;http://static.flickr.com/4036/4413294548_4d0207d89d.jpg&quot; style=&quot;border: 0px none ;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;Not&amp;aacute;vel a escassez de acontecimentos ou crises existentes nas nossas hist&amp;oacute;rias; pouco exercitados de esp&amp;iacute;rito temos sido n&amp;oacute;s; qu&amp;atilde;o poucas s&amp;atilde;o as experi&amp;ecirc;ncias que temos amassado. Gostaria de assegurar-me que me desenvolvo a olhos vistos e pujantemente, embora o meu pr&amp;oacute;prio desenvolvimento perturbe essa frouxa equanimidade &amp;mdash; embora seja com luta atrav&amp;eacute;s de noites longas, sombrias e sufocantes, ou zonas de sombras. Bom seria se todas as nossas vidas fossem at&amp;eacute; uma trag&amp;eacute;dia divina, em vez dessa com&amp;eacute;dia ou farsa trivial&lt;/i&gt;.&amp;rdquo; (Thoreau, &lt;a id=&quot;aptureLink_ACicQq4TBJ&quot; href=&quot;http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=28537588&amp;amp;access_key=key-2j15623atz2wtgxo5eof&amp;amp;page=1&amp;amp;viewMode=list&quot;&gt;Andar a p&amp;eacute;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Equil&amp;iacute;brio &amp;eacute; palavra que anda f&amp;aacute;cil pelas bocas, quem &amp;eacute; que pode ser contra o equil&amp;iacute;brio? Mas ao mesmo tempo o que &amp;eacute; o equil&amp;iacute;brio?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Com certeza n&amp;atilde;o &amp;eacute; aquele morno que enojava Jesus, desconfio que nem mesmo &amp;eacute; a &amp;Aacute;urea Mediocridade de Arist&amp;oacute;teles. Um pouco continuando a toada de ontem tenho de dizer que equil&amp;iacute;brio n&amp;atilde;o &amp;eacute; aus&amp;ecirc;ncia de conflito, para que exista equil&amp;iacute;brio &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio que ao menos duas for&amp;ccedil;as de sentido diverso estejam em disputa. Diria que &amp;eacute; quase um conceito geom&amp;eacute;trico envolvendo vetores e bissetrizes, tal como vejo o conceito e como parece deixar claro sua pr&amp;oacute;pria etimologia.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Os santos -  aqueles que segundo as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es judaicas, crist&amp;atilde;s, mu&amp;ccedil;ulmanas, hindu&amp;iacute;stas, budistas e demais que emanam do centro justificam a exist&amp;ecirc;ncia do mundo &amp;ndash; n&amp;atilde;o precisam de equil&amp;iacute;brio e nem podem t&amp;ecirc;-los pois s&amp;oacute; h&amp;aacute; neles uma vontade j&amp;aacute; que o ego ali foi aniquilado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O equil&amp;iacute;brio s&amp;oacute; pode ser um dilema para n&amp;oacute;s das demais castas &amp;ndash; e esta n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de status, basta lembrar que no &lt;a href=&quot;http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=28523045&amp;amp;access_key=key-246p580h8v9xs7mqdvuw&amp;amp;page=1&amp;amp;viewMode=list&quot; id=&quot;aptureLink_FXnZds1cT8&quot;&gt;Baghavad-Gita&lt;/a&gt; Krishna encarna como um x&amp;aacute;tria, um guerreiro, n&amp;atilde;o como um br&amp;acirc;mane de casta hierarquicamente superior porque seu papel requeria a luta para restaurar o equil&amp;iacute;brio, enfim, n&amp;atilde;o era tarefa pra santo..&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ao, particularmente, sinto enorme dificuldade em atingir o equil&amp;iacute;brio, convivem for&amp;ccedil;as de vetores muito opostas dentro do meu cotidiano. Um esp&amp;iacute;rito sereno, precavido e cerebral tem de discutir em tumultuada assembleia com uma alma irrequieta, voluntarista, ansiosa, intuitiva; ou vice-versa, quem pode saber.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Com a coragem de um ou a calma de outro desconfio que poderia ir a qualquer lugar. A dificuldade &amp;eacute; conseguir fazer o outro seguir seus planos intricados e detalhadamente tra&amp;ccedil;ados ou o outro ser capaz de saltar como pantera sobre as oportunidades do &amp;ldquo;&lt;i&gt;momentum&lt;/i&gt;&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Eles s&amp;oacute; tem em comum este gosto pelo tr&amp;aacute;gico, sempre tendendo ao tragic&amp;ocirc;mico, a transformar em grandes dilemas dignos de batalhas e/ou debates infind&amp;aacute;veis, tendendo ao bizantinismo. Curioso que este processo todo n&amp;atilde;o me faz sentir dissociado, ao contr&amp;aacute;rio me faz sentir com muita clareza minha unidade, muito mais do que nos momentos que me fecho no sil&amp;ecirc;ncio e nos sonhos campestres, quase buc&amp;oacute;licos. Fossem eles menos tr&amp;aacute;gicos e era at&amp;eacute; capaz de eu achar o equil&amp;iacute;brio &amp;eacute; isto.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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 <comments>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/equil%C3%ADbrio#comments</comments>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1483">alma e espírito</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1482">castas</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1481">Equilíbrio</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/9">Filosofia e cia</category>
 <pubDate>Thu, 18 Mar 2010 01:34:26 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Guerra e Paz</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/node/10755</link>
 <description>“Por desconhecer tudo isso, que é elementar, o pacifismo tornou sua tarefa demasiado fácil. Pensou que para eliminar a guerra bastava não fazê-la ou, em suma, trabalhar em que não se fizesse. Como via nela apenas uma excrescência supérflua e mórbida aparecida no trato humano, creu que bastava extirpá-la e que não era necessário substituí-la. Mas o enorme esforço que é a guerra, só pode ser evitado se se entende por paz um esforço ainda maior, um sistema de esforços complicadíssimos, e que, em parte, requerem a venturosa intervenção do gênio. O outro é puro erro. O outro é interpretar a paz como o simples vazio que a guerra deixaria se desaparecesse; portanto, ignorar que se a guerra é uma coisa que se faz, também a paz é uma coisa que importa fazer, que há que fabricar, pondo na faina todas as potências humanas. A paz não &quot;está aí&quot;, simplesmente, pronta para que o homem a goze. A paz não é fruto espontâneo de nenhuma árvore. Nada importante é apresentado ao homem; pelo contrário, tem ele de fazê-lo, de construí-lo. Por isso, o título mais claro de nossa espécie é ser homo faber. “
(Ortega y Gasset, A Rebelião das massas) 

Já disse em inúmeras oportunidades que os melhores livros contra a guerra foram os escritos por soldados. Nada de Novo no Front escrito por um ex-soldado de pouca instrução é muito mais convincente do que mil tratados pacifistas calmamente escritos em gabinetes refrigerados de ministérios. Vivemos numa era em que boas intenções e más ações convivem e se misturam não só por hipocrisia mas também pela falta de coragem de pensar.
O discurso pacifista parece ser algo impossível de se atacar, afinal quem quer a guerra e todas as tragédias que ela traz? A questão, como bem aponta Ortega y Gasset, é que sob o rótulo de pacifismo combinam-se as mais várias visões de mundo, boa parte delas equivocada ao menos em alguns pontos. 
Ao cmeçar a escrever sobre isto lembrei-me que o próprios nme do blog foi inspirado pela leitura de umas páginas de Guénon, no Simbolos da Ciência Sagrada, no qual fala-va sobre a o símbolo da Espada no Islam, que representa a luta pelo retornoà unidade e ao equilíbrio, tanto no sentido macrocósmico como naquele sentido que é mais relevante, que é o microcósmico, a jihad interior do homem no sentido de encontrar a harmonia. Por sinal é exatamente o que simboliza a letra árabe Alef em forma de espada sobre um eclipse que figura no logo do blog, equivalente da espada de madeira que os imans usam nos sermões simbolizando justamente este poder da palavra.
Como vivemos numa época de leniência, não de esforço, é natural que o esforço de superação não seja bem visto e que portanto qualquer ideia de solucionar conflitos seja relegada. Preocupa-me muito, por sinal, que todo o pensamento pacifista – com o qual nã deixo de simpatizar – acabe por enveredar pelo caminho da negação de que há batalhas que devem ser travadas. É esta identidade entre paz e “não fazer nada” de que fala Gasset no trecho que transcrevo na epígrafe que me apavora.
Estes dias brincava sobre a propaganda de um banco no qual um menino judeu e um israelense rompem as barreiras do conflito secular jogando bola: depois um entra pro Gaviões da Fiel e o outro para a Mancha Verde e se matam sem sentido algum. A brincadeira me remeteu a um colega de faculdade ao qual tentei explicar sem sucesso o conflito palestino mas que dias depois contava extasiado que tinha participado de uma briga de torcida e batido um bocado em alguns torcedores do time contrário.
A dimensão macrocósmica deste enaltecimento da paz ignorando a dimensão histórica, sociológica e geográfica dos conflitos e colocando a todos como ruins é preocupante porque tende a perpetuar o desequilíbrio e destruir a justiça. Neste sentido achei excepcional o filme Avatar, enorme evolução, por exemplo, a relação ao colonialista Pocahontas, mas fico devendo ainda mais alguns dias um comentário sobre o filme que quero ver de novo antes de analisar. Equiparar todos os conflitos com cara de asco à guerra significa tornar iguais coisas bem distintas, pesar com o mesmo peso o ávido financista ganancioso por petróleo, o vil mercenário e o povo que luta contra a tirania.
Porém é na dimensão interior que o avanço da mentalidade pacifista vazia mais me preocupa neste momento. É claro que a meta de cada um deve ser procurar a paz interior, mas o pressuposto desta paz interior não é deixar tudo correr e fazer vista grossa às próprias ações ou esforçar-se pelo aperfeiçoamento. A opção pela paz não pode ser o efeito da pusilanimidade de enfrentar os conflitos – e Gandhi destacou que a coragem era ainda mais necessária ao pacifista que ao guerreiro enquanto Jesus disse que vinha trazer a espada e não a paz – mas pela luta com serenidade, sem ódio mas com firmeza e decisão.


</description>
 <comments>http://www.poderdapalavra.com.br/node/10755#comments</comments>
 <pubDate>Tue, 16 Mar 2010 21:03:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Guerra e Paz</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/guerra_e_paz</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p class=&quot;rteright&quot;&gt;&lt;a style=&quot;margin: 0pt auto; padding: 0px 6px; text-align: center; display: block;&quot; id=&quot;aptureLink_dXec29T0pe&quot; href=&quot;http://www.flickr.com/photos/aheram/283162678/&quot;&gt;&lt;img width=&quot;500px&quot; height=&quot;375px&quot; alt=&quot;&quot; title=&quot;War and Peace&quot; src=&quot;http://farm1.static.flickr.com/118/283162678_3577c6e004.jpg&quot; style=&quot;border: 0px none ;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Por desconhecer tudo isso, que &amp;eacute; elementar, o pacifismo tornou sua tarefa demasiado f&amp;aacute;cil. Pensou que para eliminar a guerra bastava n&amp;atilde;o faz&amp;ecirc;-la ou, em suma, trabalhar em que n&amp;atilde;o se fizesse. Como via nela apenas uma excresc&amp;ecirc;ncia sup&amp;eacute;rflua e m&amp;oacute;rbida aparecida no trato humano, creu que bastava extirp&amp;aacute;-la e que n&amp;atilde;o era necess&amp;aacute;rio substitu&amp;iacute;-la. Mas o enorme esfor&amp;ccedil;o que &amp;eacute; a guerra, s&amp;oacute; pode ser evitado se se entende por paz um esfor&amp;ccedil;o ainda maior, um sistema de esfor&amp;ccedil;os complicad&amp;iacute;ssimos, e que, em parte, requerem a venturosa interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o do g&amp;ecirc;nio. O outro &amp;eacute; puro erro. O outro &amp;eacute; interpretar a paz como o simples vazio que a guerra deixaria se desaparecesse; portanto, ignorar que se a guerra &amp;eacute; uma coisa que se faz, tamb&amp;eacute;m a paz &amp;eacute; uma coisa que importa fazer, que h&amp;aacute; que fabricar, pondo na faina todas as pot&amp;ecirc;ncias humanas. A paz n&amp;atilde;o &amp;quot;est&amp;aacute; a&amp;iacute;&amp;quot;, simplesmente, pronta para que o homem a goze. A paz n&amp;atilde;o &amp;eacute; fruto espont&amp;acirc;neo de nenhuma &amp;aacute;rvore. Nada importante &amp;eacute; apresentado ao homem; pelo contr&amp;aacute;rio, tem ele de faz&amp;ecirc;-lo, de constru&amp;iacute;-lo. Por isso, o t&amp;iacute;tulo mais claro de nossa esp&amp;eacute;cie &amp;eacute; ser homo faber.&lt;/em&gt; &amp;ldquo; (Ortega y Gasset, &lt;a id=&quot;aptureLink_oXNHA7QtRU&quot; href=&quot;http://www.flickr.com/photos/aheram/283162678/&quot;&gt;&lt;u&gt;A Rebeli&amp;atilde;o das massas&lt;/u&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;J&amp;aacute; disse em in&amp;uacute;meras oportunidades que os melhores livros contra a guerra foram os escritos por soldados. Nada de Novo no Front escrito por um ex-soldado de pouca instru&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; muito mais convincente do que mil tratados pacifistas calmamente escritos em gabinetes refrigerados de minist&amp;eacute;rios. Vivemos numa era em que boas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es e m&amp;aacute;s a&amp;ccedil;&amp;otilde;es convivem e se misturam n&amp;atilde;o s&amp;oacute; por hipocrisia mas tamb&amp;eacute;m pela falta de coragem de pensar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O discurso pacifista parece ser algo imposs&amp;iacute;vel de se atacar, afinal quem quer a guerra e todas as trag&amp;eacute;dias que ela traz? A quest&amp;atilde;o, como bem aponta Ortega y Gasset, &amp;eacute; que sob o r&amp;oacute;tulo de pacifismo combinam-se as mais v&amp;aacute;rias vis&amp;otilde;es de mundo, boa parte delas equivocada ao menos em alguns pontos.&lt;/p&gt;
&lt;!--break--&gt;
&lt;p&gt;Ao come&amp;ccedil;ar a escrever sobre isto lembrei-me que o pr&amp;oacute;prios nme do blog foi inspirado pela leitura de umas p&amp;aacute;ginas de Gu&amp;eacute;non, no&lt;a id=&quot;aptureLink_6bdU2PbBIP&quot; href=&quot;http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=15558076&amp;amp;access_key=key-22xxlsby5diy1t30v0hg&amp;amp;page=1&amp;amp;viewMode=list&quot;&gt; Simbolos da Ci&amp;ecirc;ncia Sagrada&lt;/a&gt;, no qual fala-va sobre a o s&amp;iacute;mbolo da Espada no Islam, que representa a luta pelo retorno&amp;agrave; unidade e ao equil&amp;iacute;brio, tanto no sentido macroc&amp;oacute;smico como naquele sentido que &amp;eacute; mais relevante, que &amp;eacute; o microc&amp;oacute;smico, a jihad interior do homem no sentido de encontrar a harmonia. Por sinal &amp;eacute; exatamente o que simboliza a letra &amp;aacute;rabe Alef em forma de espada sobre um eclipse que figura no logo do blog, equivalente da espada de madeira que os imans usam nos serm&amp;otilde;es simbolizando justamente este poder da palavra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como vivemos numa &amp;eacute;poca de leni&amp;ecirc;ncia, n&amp;atilde;o de esfor&amp;ccedil;o, &amp;eacute; natural que o esfor&amp;ccedil;o de supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o seja bem visto e que portanto qualquer ideia de solucionar conflitos seja relegada. Preocupa-me muito, por sinal, que todo o pensamento pacifista &amp;ndash; com o qual n&amp;atilde;o deixo de simpatizar &amp;ndash; acabe por enveredar pelo caminho da nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que h&amp;aacute; batalhas que devem ser travadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; esta identidade entre paz e &amp;ldquo;n&amp;atilde;o fazer nada&amp;rdquo; de que fala Gasset no trecho que transcrevo na ep&amp;iacute;grafe que me apavora. Estes dias brincava sobre a propaganda de um banco no qual um menino judeu e um israelense rompem as barreiras do conflito secular jogando bola: depois um entra pro Gavi&amp;otilde;es da Fiel e o outro para a Mancha Verde e se matam sem sentido algum. A brincadeira me remeteu a um colega de faculdade ao qual tentei explicar sem sucesso o conflito palestino mas que dias depois contava extasiado que tinha participado de uma briga de torcida e batido um bocado em alguns torcedores do time contr&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A dimens&amp;atilde;o macroc&amp;oacute;smica deste enaltecimento da paz ignorando a dimens&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica, sociol&amp;oacute;gica e geogr&amp;aacute;fica dos conflitos e colocando a todos como ruins &amp;eacute; preocupante porque tende a perpetuar o desequil&amp;iacute;brio e destruir a justi&amp;ccedil;a. Neste sentido achei excepcional o filme Avatar, enorme evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por exemplo, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao colonialista Pocahontas, mas fico devendo ainda mais alguns dias um coment&amp;aacute;rio sobre o filme que quero ver de novo antes de analisar. Equiparar todos os conflitos com cara de asco &amp;agrave; guerra significa tornar iguais coisas bem distintas, pesar com o mesmo peso o &amp;aacute;vido financista ganancioso por petr&amp;oacute;leo, o vil mercen&amp;aacute;rio e o povo que luta contra a tirania.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por&amp;eacute;m &amp;eacute; na dimens&amp;atilde;o interior que o avan&amp;ccedil;o da mentalidade pacifista vazia mais me preocupa neste momento. &amp;Eacute; claro que a meta de cada um deve ser procurar a paz interior, mas o pressuposto desta paz interior n&amp;atilde;o &amp;eacute; deixar tudo correr e fazer vista grossa &amp;agrave;s pr&amp;oacute;prias a&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou esfor&amp;ccedil;ar-se pelo aperfei&amp;ccedil;oamento. A op&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela paz n&amp;atilde;o pode ser o efeito da pusilanimidade de enfrentar os conflitos &amp;ndash; e Gandhi destacou que a coragem era ainda mais necess&amp;aacute;ria ao pacifista que ao guerreiro enquanto Jesus disse que vinha trazer a espada e n&amp;atilde;o a paz &amp;ndash; mas pela luta com serenidade, sem &amp;oacute;dio mas com firmeza e decis&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 16 Mar 2010 21:01:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>SCRIBEFIRExrVf3fd9MQSCRIBEFIRE</title>
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 <pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:43:04 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Profissão, Vocação, Destino</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/profiss%C3%A3o_voca%C3%A7%C3%A3o_destino</link>
 <description>&lt;p&gt;A famosa citação de Weber sobre a política como vocação e a política como profissão tem servido aos mais variados usos equivocados. Ela também está parcialmente contaminada por uma visão tornada arcaica pela complexidade crescente do mundo e da gestão pela qual a política deve ser hobby de aristocratas ociosos. Hoje nem mesmo os setores da burgueisia e os altos executivos poderiam dispender seu tempo na política e ao mesmo tempo serem capazes de desempenhar suas funções.&lt;br /&gt;Fora o sentido mais econômico da distinção, que nem é a mais importante da frase de Weber, seu sentido mais geral e político continua necessário, ou seja, não se deve depender da política de tal forma que sejamos obrigado a fazer aquilo que nos contraria, que sabemos que não é bom, ou mesmo só deixar de fazer aquilo que é necessário por se temer que isto nos retire o poder, o mandato, a influência. É um daqueles pressupostos fáceis de falar na forma de centenas de bravatas, mas que é cada vez mais raro ver quem tem realmente a bravura de segui-la.&lt;br /&gt;A política entrou na minha vida de uma forma avassaladora. Eu podia ter resolvido ser muitas coisas, mas me decidi sempre pela política. Há, com certeza, muitos momentos nos quais preferia ter seguido outros caminhos, como enfrentar tarefas que exigissem menos esforço intelectual como a carreira acadêmica, confrontasse animais menos ferozes como no sonho de infância de ser zo?ogo, requeresse menos responsabilidade e tivesse mais soluções para tudo como jornalista.&lt;br /&gt;Não vou negar os momentos no qual há o desejo profundo de alguma utopia à Thoreau de viver no mato e andar a pé pelas trilhas nos intervalos de uma vida dura e simples. Há também a utopia oposta de postar-me a frente de 40 potenciais delinquentes juvenis em uma sala de aula. Estas duas ainda persistem apesar de todas as recomendações em contrário e é possível que acabe em uma delas no momento que sentir que a política tornou-se incapaz de dar alguma resposta efetiva.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;É por não ser tão descrente como todos acham que sou que tenho tanto medo de nos momentos convulsionados pedir a Deus que seja feita a vontade dele e não a minha, que eu siga no sentido de cumprir meu destino. O medo é das preces serem atendidas e por isto sempre penso mil vezes para ver se estou preparado pro resultado.&lt;br /&gt;Seria presunção dizer que ele me quer neste meio da política, ainda mais na forma como ela anda. Mas só posso dizer que é sempre nela que ele encontra um caminho pra mim, abre novas portas ou reabre portas antigas a cada vez que sou tomado pela vontade de deixar tudo e ir plantar jabuticabas. Só posso concluir que há nisto um sentido, mesmo que oblíquo demais para minha percepção humana.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;zemanta-pixie&quot;&gt;&lt;img class=&quot;zemanta-pixie-img&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=d6e64a1e-15b9-82f9-a005-ee87afc9fcdf&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p class=&quot;scribefire-powered&quot;&gt;Powered by &lt;a href=&quot;http://www.scribefire.com/&quot;&gt;ScribeFire&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
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 <comments>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/profiss%C3%A3o_voca%C3%A7%C3%A3o_destino#comments</comments>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1121">Pessoal</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1475">Polítcia</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1476">Weber</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/6">Política</category>
 <pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:38:59 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Profissão, Vocação, Destino</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/node/10751</link>
 <description>&lt;p&gt;A famosa citação de Weber sobre a política como vocação e a política como profissão tem servido aos mais variados usos equivocados. Ela também está parcialmente contaminada por uma visão tornada arcaica pela complexidade crescente do mundo e da gestão pela qual a política deve ser hobby de aristocratas ociosos. Hoje nem mesmo os setores da burgueisia e os altos executivos poderiam dispender seu tempo na política e ao mesmo tempo serem capazes de desempenhar suas funções.&lt;br /&gt;Fora o sentido mais econômico da distinção, que nem é a mais importante da frase de Weber, seu sentido mais geral e político continua necessário, ou seja, não se deve depender da política de tal forma que sejamos obrigado a fazer aquilo que nos contraria, que sabemos que não é bom, ou mesmo só deixar de fazer aquilo que é necessário por se temer que isto nos retire o poder, o mandato, a influência. É um daqueles pressupostos fáceis de falar na forma de centenas de bravatas, mas que é cada vez mais raro ver quem tem realmente a bravura de segui-la.&lt;br /&gt;A política entrou na minha vida de uma forma avassaladora. Eu podia ter resolvido ser muitas coisas, mas me decidi sempre pela política. Há, com certeza, muitos momentos nos quais preferia ter seguido outros caminhos, como enfrentar tarefas que exigissem menos esforço intelectual como a carreira acadêmica, confrontasse animais menos ferozes como no sonho de infância de ser zo?ogo, requeresse menos responsabilidade e tivesse mais soluções para tudo como jornalista.&lt;br /&gt;Não vou negar os momentos no qual há o desejo profundo de alguma utopia à Thoreau de viver no mato e andar a pé pelas trilhas nos intervalos de uma vida dura e simples. Há também a utopia oposta de postar-me a frente de 40 potenciais delinquentes juvenis em uma sala de aula. Estas duas ainda persistem apesar de todas as recomendações em contrário e é possível que acabe em uma delas no momento que sentir que a política tornou-se incapaz de dar alguma resposta efetiva.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;É por não ser tão descrente como todos acham que sou que tenho tanto medo de nos momentos convulsionados pedir a Deus que seja feita a vontade dele e não a minha, que eu siga no sentido de cumprir meu destino. O medo é das preces serem atendidas e por isto sempre penso mil vezes para ver se estou preparado pro resultado.&lt;br /&gt;Seria presunção dizer que ele me quer neste meio da política, ainda mais na forma como ela anda. Mas só posso dizer que é sempre nela que ele encontra um caminho pra mim, abre novas portas ou reabre portas antigas a cada vez que sou tomado pela vontade de deixar tudo e ir plantar jabuticabas. Só posso concluir que há nisto um sentido, mesmo que oblíquo demais para minha percepção humana.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;zemanta-pixie&quot;&gt;&lt;img class=&quot;zemanta-pixie-img&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=d6e64a1e-15b9-82f9-a005-ee87afc9fcdf&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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 <pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:33:58 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Realistado</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/realistado</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;pre class=&quot;rteright&quot;&gt;&lt;a name=&quot;OLE_LINK2&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana;&quot;&gt;&lt;em&gt;&amp;ldquo;No dia seguinte atirei-me ao trabalho, digamos que voltando&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;as costas ao posto. Parecia-me a &amp;uacute;nica forma de continuar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ligado &amp;agrave;s saud&amp;aacute;veis realidades da vida. Mas &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil uma&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pessoa n&amp;atilde;o olhar de vez em quando &amp;agrave; sua volta; e ent&amp;atilde;o&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;reparava no posto, no disparatado vaiv&amp;eacute;m dos homens no&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;cercado, &amp;agrave; torreira do sol. Muitas vezes perguntei a mim mesmo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o que significaria tudo aquilo. Vagueavam por um lado e outro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a empunhar absurdos varapaus, como peregrinos sem f&amp;eacute; que&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;circulassem, enfeiti&amp;ccedil;ados, dentro de uma cerca apodrecida. A&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;palavra marfim, passava no ar segredada, suspirada. Parecia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que lhe faziam preces. Um cheiro a imbecil rapacidade bafejava&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;tudo como um cheiro a cad&amp;aacute;ver. J&amp;uacute;piter nos valha! Nunca na&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;vida eu vira coisa t&amp;atilde;o irreal. E &amp;agrave; volta a silenciosa selva,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que apertava aquele peda&amp;ccedil;o de terra nua, parecia-me enorme e&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;t&amp;atilde;o imposs&amp;iacute;vel de vencer como o mal ou a verdade, que estava &amp;agrave;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;espera, com paci&amp;ecirc;ncia, do fim daquela invas&amp;atilde;o fant&amp;aacute;stica.&amp;rdquo; (Conrad, No Cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Trevas)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class=&quot;rteright&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O mundo andava chato e sem sentido. O sintoma claro do meu desencanto era aquela vontade reiterada de mudar pro mato e plantar jabuticabas, goiabas, gabirobas e coisas do tipo.&lt;/div&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;Digo que andava sem sentido n&amp;atilde;o com aquela s&amp;oacute;bria vis&amp;atilde;o como a que Caeiro/Pessoa&amp;nbsp;diz que basta uma coisa existir para ser completa e que s&amp;atilde;o v&amp;atilde;os e in&amp;uacute;teis todos os esfor&amp;ccedil;os do pensamento de tentar compreender a m&amp;iacute;nima coisa. Digo sem sentido porque quando n&amp;atilde;o se sabe para onde vai mesmo que se veja a estrada n&amp;atilde;o h&amp;aacute; com se decidir por um lado dela.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Digo que andava chato porque parecia que mais nada nele conseguia despertar do enfado do cotidiano, nada quebrava o sono que n&amp;atilde;o era o bom sono de quem est&amp;aacute; no mundo sem ser do mundo, mas sim o sono da apatia de quem n&amp;atilde;o est&amp;aacute; no mundo mas tampouco fora dele.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Andava nestas quando Kurtz ligou de seu posto l&amp;aacute; no ponto mais negro do Cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Trevas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ele continua o mesmo, eu mudei e marfim nenhum mais &amp;eacute; capaz de mover-me, &amp;eacute; de andar atr&amp;aacute;s dele ou desejar andar ao lado dele que fiquei atonteado por tanto tempo, sem coragem de escrever para que as asas n&amp;atilde;o voltassem a crescer e tomando a pena como alabarda rachasse algumas cabe&amp;ccedil;as.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ou talvez seja o contr&amp;aacute;rio, eu continuei o mesmo e compreendi a inutilidade do movimento e ele mudou e descobriu a realidade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Enfim, andava mais como os peregrinos sem f&amp;eacute; de que fala Conrad, n&amp;atilde;o por ter me tornado um deles, mas porque andava achando que n&amp;atilde;o pagava a pena ostentar a diferen&amp;ccedil;a, ter aquela mesma marca de distin&amp;ccedil;&amp;atilde;o e amea&amp;ccedil;a que Kurtz tem.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A coisa mais maluca da pol&amp;iacute;tica para quem vive nela e dela &amp;eacute; que a am&amp;aacute;lgama de sentimentos distintos tem f&amp;oacute;rmula secreta e complexa e uma pitada a mais ou a menos dos opostos necess&amp;aacute;rios ao equil&amp;iacute;brio costuma causar explos&amp;otilde;es de assustar qualquer otimista. &amp;Eacute; imposs&amp;iacute;vel sobreviver s&amp;atilde;o &amp;ndash; em todos os sentidos de sanidade, da integridade &amp;agrave; sobreviv&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica &amp;ndash; porque nela se morre muitas vezes como j&amp;aacute; percebeu um estadistas destes famosos e sempre citados &amp;ndash; ou seja dos princ&amp;iacute;pios mais absolutismos at&amp;eacute;&amp;nbsp;a mais pragm&amp;aacute;tica &amp;ldquo;manobra t&amp;aacute;tica&amp;rdquo; sem uma combina&amp;ccedil;&amp;atilde;o precisa de ingenuidade e matreirice.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Aquele que n&amp;atilde;o tiver a dose m&amp;iacute;nima de ingenuidade jamais conseguira confiar em nada nem ningu&amp;eacute;m, nem nos seus ideais e nem em si mesmo. &amp;Eacute; preciso ser ing&amp;ecirc;nuo para crer que o mundo pode ser mudado, tanto quanto para ter certeza que ele n&amp;atilde;o mudar&amp;aacute; e portanto esta dose de ingenuidade &amp;eacute; necess&amp;aacute;ria &amp;agrave; esquerda e &amp;agrave; direita.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ao mesmo tempo &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio ser t&amp;atilde;o ardiloso a cada passo para que os planos tra&amp;ccedil;ados de forma ing&amp;ecirc;nua sobrevivam no meio dos lobos que n&amp;atilde;o raro s&amp;rsquo;aqueles que cr&amp;ecirc;em muito profundamente no sentido maior daquilo que fazem &amp;ndash; ou descr&amp;ecirc;em por completo de qualquer coisa e portanto n&amp;atilde;o temem nenhuma conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia - s&amp;atilde;o capazes de ser bem sucedidos neste mundo. Na me espanto quando vejo os mais profundos idealistas tornando-se os mais venais c&amp;iacute;nicos porque na verdade ambos costumam estar t&amp;atilde;o repletos destas doses elevadas e viciantes de ingenuidade e pragmatismo que uma gota a mais de um ou outro acaba por fazer o equil&amp;iacute;brio transbordar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&amp;Eacute; verdade que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; canalhas se transformando em paladinos her&amp;oacute;icos na mesmo propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o que a mudan&amp;ccedil;a ao contr&amp;aacute;rio, mas &amp;eacute; que aos canalhas falta a ingenuidade e por isto podem se manter est&amp;aacute;veis, ainda que sempre ou&amp;ccedil;a relatos de canalhas conhecidos que eram adorados pelos que lhes eram pr&amp;oacute;ximos pela suas virtudes pessoais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Enfim, Kurtz me liga naquele momento em que estou mais pronto a segui-lo d que j&amp;aacute; estive em qualquer outro momento. N&amp;atilde;o tenho ilus&amp;otilde;es ou veleidades mais como da primeira vez que o segui. Se o encontrasse no cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o das trevas e um trono de marfim cercado pro alucinado bando de nativos em &amp;ecirc;xtase eu s&amp;oacute; queria ser o bobo da corte que diz as verdades inconvenientes, t&amp;atilde;o alheio a imbecil rapacidade dos jogos de poder que pode enxerg&amp;aacute;-la com a clareza de um or&amp;aacute;culo sibilino.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tantas vezes ele chamou e o barco que leva ao Cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Trevas naufragou t&amp;atilde;o misteriosamente como o de Conrad que eu mantive o esp&amp;iacute;rito amorda&amp;ccedil;ado, acorrentado e cangado para n&amp;atilde;o al&amp;ccedil;ar v&amp;ocirc;os de esperan&amp;ccedil;a daqueles que terminam em desfiladeiros sombrios de frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Mas como as cosias ganham sentido quando queremos l&amp;aacute; no fundo eu sabia que agora era a hora certa e por aquele sensato fatalismo com o qual adornamos todas as cosias que v&amp;atilde;o se desfiando ca&amp;oacute;ticas a nossa frente de um sentido maior vou achando muito tautologicamente que havia experi&amp;ecirc;ncias pelas quais precisava passar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Por quanto tempo vou continuar querendo s&amp;oacute; o enorme privil&amp;eacute;gio de continuar pensando, algumas vezes em voz alta, eu n&amp;atilde;o sei. Nada &amp;eacute; mais importante que esta maravilhosa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito prop&amp;iacute;cia a quem quer estar no mundo sem ser do mundo. Mas no meio de tanto marfim acabamos por esquecer disto muito rapidamente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Enfim, o estoque de ingenuidade est&amp;aacute; reabastecido para pegar o pr&amp;oacute;ximo vapor para o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o das trevas, sem saber se l&amp;aacute; &amp;eacute; a mais profunda realidade ou a mais absoluta irrealidade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1474">Fernando Pessoa</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1473">Joseph Conrad</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1001">Política</category>
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 <pubDate>Thu, 25 Feb 2010 05:57:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Entre escravos</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/entre_escravos</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;right&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/411181-Djinn_large.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-width: 0px; margin: 5px 10px 10px 5px;&quot; alt=&quot;411181-Djinn_large&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/411181-Djinn_large_thumb_0.jpg&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;244&quot; width=&quot;176&quot; /&gt;&lt;/a&gt; “ &lt;i&gt;Tornai-me a aparecer, entes imaginários,        &lt;br /&gt;que me enchíeis outrora os olhos visionários!         &lt;br /&gt;Poder-vos-ei fixar?... Tenho inda coração         &lt;br /&gt;capaz de se render à vossa sedução?...&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;right&quot;&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&lt;i&gt;O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.        &lt;br /&gt;O palpável é nada. O nada assume essência.&lt;/i&gt;” ( &lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Fausto&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;, &lt;span style=&quot;text-decoration: none;&quot;&gt;&lt;b&gt;Goethe&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;Houve tempos nos quais podia escrever para outros um texto do qual discordasse, de forma rápida e praticamente indolor. &lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Este exercício foi ficando cada vez mais penoso e ainda embora ainda seja capaz deste ofício de ghost-writer confesso que o resultado é um produto sem sem alma.&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Pateticamente percebo que muitos, em especial os clientes, não percebem a diferença&lt;/span&gt; &lt;b&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;A quase ninguém posso explicar a diferença e a dificuldade de executar estas tarefas hoje em comparação com o passado&lt;/span&gt; &lt;b&gt;.&lt;/b&gt; &lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Na verdade jamais escrevi aqueles textos, eles eram obra de um djinn escritor que mantive como escravo em uma garrafa por muitos anos e em um momento de grandeza ou fraqueza libertei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Há tempos ele não me faz uma visita, não por descaso ou ingratidão, mas pela multidão de tarefas acumuladas em tantos anos de seu cativeiro. Mas cada vez que ele aparece me inunda de uma sabedoria tão profunda, uma análise tão sagaz e uma sinceridade tão acirrada que me dá remorso tê-lo usado de forma tão vil em tarefas tão banais&lt;/span&gt; &lt;b&gt;.&lt;/b&gt; &lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Se um dia eu também for livre como ele sei que não serei tão sábio porque não tenho os milhares de anos da sua experiência, mas espero espelhar-me na sua independência de espírito e julgamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;Na última vez que ele apareceu debruçava-me sobre um texto árido, daqueles que só com muita dificuldade se consegue encaixar um ou outro oásis sabendo que serão exatamente os oásis os primeiros a ser violentamente podados pelo cliente. Quando a nuvem se materializou naquela enorme figura azinhavrada fui tomado pela saudade dos velhos tempos, quando bastaria incumbir o djinn da tarefa e colher os resultados e elogios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Assalamu &#039;alaikum – Cumprimentou ele com sua voz de toró.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Alaikum us Salam – Respondi – que bons ventos o trazem?&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Só passando para visitar um velho amigo, meu caro – Disse ele com uma expressão que deixava claro que a visita tinha um motivo muito diferente.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-É um mundo curioso quando ex-escravo e ex-amo podem se chamar de amigos – Comentei, já nem tão animad com a visita porque senti nele um ar de recriminação.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Quem anda com um ar de escravo é você, tantas correntes que nem saberia por onde começar se fosse soltá-lo.-&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-É preciso ganhar a vida, você é um djinn, não tem como avaliar com é difícil a vida de um humano, com tão pouco tempo de vida para fazer tantas coisas e ainda assim tendo de ter como preocupação principal a sobrevivência.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Você fez quarenta anos, passou d idade na qual os pecados são pesados com pesos mais leves e você mesmo disse que se a finalidade da vida do homem é enriquecer a memória emotiva de Deus não há pecado pior do que ser chato.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Bom, se estou sendo chato o que você está fazendo aqui, ninguém pediu para você vir aqui se aborrecer e já abri mão do poder de invocá-lo para qualquer coisa – Falei meio sem paciência de ouvir o sermão que eu sabia por onde andaria e em que destino chegaria.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Lembra quando se mudou para São Paulo e ficava perdido pela cidade a cada vez que ia a um destino diferente proque ao invés de seguir as placas para um local ia a todo momento mudando o trajeto para seguir uma placa para um local diferente, mais próximo ou mais fácil de chegar? Você anda fazendo a mesma coisa com a sua vida.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Arco com as consequências dos meus erros – disse, em mais uma tentativa de encerrar a conversa.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Não consegues decidir se é brâmane, guerreiro, político, monge, escritor, jornalista ou seja lá o que for. Acaba sendo levado pelas circunstâncias e dando muita importância a coisas secundárias &lt;b&gt;,&lt;/b&gt; fica cheio destas susceptibilidades que te irritam e fazem tanto mal para você, te distraem d seu trabalho sério. Se a questão fosse só sobreviver seria fácil para você lidar com estas coisas, e eu sei bem como funciona isto proque tenho milhares de anos de escravidão que não quebraram o meu espírito.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Um humano é um humano e um djinn é um djinn! Não venha comparar a sua escravidão à minha proque são coisas diferentes.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Se a tua intenção fosse só ter a tua tranquilidade para fazer as coisas que precisas e sobreviver tudo seria muito mais simples. O problema de verdade é que lá dentro tu és&amp;nbsp; escravo de tuas ambições, não adianta dizer o contrário, tu queres ser grande, mas pelos motivos errados, pelos métodos errados e por causa disto não consegues te engrandecer pelos motivos certos.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Este seu monólogo está irritando, simplesmente ignora o que eu falo e continua com este seu sermão.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Se eu abro espaço desvias o assunto da conversa para o que te interessa e não para o que é importante. Não vais me prender com os grilhões destas tuas faltas questões, já estive acorrentado por séculos demais. O teu problema é apenas escolher o caminho, qualquer outra questão é tergiversação.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Sabe quanto acredito que é o caminho que nos escolhe.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Até para que o caminho te escolha deves saber para onde queres ir. Estás sempre mudando de objetivos, sempre alterando as tuas prioridades. O caminho já te escolheu, mas sempre rodas em círculo procurando atalhos.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Temos de enfrentar os desafios que se colocam na nossa frente.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Desafios que tu mesmo te colocas por ambição ou vaidade, porque não consegues ficar quieto fazendo o que tens de fazer. Na verdade és quem duvida do poder da palavra que tanto invocas. Deveria ser uma honra e um desafio suficiente trabalhares teu dom, mas estás sempre caçando miragens e trocando o essencial pelo acessório.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Você faz parecer tudo muito simples, a realidade é mais complicada.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;-Nem tu mesmo acreditas nisto, é até impiedade falares assim, tu que sempre foste tão protegido – Disse ele com a cara amarrada enquanto sumia no meio da nuvem, me deixando com ainda mais &lt;b&gt;coisas&lt;/b&gt; para pensar, mas ao menos com uma boa história para contar no blog com se fosse ficção.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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&lt;p class=&quot;western&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   &lt;br clear=&quot;left&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
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 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/8">Religião</category>
 <pubDate>Fri, 07 Nov 2008 17:38:12 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>O voto é profano</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_voto_e_profano</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://feedproxy.google.com/%7Er/BoboDaCorte/%7E3/1aHkwXxEWLY/o-voto-%C3%A9-profano&quot;&gt;O voto é profano&lt;/a&gt; - &lt;em&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.bobodacorte.com/sites/bobodacorte.com/files/500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People_2.jpg&quot;&gt;&lt;img  style=&quot;border: 0px none ; margin: 0px 15px 10px 0px;&quot; alt=&quot;500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People&quot; src=&quot;http://www.bobodacorte.com/sites/bobodacorte.com/files/500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People_thumb.jpg&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; width=&quot;244&quot; height=&quot;156&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Em resposta ao post O &lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_voto_e_sagrado&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Voto é Sagrado&lt;/a&gt; no blog &lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Poder da Palavra&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos principais argumentos dos patrícios romanos para não atender à reivindicação de um “&lt;em&gt;tribuno da plebe&lt;/em&gt;” que defendesse os direitos dos romanos não-nobres era a ausência de provisão deste cargo nas leis sagradas. Mesmo quando tiveram de ceder à pressão o cargo de tribuno manteve um caráter ímpio e a própria inviolabilidade do tribuno – aponta &lt;strong&gt;Foustel de Coulanges&lt;/strong&gt; – era motivada por este caráter “&lt;em&gt;impuro&lt;/em&gt;” da função. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mais antigo dos truques para afastar parcelas da população do processo de decisão é a invocação de razões “&lt;em&gt;sagradas&lt;/em&gt;”, das quais o caso do tribuno da plebe é apenas um pequeno exemplo. Com todos os pesares, lamentações e retrocessos, ainda assim, a história política da humanidade é a amplificação da proporção da população que detém os direitos de cidadania. Cada um destes passos históricos foi antecedido e sucedido por resmungos teológicos contra o pecado, heresia ou blasfêmia que se estava cometendo ao aceitar aquele círculo adicional de pessoas ao universo dos que deveriam decidir. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/5LHC_2BD6EJEFR8ab3AwkXqo7Gs/a&quot;&gt;&lt;img  src=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/5LHC_2BD6EJEFR8ab3AwkXqo7Gs/i&quot; ismap=&quot;true&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img  src=&quot;http://feedproxy.google.com/%7Er/BoboDaCorte/%7E4/1aHkwXxEWLY&quot; width=&quot;1&quot; height=&quot;1&quot; /&gt;&lt;/em&gt; [&lt;a href=&quot;http://www.bobodacorte.com/rss.xml&quot;&gt;Bobo da Corte&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;
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&lt;a href=&quot;http://feedproxy.google.com/%7Er/BoboDaCorte/%7E3/1aHkwXxEWLY/o-voto-%C3%A9-profano&quot;&gt;O voto é profano&lt;/a&gt; - &lt;em&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.bobodacorte.com/sites/bobodacorte.com/files/500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People_2.jpg&quot;&gt;&lt;img  style=&quot;border: 0px none ; margin: 0px 15px 10px 0px;&quot; alt=&quot;500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People&quot; src=&quot;http://www.bobodacorte.com/sites/bobodacorte.com/files/500px-Gaius_Gracchus_Tribune_of_the_People_thumb.jpg&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; width=&quot;244&quot; height=&quot;156&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Em resposta ao post O &lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_voto_e_sagrado&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Voto é Sagrado&lt;/a&gt; no blog &lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Poder da Palavra&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos principais argumentos dos patrícios romanos para não atender à reivindicação de um “&lt;em&gt;tribuno da plebe&lt;/em&gt;” que defendesse os direitos dos romanos não-nobres era a ausência de provisão deste cargo nas leis sagradas. Mesmo quando tiveram de ceder à pressão o cargo de tribuno manteve um caráter ímpio e a própria inviolabilidade do tribuno – aponta &lt;strong&gt;Foustel de Coulanges&lt;/strong&gt; – era motivada por este caráter “&lt;em&gt;impuro&lt;/em&gt;” da função. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mais antigo dos truques para afastar parcelas da população do processo de decisão é a invocação de razões “&lt;em&gt;sagradas&lt;/em&gt;”, das quais o caso do tribuno da plebe é apenas um pequeno exemplo. Com todos os pesares, lamentações e retrocessos, ainda assim, a história política da humanidade é a amplificação da proporção da população que detém os direitos de cidadania. Cada um destes passos históricos foi antecedido e sucedido por resmungos teológicos contra o pecado, heresia ou blasfêmia que se estava cometendo ao aceitar aquele círculo adicional de pessoas ao universo dos que deveriam decidir. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/5LHC_2BD6EJEFR8ab3AwkXqo7Gs/a&quot;&gt;&lt;img  src=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/5LHC_2BD6EJEFR8ab3AwkXqo7Gs/i&quot; ismap=&quot;true&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Fri, 24 Oct 2008 22:20:17 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>O Voto é Sagrado</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_voto_e_sagrado</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/1139040833_f_2.jpg&quot;&gt;&lt;img  style=&quot;border-width: 0px; margin: 5px 10px 25px;&quot; alt=&quot;1139040833_f&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/1139040833_f_thumb.jpg&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; width=&quot;244&quot; height=&quot;184&quot; /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;p&gt;A escola onde voto em São Paulo – a FAI, na Avenida Nazaré no bairro do Ipiranga – já foi um seminário e conserva algo da atmosfera de mosteiro com os arcos ao estilo mourisco nos corredores ladeando o jardim, além dos diversos ciprestes. &lt;fn&gt;Em outras palavras estão presentes elementos considerados sagrados por três distintas culturas – cristã, islâmica e celta.&lt;/fn&gt; Fica fácil, assim, lembrar-me que o voto é sagrado cada vez que compareço às urnas, em um ambiente que mesmo já bastante alterado ainda faz lembrar um espaço de meditação e elevada reflexão &lt;fn&gt;Curiosamente a bela arquitetura do prédio não deve ser considerada relevante para os atuais ocupantes que em seu site não tem sequer uma boa foto do estabelecimento. Para conseguir a foto que ilustra este post precisei procurar algum fotógrafo generoso que tivesse disponibilizado a foto na Internet.&lt;/fn&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deve ser diferente votar em uma destas escolas modernas, todas feitas para serem muito parecidas, retangulares, retas, desprovidas de praticamente todos os adereços. É de se imaginar que nestes locais também o voto deva ser um processo meio industrial, automatizado, rápido tal como o ambiente. Já no meu local de votação, pelo contrário, é quase impossível não fazer uma reflexão mais profunda, desde a primeira vez que fui votar lá já senti esta sensação de grave respeito enquanto percorria os corredores procurando a seção na qual voto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando falo de sagrado é claro que não me refiro a nenhuma forma destas misturas de religião e política que correm por aí se desmoralizando mutuamente pela profanação daquilo que devia ser santo para ambas que é a consciência do eleitor. Falo de sagrado no sentido de que decidir quem deve liderar o grupo a partir do livre arbítrio de um lado e do uso da razão do outro é uma das mais elevadas ações humanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Traços rudimentares da política já existem no reino animal, em especial ente nossos parentes mais próximos – chimpanzés e bonobos – entre os quais nem sempre a decisão é pelo critério exclusivo da força bruta &lt;fn&gt;O que demonstra que estes animais estão acima, na escala evolutiva, dos eleitores humanos que votam em um candidato porque ele está na frente nas pesquisas.&lt;/fn&gt;. Há uma racionalidade implícita em todo voto, algo que antecede mesmo a inteligência humana como disse acima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o tipo de racionalidade que torna o voto sagrado é outro. Se todo tipo de autoridade legítima é em certo sentido uma unção divina – seja lá o tipo de divindade que se adote – a escolha do eleitor consciente deve ser capaz de enxergar para além de si mesmo, refletir obre o destino que deseja para a comunidade do qual faz parte, buscando nas opções existentes as melhores qualidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira violação a este sacralidade é a gerada pelas intromissões da força – seja a força bruta seja a que emana do vil metal. Acovardar-se em uma decisão importante ou transformar uma escolha que deveria ser motivada pelo interesse coletivo em uma fonte de vantagem individual são verdadeiras blasfêmias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em um patamar quase tão baixo como as anteriores, mas difícil de fugir nesta era das massas, está a escolha determinada a partir dos engodos da antipolítica que é o “marketing eleitoral”. Toda a parafernália criada para transformar a decisão nobre e racional em um impulso emocional de multidão subverte a própria essência da política e serve a uma diminuição, amesquinhamento mesmo, do homem transformado em gado a ser conduzido às urnas como se fosse a um matadouro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poucas coisas conectam tanto o homem ao sagrado quanto a esperança – talvez por isto mesmo ela é a dúbia virtude que fica presa à aba da caixa de Pandora. Talvez muito desta “dessacralização” do voto venha da falta generalizada de esperança que reina. Ainda assim há a escolha de deixar levar pelas profanações ou nos portar como seres humanos de fato e transformar o momento de voto numa reflexão profunda e não em impulso.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Fri, 24 Oct 2008 20:16:44 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Modernos, modernistas e modernosos</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/modernos_modernistas_e_modernosos</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/JAWLENSKY__SCHWARZE_AUGEN_2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 55px 15px 0px; border-right-width: 0px&quot; height=&quot;244&quot; alt=&quot;Paran&amp;#243;ia E Mistifica&amp;#231;&amp;#227;o: quadro de Alexei Von Jawlenski de 1912 copiado no &quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/JAWLENSKY__SCHWARZE_AUGEN_thumb.jpg&quot; width=&quot;222&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; lobato?=&quot;lobato?&quot; Monteiro=&quot;Monteiro&quot; com=&quot;com&quot; polêmica=&quot;polêmica&quot; a=&quot;a&quot; gerando=&quot;gerando&quot; Malfatti,=&quot;Malfatti,&quot; amarelo?de=&quot;amarelo?de&quot; homem=&quot;homem&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paran&amp;#243;ia E Mistifica&amp;#231;&amp;#227;o:&lt;/strong&gt; (a esquerda) &lt;em&gt;quadro de Alexei Von Jawlenski de 1912 copiado no &amp;quot;Homem Amarelo&amp;quot;de Malfatti (a direita) em 1916, gerando a pol&amp;#234;mica com Monteiro lobato&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;A outra esp&amp;#233;cie &amp;#233; formada dos que v&amp;#234;m anormalmente a natureza e a interpretam &amp;#224; luz das teorias ef&amp;#234;meras, sob a sugest&amp;#227;o estr&amp;#225;bica de escolas rebeldes, surgidas c&amp;#225; e l&amp;#225; como fur&amp;#250;nculos da cultura excessiva. S&amp;#227;o produtos do cansa&amp;#231;o e do sadismo de todos os per&amp;#237;odos de decad&amp;#234;ncia; s&amp;#227;o frutos de fim de esta&amp;#231;&amp;#227;o, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do esc&amp;#226;ndalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. (Monteiro Lobato, Paran&amp;#243;ia ou Mistifica&amp;#231;&amp;#227;o)      &lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/anita2_2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px&quot; height=&quot;244&quot; alt=&quot;anita2&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/anita2_thumb.jpg&quot; width=&quot;200&quot; align=&quot;right&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Um amigo me pede um texto sobre Monteiro Lobato e os modernistas ap&amp;#243;s alguma pol&amp;#234;mica sobre o assunto. Se eu precisasse reduzir todo o coment&amp;#225;rio a uma frase diria que Lobato &amp;#233; que era verdadeiramente moderno naquele momento. Se pudesse ainda acrescentar algo comentaria que a cr&amp;#237;tica de Lobato aos modernistas n&amp;#227;o &amp;#233; pela inova&amp;#231;&amp;#227;o proposta por eles, mas pela falta de novidade e sinceridade do movimento.     &lt;br /&gt;O que ocorria de mais moderno no pa&amp;#237;s, naquele momento, era justamente a supera&amp;#231;&amp;#227;o dos modelos copiados das &amp;#250;ltimas modas europ&amp;#233;ias, francesas em particular. Moderno de fato era a cren&amp;#231;a profunda de Lobato que o pensamento brasileiro deveria refletir sobre os problemas do pa&amp;#237;s, usando a linguagem do povo e jogando no lixo os academicismos, elitismos e sectarismos todos. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;!--break--&gt;
&lt;p&gt;Talvez na sua fonte os movimentos pretendiam revolucionar as linguagens art&amp;#237;sticas tivessem na sua origem um elemento inovador, mas quando desembarcaram aqui ao Brasil eram s&amp;#243; mais uma forma de academicismo vulgar de burgueses sem ter mais o que fazer para salientar-se. Pouca coisa pode demonstrar o car&amp;#225;ter de &amp;quot;farsa&amp;quot;da Semana de 22 com o fato de que os modernistas pagaram a estudantes para vai&amp;#225;-los e atirar coisas no palco, j&amp;#225; que falharam at&amp;#233; em provocar o choque que desejavam, mas tinham dinheiro sobrando para comprar m&amp;#237;dia.     &lt;br /&gt;Infelizmente pouca gente hoje l&amp;#234; os originais, os textos fontes. Contentam-se em pontificar com o que ouviram falar do amigo do primo que ouviu algu&amp;#233;m comentar sobre o que leu na orelha do almanaque citando um comentarista que leu uma resenha de um livro mencionando a obra original, &amp;#224;s vezes at&amp;#233; conformam-se com algo ainda mais vago como as teses e disserta&amp;#231;&amp;#245;es de cr&amp;#237;tica liter&amp;#225;ria.     &lt;br /&gt;Garanto que qualquer um que ler o artigo &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;Paran&amp;#243;ia ou Mistifica&amp;#231;&amp;#227;o&lt;/span&gt; de &lt;strong&gt;Lobato&lt;/strong&gt; - fruto do mito que ele era contra a &amp;quot;moderniza&amp;#231;&amp;#227;o das artes&amp;quot; poder&amp;#225; ver claramente que a cr&amp;#237;tica &amp;quot;emiliana&amp;quot; concentra-se sobre dois pontos:     &lt;br /&gt;O prmeiro &amp;#233; a absoluta falta de sinceridade que ele v&amp;#234; na obra de Anita Malfatti:     &lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;nos manic&amp;#244;mios essa arte &amp;#233; sincera, produto l&amp;#243;gico dos c&amp;#233;rebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposi&amp;#231;&amp;#245;es p&amp;#250;blicas zabumbadas pela imprensa partid&amp;#225;ria mas n&amp;#227;o absorvidas pelo p&amp;#250;blico que compra, n&amp;#227;o h&amp;#225; sinceridade nenhuma, nem nenhuma l&amp;#243;gica, sendo tudo mistifica&amp;#231;&amp;#227;o pura.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; Em segundo lugar h&amp;#225; uma cr&amp;#237;tica tamb&amp;#233;m severa a certa arte que para se proteger &amp;#233; apresentada como herm&amp;#233;tica, capaz de ser compreendida por experts, an&amp;#225;lise que &lt;strong&gt;Hauser&lt;/strong&gt;, por exemplo, tamb&amp;#233;m faz v&amp;#225;rias d&amp;#233;cadas depois, demonstrando a vitalidade e vis&amp;#227;o de Lobato. Para ele toda a discuss&amp;#227;o em torno da arte modernista &amp;#233; um grande jogo de comadres se promovendo uns aos outros, um pacto corrupto:   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Teorizam aquilo com grande disp&amp;#234;ndio de palavreado t&amp;#233;cnico, descobrem na tela inten&amp;#231;&amp;#245;es inacess&amp;#237;veis ao vulgo, justificam-nas com a independ&amp;#234;ncia de interpreta&amp;#231;&amp;#227;o do artista; a conclus&amp;#227;o &amp;#233; que o p&amp;#250;blico &amp;#233; uma besta e eles, os entendidos, um grupo genial de iniciados nas transced&amp;#234;ncias sublimes duma Est&amp;#233;tica Superior.    &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A verdade &amp;#233; que a grande maioria do que o pa&amp;#237;s produziu de melhor em todos os campos da a&amp;#231;&amp;#227;o intelectual - Graciliano Ramos, Jorge Amado, Guimar&amp;#227;es Rosa, Darcy Ribeiro, An&amp;#237;sio Teixeira, Florestan Fernandes, Gilberto Freyre, Paulo Freire, enfim todos que ousaram pensar de forma original, mesmo pagando o pre&amp;#231;o da originalidade que &amp;#233; o erro ocasional nas generaliza&amp;#231;&amp;#245;es, sobre os problemas brasileiros - s&amp;#227;o de uma forma ou outra herdeiros ou parentes desta vertente que come&amp;#231;a em Lobato.   &lt;br /&gt;&amp;#201; preciso incluir a&amp;#237; os pr&amp;#243;prios modernistas que deram certo, porque a oposi&amp;#231;&amp;#227;o entre Lobato e os modernistas &amp;#233; parte mito e parte mistifica&amp;#231;&amp;#227;o. Mario e Oswald de Andrade, por exemplo, logo deixaram de lado a bobagem &amp;quot;modernosa&amp;quot;voltada para a forma e a t&amp;#233;cnica, que &amp;#233; o centro da cr&amp;#237;tica de Lobato, para incorporar atrav&amp;#233;s do Movimento Antropof&amp;#225;gico uma proposta que &amp;#233; muito similar aquilo que Lobato lhes recomendava fazer v&amp;#225;rios anos antes.   &lt;br /&gt;N&amp;#227;o nego que Lobato, at&amp;#233; como pintor frustrado que era, tenha algumas vis&amp;#245;es antiquadas sobre as artes pl&amp;#225;sticas em especial. Neste ponto n&amp;#227;o foi capaz de compreender a mudan&amp;#231;a na linguagem do meio que ocorria. Em parte a cr&amp;#237;tica n&amp;#227;o &amp;#233; completamente inadequada porque a mesma falta de transcend&amp;#234;ncia &amp;#233; apontada como a chave para a desumaniza&amp;#231;&amp;#227;o da arte por Ortega y Gasset, fil&amp;#243;sofo spanhol que alguns anos depois tenta fazer com o pensamento espanhol a mesma revolu&amp;#231;&amp;#227;o de compreens&amp;#227;o original.   &lt;br /&gt;Uma das quest&amp;#245;es importantes a se guardar &amp;#233; que este debate entre os verdadeiros modernos - aqueles que de fato inovam, acrescentam algo ao que j&amp;#225; existe - os modernistas - aqueles que fazem do novo profiss&amp;#227;o de f&amp;#233; simplesmente porque &amp;#233; novo ent&amp;#227;o deve ser necessariamente bom - e os modernosos - impostores e charlat&amp;#245;es de toda esp&amp;#233;cie que se escondem por detr&amp;#225;s das cortinas de fuma&amp;#231;a sect&amp;#225;rias, todo este embate, ainda est&amp;#225; acontecendo por todo lado, n&amp;#227;o acabou em 22. At&amp;#233; por isso vale a pena reler os textos de Lobato comentando o assunto, no original, &amp;#233; claro.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Fri, 17 Oct 2008 17:32:52 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Uma proposta realmente antenada</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/uma_proposta_realmente_antenada</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://feedproxy.google.com/%7Er/BlogDoNetinhoBlogs/%7E3/g-2jHE6oO9c/55806&quot;&gt;Uma proposta realmente antenada&lt;/a&gt; - &lt;em&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Jos&amp;#233; Police Neto&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta de implantar uma rede de antenas fornecendo Internet banda larga gratuita, feita por uma candidata a prefeita, tem gerado muita pol&amp;#234;mica tanto em termos t&amp;#233;cnicos como financeiros. A dimens&amp;#227;o pol&amp;#237;tica da quest&amp;#227;o, contudo, tem sido pouco enfocada nos debates, assim como praticamente descarta os projetos de Inclus&amp;#227;o Digital j&amp;#225; em debate e execu&amp;#231;&amp;#227;o na cidade de S&amp;#227;o Paulo.     &lt;br /&gt;Uma das caracter&amp;#237;sticas das propostas pirot&amp;#233;cnicas dos marqueteiros e tecnocratas &amp;#233; esta mesma, fazem tabula rasa do que existe, resumem todos os problemas a aplica&amp;#231;&amp;#227;o de uma f&amp;#243;rmula simples, meio m&amp;#225;gica, capaz de miraculosamente resolver o problema. Com se trata de m&amp;#225;gica ou milagre &amp;#233; evidente que a proposta n&amp;#227;o pode ser discutida pelos comuns mortais, portanto qualquer debate s&amp;#233;rio para aprimorar ou contestar a proposta &amp;#233; inadmiss&amp;#237;vel, visto que s&amp;#243; o candidato e seus sumo-sacerdotes tecnocr&amp;#225;ticos s&amp;#227;o capazes de realmente compreend&amp;#234;-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/em&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;em&gt;
&lt;p&gt;Segundo a candidata, ele foi revolucion&amp;#225;ria e inovadora na sua passagem anterior pelo Executivo Municipal ao criar os telecentros, mas agora eles ficaram ultrapassados e &amp;#233;preciso acabar com o que existe para continuar inovando. Dif&amp;#237;cil encontrar algo que seja verdadeiro n conjunto de toda a suposi&amp;#231;&amp;#227;o feita por ela em seu programa eleitoral.      &lt;br /&gt;Em primeiro lugar o n&amp;#250;mero de telecentros criados por ela foi muito pequeno em compara&amp;#231;&amp;#227;o com a grande expans&amp;#227;o que a rede recebeu nos &amp;#250;ltimos quatro anos, respons&amp;#225;vel pela triplica&amp;#231;&amp;#227;o do sistema de Telecentros. Em segundo lugar, mas n&amp;#227;o menos importante, os telecentros e o conjunto da pol&amp;#237;tica municipal de Inclus&amp;#227;o Digital s&amp;#243; foram realmente institucionalizados e consolidados quando a C&amp;#226;mara Municipal aprovou a lei criando o Sistema Municipal de Inclus&amp;#227;o Digital.      &lt;br /&gt;Foi esta lei, fruto de intensas discuss&amp;#245;es com a sociedade civil, gestores p&amp;#250;blicos, parlamentares, operadores e usu&amp;#225;rios dos telecentros, que garantiu que os telecentros tenham exist&amp;#234;ncia concreta e estabilidade, deixando de ser mera resultado da vontade do administrador de plant&amp;#227;o para se tornar de fato um programa de estado.      &lt;br /&gt;A lei na apenas garantiu de verdade Internet de gra&amp;#231;a para sempre, mas assegurou recursos para isto atrav&amp;#233;s da vincula&amp;#231;&amp;#227;o de parte do ISS arrecadado das empresa de tecnologia para o Fundo Municipal de Inclus&amp;#227;o Digital, que garante a manuten&amp;#231;&amp;#227;o, expans&amp;#227;o, aperfei&amp;#231;oamento e evolu&amp;#231;&amp;#227;o tecnol&amp;#243;gica dos telecentros.Mais do que simplesmente fornecer os recursos para a &amp;#225;rea, esta vincula&amp;#231;&amp;#227;o garante que a Inclus&amp;#227;o Digital ira crescer na mesma velocidade que a tecnologia se expande.      &lt;br /&gt;A proposta das antenas de Internet sem fio espalhadas pela cidade n&amp;#227;o &amp;#233; um avan&amp;#231;o, mas um enorme retrocesso, anda mais ela forma autorit&amp;#225;ria, tecnocr&amp;#225;tica e superficial que foi colocada. &amp;#201; um projeto reacion&amp;#225;rio no sentido que se prop&amp;#245;e a destruir a constru&amp;#231;&amp;#227;o coletiva e democr&amp;#225;tica em nome de uma proposta que &amp;#233; pouco mais do que mera propaganda. Al&amp;#233;m do mais recoloca a quest&amp;#227;o ao arb&amp;#237;trio do administrador de plant&amp;#227;o, recolocando o cidad&amp;#227;o em uma posi&amp;#231;&amp;#227;o na qual ele &amp;#233; simplesmente usu&amp;#225;rio dos servi&amp;#231;os que a prefeitura quiser oferecer, n&amp;#227;o na posi&amp;#231;&amp;#227;o atual na qual ele &amp;#233; participante direto no processo de discuss&amp;#227;o sobre uma pol&amp;#237;tica p&amp;#250;blica.      &lt;br /&gt;Assim, por mais antenas que a proposta da candidata tenha, ela n&amp;#227;o est&amp;#225; realmente antenada com os anseios da comunidade e com uma visa moderna de servi&amp;#231;o p&amp;#250;blico e formula&amp;#231;&amp;#227;o de pol&amp;#237;ticas p&amp;#250;blica na qual a sociedade civil &amp;#233;agente e n&amp;#227;o apenas polo passivo dos servi&amp;#231;os p&amp;#250;blicos, submetidos &amp;#224; posi&amp;#231;&amp;#227;o de cobaias de experimentos autorit&amp;#225;rios e publicit&amp;#225;rios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;* &lt;strong&gt;Jos&amp;#233; Police Neto&lt;/strong&gt;, vereador reeleito com 54726 votos e apontado pelo Movimento Voto Consciente como o Melhor Vereador, &amp;#233; l&amp;#237;der de Governo na C&amp;#226;mara Municipal e autor da lei criando o Sistema Municipal de Inclus&amp;#227;o Digital.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/Ou4ncH5Xjt8VR_EKDysJCTjY1B0/a&quot;&gt;&lt;img ismap=&quot;ismap&quot; src=&quot;http://feedads.googleadservices.com/%7Ea/Ou4ncH5Xjt8VR_EKDysJCTjY1B0/i&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;   &lt;img height=&quot;1&quot; src=&quot;http://feedproxy.google.com/%7Er/BlogDoNetinhoBlogs/%7E4/g-2jHE6oO9c&quot; width=&quot;1&quot; /&gt;&lt;/em&gt; [&lt;a href=&quot;http://netinho.tucanet.com.br/blog&quot;&gt;Blog do Netinho&lt;/a&gt;]&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Wed, 08 Oct 2008 23:02:25 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Em quem eu voto, e por que</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/em_quem_eu_voto_e_por_que</link>
 <description>&lt;p&gt;A responsabilidade de recomendar o voto em alguém é muito grave. Ainda mais nestes tempos terríveis de descrédito na grande maioria das vezes completamente justo e motivado nas instituições políticas e nos homens públicos em especial. Continuo firme na crença de que se as pessoas conscientes, com senso, informação e visão se omitirem nesta escolha a decisão ainda assim será tomada.&lt;br /&gt;
E será tomada pelos votam por impulso seu próprio ou de terceiros ou for fatores totalmente alheios à política ou, ainda pior, por aqueles que estão no último degrau da condição humana e transformam o voto em mercadoria. Por mais difícil que seja é necessário votar, ainda mais nas eleições parlamentares onde há imenso leque de opções, mesmo que a maioria dos candidatos esteja abaixo do lamentável.&lt;br /&gt;
Costumo dizer que pior que o político profissional, aquele para a qual a política não é um exercício de nobreza, mas vil fonte de recursos, só o político amador, ou seja, aquele que não tem nenhum preparo, formação e às vezes nem afinidade com a atividade política. Esta atividade exige calma, reflexão, disposição para o diálogo, estudo e dedicação, qualidades que certamente não são encontradas na imensa maioria das pessoas que aparecem no show de horrores que se tornou o horário eleitoral dos candidatos aos parlamentos.&lt;br /&gt;
Acredito também que mesmo esta massa disforme que é a multidão pode aprender com o tempo. Espero que o momento de registrarem seu protesto votando em aberrações políticas já foi, assim como o de votar em celebridades de ocasião. Vai ficando evidente o quanto estes tipinhos comportam-se depois de eleitos exatamente como os piores de todos os políticos profissionais.&lt;br /&gt;
Por conta destas questões acho que sempre que possível é melhor reeleger um bom homem público do que fazer experiência com amadores. Há um conceito neste comportamento qe merece ser destacado. Uma das cosias que mais se houve nos bastidores dos parlamentos é que dedicar-se a fazer a grande política, exercer um mandato pleno, é uma grande bobagem e um erro, porque há dezenas de bons deputados e vereadores que não se reelegeram enquanto há milhares de maus elementos que retornam com um sorriso debochado no rosto. Assim reeleger um bom parlamentar é demonstrar que vale a pena dedicar-se à política.&lt;br /&gt;
Colocado tudo isto, quero dizer que na cidade de São Paulo voto em José Police Neto no. 45000, do PSDB.&lt;br /&gt;
Netinho é um velho amigo desde a adolescência. Mas certamente não recomendaria um voto baseado em laços pessoais, mesmo que em momentos difíceis com o que a política nacional vive hoje nos voltemos para o pouco que sobra que são os laços afetivos. Ele tem sido um parlamentar dedicado, competente, colocado a inteligência a serviço do interesse público e trabalhado de acordo com as boas práticas da grande política.&lt;/p&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/qZine2PGpvs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/qZine2PGpvs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/object&gt;&lt;p&gt;Para que esta minha avaliação possa ser julgada de forma mais objetiva, destaco que ele foi apontado como O MELHOR VEREADOR pelo Movimento Voto Consciente, ONG que há 21 anos fiscaliza o trabalho da Câmara Municipal de São Paulo, segundo critérios técnicos.&lt;/p&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/_LThQzSFM3Q&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/_LThQzSFM3Q&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/object&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.votoconsciente.org.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=292&amp;amp;Itemid=61&quot; title=&quot;Avaliação dos Vereadores Movimento Voto Consciente&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Leia aqui a avaliação&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Também foi apontado como Melhor Vereador por levantamento realizado pela revista Veja São Paulo (a popular Vejinha)&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/011008/politica_candidatos.html&quot; title=&quot;Avaliaçào da Revista veja&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Leia aqui a avaliação&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/xMK0YBjH-sE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/xMK0YBjH-sE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/object&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://netinho.tucanet.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Alguns textos que ele escreveu durante o período que trabalhamos juntos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.netinho45000.can.br/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O site do candidato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Se você ficou convencido, puxa vida, fico contente. Peço então que vocême ajude nesta tarefa escrevendo ou telefonando para seus amigos e se eles não tiverem candidatos indique o Netinho 45000.&lt;br /&gt;
Se não ficou, bom, me escreva se houver alguma dúvida, crítica ou sugestão.&lt;/p&gt;
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 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/6">Política</category>
 <pubDate>Thu, 02 Oct 2008 17:51:39 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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<item>
 <title>Antígona e o Bobo</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/antigona_e_o_bobo</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/3097473~King-Lear-and-the-Fool-in-the-Storm-Act-III-Scene-2-from-King-Lear-by-William-Shakespeare-1836-Posters_2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 10px 10px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px&quot; height=&quot;244&quot; alt=&quot;3097473~King-Lear-and-the-Fool-in-the-Storm-Act-III-Scene-2-from-King-Lear-by-William-Shakespeare-1836-Posters&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/3097473~King-Lear-and-the-Fool-in-the-Storm-Act-III-Scene-2-from-King-Lear-by-William-Shakespeare-1836-Posters_thumb.jpg&quot; width=&quot;203&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Bobo - Se eu falar sobre isso como costumo, que seja chicoteado o primeiro que me compreender. (Shakespeare, Rei Lear, Ato I, Cena IV)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Ant&amp;#237;gona - Se te parece que cometi um ato de dem&amp;#234;ncia, talvez mais louco seja quem me acusa de loucura (S&amp;#243;focles, Ant&amp;#237;gona)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Um dos personagens abordados de forma mais injusta pelo senso comum &amp;#233; o bobo da corte. Com o tempo a imagem que se fez dele transformou-o justamente no seu contr&amp;#225;rio. O bobo n&amp;#227;o era a figura caricata que tenta agradar o soberano para colher algumas migalhas do banquete do poder. &amp;#201;, pelo contr&amp;#225;rio, aquele que diz verdades t&amp;#227;o profundas a ponto de precisarem ser travestidas de pantomimas para serem apresentadas aos mortais. S&amp;#243; o bobo, pela sua loucura, &amp;#233; capaz de contrariar todos os interesses, deixar de lado todas as manobras, desvelar-se de tudo que &amp;#233; subterr&amp;#226;neo portanto seguro para dizer na cara do rei as coisas desagrad&amp;#225;veis. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;!--break--&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&amp;#201; esta dimens&amp;#227;o que torna o bobo um sucessor dos personagens tr&amp;#225;gicos. N&amp;#227;o h&amp;#225; como n&amp;#227;o relacionar o bobo medieval, por exemplo, com o adivinho Tir&amp;#233;sias, em &amp;#201;dipo Rei ou Ant&amp;#237;gona de S&amp;#243;focles. Tamb&amp;#233;m Tir&amp;#233;sias &amp;#233; a ponte entre mundos diversos trazendo aos homens as mensagens terr&amp;#237;veis nos momentos cruciais. A mensagem das divindades, do mundo superior, trazida por Tir&amp;#233;sias &amp;#233; a mesma expressa na fala final do Corifeu da Ant&amp;#237;gona: N&amp;#227;o formules desejos... N&amp;#227;o &amp;#233; l&amp;#237;cito aos mortais evitar as desgra&amp;#231;as que o destino lhes reserva!. O dilema fundamental de &amp;#201;dipo em &amp;#201;dipo Rei nada tem a ver com o sentido dada &amp;#224; hist&amp;#243;ria por in&amp;#250;meros comentaristas que n&amp;#227;o leram o texto e baseiam-se apenas em algum sentido captado de forma fugaz em algum texto de populariza&amp;#231;&amp;#227;o psicanal&amp;#237;tica. O castigo de &amp;#201;dipo e seus pais vem da tentativa dos tr&amp;#234;s de burlar os des&amp;#237;gnios divinos. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acho pouco explorado o fato de que a puni&amp;#231;&amp;#227;o tripla, extensiva a toda a fam&amp;#237;lia, jamais teria ocorrido n&amp;#227;o somente se Jocasta e Laio n&amp;#227;o tivessem tentado escapar aos or&amp;#225;culos. Tivesse &amp;#201;dipo ficado na casa de seus pais adotivos e se conformado com seus aug&amp;#250;rios infelizes e o fado n&amp;#227;o teria se confirmado. Da mesma forma n&amp;#227;o tivessem Laio e Jocasta tentado dar um jeitinho de escapar &amp;#224; previs&amp;#227;o do or&amp;#225;culo o desenrolar da hist&amp;#243;ria seria outro. H&amp;#225; neste ponto n&amp;#227;o s&amp;#243; uma no&amp;#231;&amp;#227;o da impossibilidade de escapar do destino, mas um sentido de omnisci&amp;#234;ncia da divindade, sentido este que por sinal lembra trechos d Sagrado Alcor&amp;#227;o mencionando as andan&amp;#231;as de Mois&amp;#233;s junto com o Khidr, al&amp;#233;m de v&amp;#225;rias outras passagens de hist&amp;#243;rias tradicionais. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim &amp;#233; fundamental destacar que o desastre dos her&amp;#243;is n&amp;#227;o &amp;#233; casual, fortuito, mas um resultado direto de suas a&amp;#231;&amp;#245;es, assim se o destino &amp;#233; arbitr&amp;#225;rio em v&amp;#225;rios pontos, o desenlace da hist&amp;#243;ria jamais &amp;#233;. Voltando &amp;#224; quest&amp;#227;o do Bobo, h&amp;#225; algo que falta em Tir&amp;#233;sias para encaix&amp;#225;-lo neste papel. A verdade na l&amp;#237;ngua de Tir&amp;#233;sias queima inclusive a ele pr&amp;#243;prio, &amp;#233; um fardo, algo desagrad&amp;#225;vel. Ele implora a &amp;#201;dipo em &amp;#201;dipo Rei quando &amp;#233; chamado: &lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;TIR&amp;#201;SIAS - Oh! Terr&amp;#237;vel coisa &amp;#233; a ci&amp;#234;ncia, quando o saber se torna in&amp;#250;til! Eu bem assim pensava; mas creio que o esqueci, pois do contr&amp;#225;rio n&amp;#227;o teria consentido em vir at&amp;#233; aqui. E, ainda de forma mais dr&amp;#225;stica, para n&amp;#227;o ser for&amp;#231;ado a esclarecer a hist&amp;#243;ria: TIR&amp;#201;SIAS - Jamais causarei tamanha dor a ti, nem a mim! Por que me interrogas em v&amp;#227;o? De mim nada ouvir&amp;#225;s! E por fim s&amp;#243; fala sob intensa coa&amp;#231;&amp;#227;o, aos ser amea&amp;#231;ado de ser ele pr&amp;#243;prio acusado pelo crime de &amp;#201;dipo: TIR&amp;#201;SIAS - Ser&amp;#225; verdade? Pois EU! EU &amp;#233; que te ordeno que obede&amp;#231;as ao decreto que tu mesmo baixaste, e que, a partir deste momento, n&amp;#227;o dirijas a palavra a nenhum destes homens, nem a mim, porque o &amp;#237;mpio que est&amp;#225; profanando a cidade &amp;#201;S TU! &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; Para n&amp;#227;o me estender n&amp;#227;o comento a suspeita, desde a primeira vez que li &amp;#201;dipo Rei, de que h&amp;#225; um conluio entre Tir&amp;#233;sias e Creonte. Ressalto apenas que achei a hip&amp;#243;tese mais consistente a despeito de Tir&amp;#233;sias tamb&amp;#233;m profetizar o castigo a Creonte pela tirania - depois de ter lido Ant&amp;#237;gona, na qual &amp;#233; dito:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Creonte - Toda a ra&amp;#231;a dos adivinhos &amp;#233; c&amp;#250;pida!. Tir&amp;#233;sias - E a dos tiranos adora os proveitos, por mais vergonhosos que sejam. Creonte - Sabes que &amp;#233; a um rei que diriges tais palavras? Tir&amp;#233;sias - Bem o sei. Gra&amp;#231;as a mim pudeste salvar o Estado. Creonte - Es um adivinho esperto: mas tens prazer em proceder mal. Tir&amp;#233;sias - Tu me obrigas a dizer o que tenho em mente! Creonte - Pois fala! Contanto que a gan&amp;#226;ncia n&amp;#227;o te inspire!&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; Bem diferente &amp;#233; a invoca&amp;#231;&amp;#227;o do Bobo do Rei Lear, de Shakespeare, talvez a personagem do tipo melhor acabada, ao lado do Bobo do filme Ran de Kurosawa que &amp;#233; inspirado no primeiro. Quando Lear reclama que seu bobo &amp;#233; um bobo amargo o Bobo responde com mordacidade dizendo que o verdadeiro bobo &amp;#233; o rei:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;LEAR - Um bobo amargo. BOBO - Saber&amp;#225;s dizer, meu rapaz, que diferen&amp;#231;a h&amp;#225; entre um bobo amargo e um bobo doce? LEAR - N&amp;#227;o, menino; ensina-ma. BOBO - Quem o conselho te deu de doar todas as tuas terras p&amp;#245;e aqui ao lado meu, e o dele toma; n&amp;#227;o erras: ver&amp;#225;s logo, lado a lado, o doce bobo e o amargoso; um aqui, sarapintado, o outro a&amp;#237; mesmo, achacoso. LEAR - Com isso queres dizer que eu sou bobo, menino? BOBO - J&amp;#225; abriste m&amp;#227;o de todos os outros t&amp;#237;tulos; esse &amp;#233; o &amp;#250;nico que te veio do ber&amp;#231;o. E para n&amp;#227;o deixar d&amp;#250;vidas, mesmo quando lamenta a posi&amp;#231;&amp;#227;o de Bobo ele coloca-se acima do rei: BOBO - N&amp;#227;o posso compreender que tu e tuas filhas sejais aparentados; elas me a&amp;#231;oitam por eu dizer a verdade, enquanto tu pretendes fazer o mesmo no caso de eu mentir, sem contarmos que algumas vezes tenho sido a&amp;#231;oitado por estar quieto. Quisera ser tudo neste mundo, menos bobo, mas n&amp;#227;o desejo ser o que &amp;#233;s, tio; dos dois lados raspaste o esp&amp;#237;rito, sem deixar nada no meio... &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;#201; este aspecto, sen&amp;#227;o de felicidade de destemor frente ao poder, que torna pr&amp;#243;ximos os personagens da Ant&amp;#237;gona e do Bobo. Ambos priorizam uma fidelidade a valores superiores, tradicionais, e confrontam o poder estabelecido em nome destes ideais elevados. &amp;#201; digno de nota que h&amp;#225; identidade de valores nas duas pe&amp;#231;as, em ambos os casos est&amp;#225;em cheque a fidelidade e amor devido aos familiares, norma cujo desrespeito desgosta a justi&amp;#231;a do universo. Tamb&amp;#233;m &amp;#233; importante reafirmar que um certo estado de loucura serve como justificativa a ambos, como no trecho da Ant&amp;#237;gona mencionado na ep&amp;#237;grafe. Nos dois casos a loucura &amp;#233; antes uma forma superior de ver as coisas que se confronta com a vis&amp;#227;o limitada e interesseira do senso comum. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#201; esta defini&amp;#231;&amp;#227;o que faz os loucos de Deus dotados de uma vis&amp;#227;o que ultrapassa a dos homens comuns e faz com que o Bobo do Re Lear sejaaparentado ao s&amp;#225;bio zen - aspecto enfatizado na vers&amp;#227;o de Lear realizada por Kurosawa de Nasrudin e de personagens de quase todas as tradi&amp;#231;&amp;#245;es. &amp;#201; neste sentido que muitas vezes Ant&amp;#237;gona &amp;#233; interpretada com certo equ&amp;#237;voco na medida que &amp;#233; vista como a revolucion&amp;#225;ria que confronta o poder. Se esta leitura tem certa consist&amp;#234;ncia na medida em que ela coloca seus ideais acima do teor do Estado e contesta com a pr&amp;#243;pria vida um decreto cujo conte&amp;#250;do &amp;#233; injusto, por outro lado seu motivo n&amp;#227;o &amp;#233; a tomada do poder ou a implanta&amp;#231;&amp;#227;o de alguma nova ordem, mas a retomada da ordem tradicional. N&amp;#227;o &amp;#233; em nome da individualidade que ela confronta Creonte, mas do seu senso de dever com a tradi&amp;#231;&amp;#227;o, inclusive sem buscar por isto qualquer recompensa, nem mesmo a de fugir ao castigo imposto a sua fam&amp;#237;lia pelo fado, com destaca a parte final do texto: &lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Ant&amp;#237;gone - &amp;#211; cidade de meus pais, terra tebana! &amp;#211; deuses, autores de minha ra&amp;#231;a! Vejo-me arrastada! Chefes tebanos, vede como sofre a &amp;#250;ltima filha de vossos reis, e que homens a punem, por haver praticado um ato de piedade! O crime de Creonte ou mais propriamente a sua a&amp;#231;&amp;#227;o que gera a Hibrys resultando na sua desgra&amp;#231;a &amp;#233; tentar colocar seus des&amp;#237;gnios acima daqueles determinados pelos deuses. A luta de Ant&amp;#237;gona, na qual ela n&amp;#227;o tem prazer al&amp;#233;m de cumprir o que considera um dever, n&amp;#227;o &amp;#233; para destituir o tirano, apenaseste cumprimento de um dever que ela considera sagrado. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; Da mesma forma o Bobo de Shakespeare, portanto tamb&amp;#233;m o de Kurosawa, tamb&amp;#233;m n&amp;#227;o espera alguma recompensa sen&amp;#227;o o cumprimento do seu dever de fidelidade ao rei, mesmo quando isto resulta em seu preju&amp;#237;zo pessoal e no &amp;#243;dio do restante da corte. O Bobo &amp;#233; aquele que se arrisca a ser o bom conselheiro, ainda que numa linguagem criptogr&amp;#225;fica e confusa. &amp;#201; curioso o paralelo com algumas refer&amp;#234;ncias de Thomas Morus na parte inicial da Utopia, na qual ele recomenda a quem tem talento e vis&amp;#227;o n&amp;#227;o se tornar um &amp;#225;ulico:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Quanto aos conselhos dos reis, eis aproximadamente a sua composi&amp;#231;&amp;#227;o: Uns se calam por in&amp;#233;pcia, e teriam mesmo grande necessidade de ser aconselhados. Outros, s&amp;#227;o capazes, e sabem que o s&amp;#227;o; mas partilham sempre do parecer do preopinante, que est&amp;#225; em melhores gra&amp;#231;as, e aplaudem, com entusiasmo, as pobres imbecilidades que este entende desembuchar; esses vis parasitas s&amp;#243; t&amp;#234;m uma finalidade: ganhar, por uma baixa e criminosa lisonja, a prote&amp;#231;&amp;#227;o do primeiro favorito. Os outros, s&amp;#227;o escravos de seu amor pr&amp;#243;prio e escutam apenas a pr&amp;#243;pria opini&amp;#227;o, o que n&amp;#227;o &amp;#233; de admirar, pois a natureza insufla cada um a afagar com amor os produtos de sua inven&amp;#231;&amp;#227;o. &amp;#201; assim que o corvo sorri &amp;#224; sua ninhada, e o macaco aos seus filhotes. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; &amp;#201; a incapacidade da raz&amp;#227;o, dos valores elevados, da an&amp;#225;lise desvinculada dos interesses pessoais e imediatas que torna o Bobo necess&amp;#225;rio, j&amp;#225; que traz &amp;#224; tona como uma a&amp;#231;&amp;#227;o demente as &amp;#250;nicas respostas que tem liga&amp;#231;&amp;#227;o com o sentido universal das quest&amp;#245;es. Em particular numa sociedade dessacralizada, tecnocr&amp;#225;tica, na qual n&amp;#227;o h&amp;#225; qualquer tipo de transcend&amp;#234;ncia, n&amp;#227;o &amp;#233; de se admirar que este papel d guardi&amp;#227;oda verdade mais elevada do Bobo seja incapaz de ser compreendido e ele seja visto apenas como mais um &amp;#225;ulico tentando agradar aos poderosos, assim como certa singeleza da a&amp;#231;&amp;#227;o de Ant&amp;#237;gona, a perder a vida apenas para cumprir um dever sagrado seja tampouco compreendido em sua simplicidade, geralmente confundido com alguma postura revolucion&amp;#225;ria.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Wed, 17 Sep 2008 16:33:54 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Horário Eleitoral na Grécia Antiga</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/raphael30.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 10px 10px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px&quot; height=&quot;183&quot; alt=&quot;A Escola de Athenas, de Rafael&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/raphael30_thumb.jpg&quot; width=&quot;244&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ant&amp;#237;gona - &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;...a Justi&amp;#231;a, a deusa que habita com as divindades subterr&amp;#226;neas, jamais estabeleceu tal decreto entre os humanos; nem eu creio que teu &amp;#233;dito tenha for&amp;#231;a bastante para conferir a um mortal o poder de infringir as leis divinas, que nunca foram escritas, mas s&amp;#227;o irrevog&amp;#225;veis; n&amp;#227;o existem a partir de ontem, ou de hoje; s&amp;#227;o eternas, sim! e ningu&amp;#233;m sabe desde quando vigoram! Tais decretos, eu, que n&amp;#227;o temo o poder de homem algum, posso violar sem que por isso me venham a punir os deuses! &lt;/em&gt;(&lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;Ant&amp;#237;gona&lt;/span&gt;, &lt;strong&gt;S&amp;#243;focles&lt;/strong&gt;) &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; Repete-se a ponto de ter se tornado lugar comum a exalta&amp;#231;&amp;#227;o aos m&amp;#250;ltiplos legados da Gr&amp;#233;cia Cl&amp;#225;ssica, em particular citando os dois mais destacados: a Filosofia e a Democracia. O senso comum perde muito da riqueza desta heran&amp;#231;a ao n&amp;#227;o ver que estes dois ramos constru&amp;#237;ram-se em profunda oposi&amp;#231;&amp;#227;o um ao outro. Da mesma forma quem v&amp;#234; as costumeiras m&amp;#225;scaras simbolizando a trag&amp;#233;dia e a com&amp;#233;dia poucas vezes se d&amp;#225; conta do intenso debate pol&amp;#237;tico travado atrav&amp;#233;s destes g&amp;#234;neros. &lt;!--break--&gt;&lt;a href=&quot;http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=504FDS003&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Artigo publicado no Observat&amp;#243;rio da Imprensa&lt;/a&gt; &lt;!--break--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=504FDS003&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;img title=&quot;Artigo publicado no Observat&amp;#243;rio da Imprensa&quot; style=&quot;margin: 0px 5px 0px 0px&quot; alt=&quot;Artigo publicado no Observat&amp;#243;rio da Imprensa&quot; src=&quot;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/images/logo_OI12anos.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;&lt;/a&gt;   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A hip&amp;#243;tese de que a trag&amp;#233;dia era patrocinada pelas fac&amp;#231;&amp;#245;es aristocr&amp;#225;ticas gregas por este seu princ&amp;#237;pio de que h&amp;#225; uma ordem no universo que n&amp;#227;o pode ser violada sem trazer conseq&amp;#252;&amp;#234;ncias terr&amp;#237;veis parece ser muito real. &amp;#201; verdade, contudo, que as fac&amp;#231;&amp;#245;es democr&amp;#225;ticas patrocinavam a com&amp;#233;dia, destinada a satirizar as personagens pol&amp;#237;ticas, particularmente as aristocr&amp;#225;ticas, portanto ambas estavam contaminadas pela disputa pol&amp;#237;tica. &amp;lt;--break--&amp;gt;   &lt;br /&gt;A oposi&amp;#231;&amp;#227;o entre a trag&amp;#233;dia universalista, aristocr&amp;#225;tica, conservadora e a com&amp;#233;dia particularista, burguesa, democr&amp;#225;tica poderia ser exemplificada por in&amp;#250;meros elementos. Um s&amp;#243; j&amp;#225; destaca esta natureza complementar: o j&amp;#250;ri das trag&amp;#233;dias, nos festivais, era formado por cinco s&amp;#225;bios de distin&amp;#231;&amp;#227;o escolhidos entre as fam&amp;#237;lias aristocr&amp;#225;ticas, enquanto os cinco ju&amp;#237;zes das com&amp;#233;dias eram pessoas sorteadas entre os cidad&amp;#227;os como forma de representar o gosto da multid&amp;#227;o, do homem comum.   &lt;br /&gt;Esta distin&amp;#231;&amp;#227;o torna-se ainda mais significativa na medida em que estas formas de escolha ser&amp;#227;o tamb&amp;#233;m o centro das grandes pol&amp;#234;micas entre os fil&amp;#243;sofos aristocratas e os pol&amp;#237;ticos democratas quanto a forma de ocupar cargos p&amp;#250;blicos. Enquanto &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt;, em especial, ironizava o fato de ser exigido de um homem preparo para treinar um cavalo mas n&amp;#227;o para dirigir uma cidade, no apogeu da democracia grega v&amp;#225;rios cargos eram ocupados por sorteio, visto ser esta a &amp;#250;nica forma na qual cada cidad&amp;#227;o teria as mesmas chances de ser eleito.   &lt;br /&gt;N&amp;#227;o &amp;#233; &amp;#224; toa que o democr&amp;#225;tico &lt;strong&gt;Arist&amp;#243;fanes&lt;/strong&gt;, na sua pe&amp;#231;a de maior repercuss&amp;#227;o &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;As Nuvens &lt;/span&gt;satiriza o aristocr&amp;#225;tico &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt;, justamente naquilo que &amp;#233; mais caro ao fil&amp;#243;sofo: o treino da juventude nobre nas artes do racioc&amp;#237;nio e da argumenta&amp;#231;&amp;#227;o. No di&amp;#225;logo &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;G&amp;#243;rgias&lt;/span&gt;, contudo, &lt;strong&gt;Plat&amp;#227;o&lt;/strong&gt; atribui a &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt; uma cr&amp;#237;tica demolidora da ret&amp;#243;rica. Segundo ele a ret&amp;#243;rica estava para a pol&amp;#237;tica assim como a culin&amp;#225;ria estava para a medicina, ou seja, era uma substitui&amp;#231;&amp;#227;o do objetivo de buscar a verdade, o melhor, o equil&amp;#237;brio pelo prazer moment&amp;#226;neo e ef&amp;#234;mero.   &lt;br /&gt;Nas palavras de &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt;, segundo &lt;strong&gt;Plat&amp;#227;o&lt;/strong&gt; a ret&amp;#243;rica   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;com os interesses superiores do homem n&amp;#227;o se preocupa no m&amp;#237;nimo, mas vale -se do prazer como de isca para a ignor&amp;#226;ncia, enganando-a a ponto de parecer-lhe de muito maior valia. Foi assim que a culin&amp;#225;ria se insinuou na medicina, pretendendo conhecer os mais saud&amp;#225;veis alimentos para o corpo, de forma que se o m&amp;#233;dico e o cozinheiro tivessem de entrar num concurso em que crian&amp;#231;as fossem ju&amp;#237;zes, sobre quem mais entendesse da excel&amp;#234;ncia ou da nocividade dos alimentos, o cozinheiro ou o m&amp;#233;dico, este morreria de fome.    &lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; N&amp;#227;o deixa de ser paradoxal que &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt; e ainda mais seu disc&amp;#237;pulo Plat&amp;#227;o estejam entre os maiores advers&amp;#225;rios da ret&amp;#243;rica ainda que uma &lt;em&gt;dissid&amp;#234;ncia&lt;/em&gt; da fac&amp;#231;&amp;#227;o aristocr&amp;#225;tica de Arist&amp;#243;teles tenha acabado por adotar uma vis&amp;#227;o da ret&amp;#243;rica que assemelhasse &amp;#224; caricaturada por &lt;strong&gt;Arist&amp;#243;fanes&lt;/strong&gt;. Ali&amp;#225;s, olhando a quest&amp;#227;o por este lado nem &amp;#233; estranho que &lt;strong&gt;Arist&amp;#243;teles&lt;/strong&gt; tenha se aliado politicamente &amp;#224;queles que ir&amp;#227;o destruir as fac&amp;#231;&amp;#245;es pelo controle militar da Gr&amp;#233;cia enfraquecida pelas disputas e, ainda mais, ser&amp;#225;aos valores tradicionais invocados antes pelos aristocratas que apelar&amp;#225; o &amp;#250;ltimo grande orador democr&amp;#225;tico grego &lt;strong&gt;Dem&amp;#243;stenes&lt;/strong&gt;.   &lt;br /&gt;Mas, voltando &amp;#224; trag&amp;#233;dia e &amp;#224; com&amp;#233;dia, n&amp;#227;o se encontrar&amp;#225; um texto de trag&amp;#233;dia na qual n&amp;#227;o esteja em posi&amp;#231;&amp;#227;o central esta id&amp;#233;ia cara &amp;#224; aristocracia de que h&amp;#225; uma ordem no mundo a qual ningu&amp;#233;m pode escapar e que portanto cada um &amp;#233; para o que nasce, como dizem as ceguinhas de Campina Grande citando o ditado.   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem mesmo nos textos cujo conte&amp;#250;do profundamente revolucion&amp;#225;rio &amp;#233; evidente em particular &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;Ant&amp;#237;gona&lt;/span&gt; e &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;Prometeu Acorrentado &lt;/span&gt;a no&amp;#231;&amp;#227;o da exist&amp;#234;ncia de uma ordem superior &amp;#224; qual nem mesmo os deuses podem escapar. &lt;strong&gt;Prometeu&lt;/strong&gt;, por exemplo, responde a &lt;strong&gt;Hermes&lt;/strong&gt; que ele ir&amp;#225; aprender quando o deus diz ao tit&amp;#227; que &lt;em&gt;ai de mim! &lt;/em&gt;&amp;#233; uma express&amp;#227;o que &lt;strong&gt;Zeus&lt;/strong&gt; n&amp;#227;o conhece. &lt;strong&gt;Creonte&lt;/strong&gt; aprende que h&amp;#225; um pre&amp;#231;o alto a ser pago pela tirania, ou seja, pelo exerc&amp;#237;cio ileg&amp;#237;timo do poder pol&amp;#237;tico e pelo desrespeito de valores estabelecidos pelos deuses.   &lt;br /&gt;Ao mesmo tempo a com&amp;#233;dia n&amp;#227;o ironiza tanto os valores tradicionais em si, mas antes a hipocrisia de uma aristocracia corrompida que j&amp;#225; n&amp;#227;o faz jus aos valores de educa&amp;#231;&amp;#227;o, temperan&amp;#231;a e piedade que embasam sua posi&amp;#231;&amp;#227;o superior, invocando assim apenas os direitos, mas n&amp;#227;o os deveres devidos a sua posi&amp;#231;&amp;#227;o. &lt;span style=&quot;font-weight: bold&quot;&gt;   &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Lis&amp;#237;strata&lt;/strong&gt; reclama que se fosse para um bacanal nem precisaria ter convidado as mulheres, mas como as chamava pra discutir assunto s&amp;#233;rio poucas apareceram, sem dizer que ao final vence a todos pelo apelo ao prazer. Assim Estreps&amp;#237;ades o pai que contrata S&amp;#243;crates, n&#039;As Nuvens para tentar treinar o filho pregui&amp;#231;oso para a carreira na pol&amp;#237;tica lamenta-se:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pelos deuses! As coisas por aqui\Eram bem diferentes, certamente\Nos velhos tempos, antes dessa guerra! \Maldita guerra! Arruinou Atenas.\N&amp;#227;o se pode sequer, de agora em diante,\Chibatear sem d&amp;#243; nossos escravos     &lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt; &amp;gt;Para &lt;strong&gt;Hauser&lt;/strong&gt; h&amp;#225; um progressivo avan&amp;#231;o das tend&amp;#234;ncias democr&amp;#225;ticas tanto na com&amp;#233;dia quanto na trag&amp;#233;dia, o qual reflete-se sobretudo na transi&amp;#231;&amp;#227;o do formalismo caracter&amp;#237;stico de uma vis&amp;#227;o de mundo aristocr&amp;#225;tica para o naturalismo mais ao gosto burgu&amp;#234;s. Particularmente ele destaca a import&amp;#226;ncia das fontes de financiamento seja atrav&amp;#233;s dos cofres p&amp;#250;blicos ou de doa&amp;#231;&amp;#245;es dos particulares ricos a qual acaba resultando na exclus&amp;#227;o da massa de um poder decisivo no processo de escolha. Para ele h&amp;#225; uma contradi&amp;#231;&amp;#227;o latente, em especial na trag&amp;#233;dia, na medida em que ela parte de um fundo mitol&amp;#243;gico tradicional mas deve agradar a uma massa popular ainda que em um certo sentido tamb&amp;#233;m elitizada, particularmente em Atenas por conta dos recursos do imperialismo.   &lt;br /&gt;&amp;#201; preciso notar, contudo, que a &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;Medeia&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;&lt;/span&gt; de &lt;strong&gt;Eur&amp;#237;pedes&lt;/strong&gt; n&amp;#227;o foi bem aceita tanto pelo p&amp;#250;blico quanto pela cr&amp;#237;tica por romper diversos c&amp;#226;nones formais da trag&amp;#233;dia. E entre esta trag&amp;#233;dia de transi&amp;#231;&amp;#227;o e o &lt;span style=&quot;text-decoration: underline&quot;&gt;&amp;#201;dipo Rei&lt;/span&gt; de &lt;strong&gt;S&amp;#243;focles &lt;/strong&gt;em certo sentido seu oposto na medida em que &amp;#233; o padr&amp;#227;o h&amp;#225; apenas 3 anos de diferen&amp;#231;a.   &lt;br /&gt;Tamb&amp;#233;m n&amp;#227;o deixa de ser fato curioso que &lt;strong&gt;S&amp;#243;crates&lt;/strong&gt; seja um personagem favorito a ser ironizado nas com&amp;#233;dias, ao mesmo tempo que a cr&amp;#237;tica moderna em especial &lt;strong&gt;Nietzsche&lt;/strong&gt; e em menor escala &lt;strong&gt;Ortega y Gasset &lt;/strong&gt;o apontem como o representante da anti-trag&amp;#233;dia, na medida em que invocaria um papel central &amp;#224; raz&amp;#227;o deslocando aquilo que &lt;strong&gt;Nietszche&lt;/strong&gt; chama de amor ao destino.   &lt;br /&gt;Postura esta que n&amp;#227;o deixa de parecer paradoxal porque a menos nos momentos pr&amp;#233;-&lt;strong&gt;Eur&amp;#237;pedes&lt;/strong&gt; os infort&amp;#250;nios do her&amp;#243;i jamais s&amp;#227;o casuais, mas antes marcados por uma l&amp;#243;gica que, mesmo arbitr&amp;#225;ria, faz sentido. Um dos c&amp;#226;nones da trag&amp;#233;dia que Eur&amp;#237;pides viola, por sinal, &amp;#233; exatamente a no&amp;#231;&amp;#227;o de que a desventura do her&amp;#243;i no momento da perip&amp;#233;cia n&amp;#227;o deve ser casual, mas provocada por uma a&amp;#231;&amp;#227;o dele mesmo que em algum grau n&amp;#227;o deliberada. Correndo o risco de estender demais para al&amp;#233;m do assunto parece relevante notar que as conseq&amp;#252;&amp;#234;ncias funestas da inobserv&amp;#226;ncia de algum rito, mesmo quando esta omiss&amp;#227;o &amp;#233; involunt&amp;#225;ria&amp;#183; &amp;#233; tema recorrente de in&amp;#250;meras mitologias.   &lt;br /&gt;Em um momento no qual somos confrontados com a barb&amp;#225;rie de disputas pol&amp;#237;ticas no gigantesco anfiteatro da televis&amp;#227;o durante o hor&amp;#225;rio eleitoral n&amp;#227;o deixa de representar um terror adicional sabermos quehouve um momento no qual a partir da mat&amp;#233;ria prima tradicional produzia-se um material que at&amp;#233; podia ser pol&amp;#237;tico e marcado pelas facciosidades da &amp;#233;poca, sim, mas guardavam uma profunda reflex&amp;#227;o sobre a natureza do homem. Nestes 2500 anos a pol&amp;#237;tica deixou de ser algo &lt;em&gt;sagrado&lt;/em&gt; -no melhor sentido do termo para virar uma disputa bestial e bestial aqui talvez n&amp;#227;o seja for&amp;#231;a de express&amp;#227;o.   &lt;br /&gt;Por mais que o quadro pare&amp;#231;a uma com&amp;#233;dia no sentido atual e n&amp;#227;o cl&amp;#225;ssico do termo, ele &amp;#233; na verdade tr&amp;#225;gico. Tal como para o protagonista da trag&amp;#233;dia grega &amp;#233; preciso dizer que esta situa&amp;#231;&amp;#227;o n&amp;#227;o &amp;#233; algum arb&amp;#237;trio dos deuses, &amp;#233; antes o resultado das nossas a&amp;#231;&amp;#245;es de desvelo, descaso, omiss&amp;#245;es e a&amp;#231;&amp;#245;es.&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Mon, 15 Sep 2008 02:37:52 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Caso Isabela: fatalismo x políticas públicas</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/caso_isabela_fatalismo_x_politicas_publicas</link>
 <description>&lt;p&gt;A violência contra a criança está na ordem do dia da sociedade com o Caso Isabela, que vem ocupando grande parte do noticiário na TV, rádio e jornais. No jornal Folha de São Paulo de hoje Carlos Heitor Cony faz uma comparação entre este caso específico e as notícias que comumente ocupam o noticiário policial. Cony escreve:&lt;br /&gt;
“Em tempos outros, anteriores à violência urbana, às balas perdidas e às tropas de elite, volta e meia havia casos assim, escabrosos. Homens que serravam mulheres e as colocavam dentro da mala ou as enterravam no quintal, tarados seriais que nem iam para a cadeia, mas para hospitais psiquiátricos (...) Eram crimes personalizados e, por isso, mais horripilantes. Tal como o da menina que foi atirada ou caiu da janela. A culpa não é social. É dolorosamente humana.”&lt;br /&gt;
Com todo respeito que tenho pelo cronista quero discordar da análise feita por ele. Por mais que existam os componentes pessoais, psicológicos em casos com este há sim causas sociais motivando muitos destes crimes. E se há causa social a questão é passível de ser enfrentada pela Estado através de políticas públicas que ajudem a identificar, prevenir e controlar a violência contra as crianças.&lt;br /&gt;
&lt;!--break--&gt;&lt;br /&gt;
Em todo o mundo, em especial nos países desenvolvidos, tem aumentado os casos deste tipo de violência contra crianças e adolescentes. Ao lado de distúrbios psiquiátricos e outros desarranjos de natureza psicológica tem aumentado o número de casos em que situações de extrema violência ocorrem de forma banal e por motivos fúteis, tanto em termos de violência domésticas, cm na pedofilia e nos casos de bullying ou de reações violentas ao bullying como no Caso Columbine.&lt;br /&gt;
A escalada da violência contra as crianças é um sintoma de uma doença social, que deve ser diagnosticada e tratada pelo bem do nosso futuro.&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar temos de reconhecer que apesar da superexposição do assunto na imprensa a abordagem do assunto tem contribuído muito pouco com uma discussão mais séria do assunto. Mesmo ocupando longas horas e páginas d noticiário, todo o espaço tem sido ocupado na descrição de procedimentos jurídicos ou forenses e depoimentos emocionais.&lt;br /&gt;
Esta exploração dos fatos cria o paradoxo de ao invés de se enfrentar a violência ela seja estimulada. Ao invés de estimular a reflexão sobre as raízes desta violência contra as crianças a superficialidade da imprensa tem estimulado a formação de turbas raivosas propensas a um linchamento.&lt;br /&gt;
Em segundo lugar é necessário aprender com as experiências, aprimorar as ferramentas que já existem. É este aprendizado que faz com que a tragédia não seja em vão, porque quando se aprende com as lições dos erros e omissões se retira mesmo das piores experiências alguns ensinamentos.&lt;br /&gt;
Tanto no caso da empresária que torturou inúmeras crianças e adolescentes em Goiás com no caso de Isabela havia antecedentes de agressões ou suspeitas registrados em boletins de ocorrência. A Sociedade Brasileira de Pediatria chegou a editar um manual para que suspeitas de violência domésticas possam ser identificadas e possam ser recomendadas providências. Creches e escolas podem ser também pontos de detecção e enfrentamento destas suspeitas e ameaças se os funcionários tiverem o treinamento adequado. Além disso, a Lei Maria da Penha oferece um importante arcabouço jurídico para enfrentar a violência doméstica, embora ainda seja pouco conhecida dos cidadãos.&lt;br /&gt;
Por fim é preciso ir mais fundo nesta questão da violência doméstica, em particular da violência contra a criança esforçando por eliminar a violência latente na sociedade, estimulando as formas pacíficas de resolução de conflitos pelo diálogo – como fazem os círculos de Justiça restaurativa, por exemplo, estimulando as pessoas a enxergar e entender o outro ao invés de permanecerem insuladas em si mesmas.&lt;br /&gt;
É a partir deste esforço passaremos da visão fatalista segundo a qual casos como de Isabela são inevitáveis para a visão de que é possível prevenir e controlar a violência doméstica através de políticas públicas.&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Thu, 17 Apr 2008 18:20:32 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Revoluções, evoluções e involuções</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/revolucoes_evolucoes_e_involucoes</link>
 <description>&lt;p&gt;A primeira vez que li George Orwell estava ainda na infância. Familiares decidiram que A Revolução dos Bichos era uma leitura interessante para me curar das minhas precoces inclinações comunistas. Li e gostei do livro, mas o remédio não teve o efeito previsto, tanto que alguns anos depois, com 13 anos tornei-me militante de um PCdoB que ainda se orgulhava de ser stalinista e ainda na ilegalidade, mesmo que já fora dos períodos mais sérios da ditadura militar.&lt;br /&gt;
Lembrei-me desta história nestes dias relendo Lutando na Espanha – relato de Orwell sobre a sua experiência na Guerra Civil Espanhola - e a coletânea de ensaios Dentro da Baleia.  Orwell tem a capacidade de chamar a minha atenção e proporcionar-me o prazer da leitura até mesmo quando ataca coisas nas quais acredito. Em Dentro da baleia ele desmonta vários de meus autores preferidos – Tolstoi, Russel e Swift em especial – ainda assim lá estou lendo pela enésima vez lendo e refletindo sobre os textos, até dando razão a algumas das críticas feitas. Minha consolação vem em parte do fato de que lá no fundo, nas entrelinhas, há muita admiração e respeito de Orwell pelos mitos pelos ícones que ele se propõe a destruir, talvez seja isto que faça a análise dele ser repleta de sinceridade e portanto de verdade e beleza.&lt;br /&gt;
Revolução dos Bichos, Lutando na Espanha e 1984 são um mesmo livro contando a história de formas deferem relato da guerra civil espanhola é a matriz na qual os outros foram plasmados, é uma descrição que impulsiona as narrativas nas quais o resultado daquelas práticas que ele denuncia vão gerando outros cenários. Há casos nos quais se percebe como os indivíduos da fábula foram decalcados a partir de personagens da vida real. Sansão, o cavalo fiel e batalhador que toma com motto “O camarada Napoleão tem sempre razão” é um é moldado em um dos milicianos com quem ele se encanta nas trincheiras da Catalunha.&lt;br /&gt;
Ele não enxerga estes dois militantes dedicados com desprezo, por mais profunda que seja a crítica às vãs esperanças que motivam os dois personagens. Sobre o personagem de Lutando na Espanha ele afirma:&lt;br /&gt;
“Era um moço de seus vinte e cinco anos de idade, com expressão carrancuda, espadaúdo, cabelo meio avermelhado e louro. O quepe de couro, de bico, estava repuxado de modo feroz sobre um dos olhos, e de perfil para mim, tinha o queixo encostado ao peito, olhando com perplexidade um mapa que um dos oficiais abrira sobre a mesa. Alguma coisa, em sua expressão fisionômica, causou-me profunda emoção. Era o rosto de um homem que assassinaria outro, ou daria sua própria vida por um amigo, o tipo de rosto que se espera encontrar num anarquista, embora com toda a probabilidade ele fosse comunista. Encontravam-se, naquela expressão, candura e ferocidade ao mesmo tempo, bem como a reverência patética que os analfabetos possuem por aqueles que julgam seus superiores. Estava mais do que claro que ele não entendia patavina do mapa, cuja leitura e interpretação deviam, a seus olhos, constituir estupenda façanha intelectual. Eu não sei por que, mas poucas vezes vi alguém que me agradasse de modo tão imediato”.&lt;br /&gt;
Já sobre Sansão, a admiração de Benjamin, o burro, pelo cavalo é expressa de forma semelhante ao do autor. Por mais que deplorem a ilusão, admiram a força e até a ingenuidade do iludido tanto quanto odeiam o ilusor.&lt;br /&gt;
Neste sentimento mais de admiração que de desprezo pela “disciplina proletária” é que julgo que há a enorme diferença entre Orwell e outros tantos que denunciaram a manipulação dos dirigentes sobre os liderados. No passado a discussão política da esquerda chamava isto de stalinismo e o deplorava ou defendia, mas para muito além dos partidos comunistas foram se traçando com mais ou menos nuances estas práticas.&lt;br /&gt;
A diferença sensível é que muitas e muitas vezes esta denúncia da disciplina e do chamado “centralismo democrático” era no fundo aquilo mesmo que os defensores da medida – stalinistas em maior ou menor grau – diziam: uma aversão pequeno-burguesa à disciplina, de um lado, e um sentimento de superioridade de alguns indivíduos, particularmente os intelectuais diversos, sobre a massa do povo.&lt;br /&gt;
Estas discussões todas parecem ter ficado guardadas em algum baú de recordações do passado, de uma época em que estas questões todas passavam por inúmeras horas de discussão. Mas o pior é que não são, se na por outros motivos porque foi neste universo que surgiram e se formaram muitas das lideranças políticas que estão por aí – e não só as de esquerda, mas muitos, em especial os mais insignes, de direita.&lt;br /&gt;
O autoritarismo stalinista soçobrou, mas sob inúmeras formas e pretextos continua sendo cada vez mais o método de organização política mais efetiva e mais comumente colocado em prática por aí. Pior! As alternativas a ele são em geral coisas ainda piores e mais deploráveis, ou é o quadrilhismo puro e simples, ou o personalismo caudilhista ou uma mescla de sentimentos ressentidos envenenados até o cerne por sentimentos fascistas, fascistóides e preconceituosos.&lt;br /&gt;
A efetividade de algum tipo de “centralismo democrático” dá a quem o utiliza uma enorme vantagem sobre os grupos menos organizados e disciplinados, faz com que ativistas diversos em vários locais falem a mesma língua e compartilhem de um plano de ação comum, isto sem dúvida dá a eles uma enorme vantagem estratégica. O fluxo na direção contrária, da base par o topo da pirâmide, mesmo sempre sendo um aspecto secundário do centralismo democrático, mesmo quando utilizado de forma mutilada tem a vantagem de produzir informações, muitas vezes relativamente precisa. Mesmo com a prática de “decidir antes para depois fazer a reunião” tal método enquanto estratégia de combate é excelente.&lt;br /&gt;
Preocupa-me saber como este processo inevitavelmente termina como a história, inclusive a história recente do país, não cansam de dizer. Preocupa-me ainda mais a falta de alternativas a este processo.&lt;br /&gt;
Só me resta descobrir se esta desesperança este em mim ou está no mundo!&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Fri, 11 Apr 2008 17:27:12 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>A pena e a bomba</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/pena_e_bomba</link>
 <description>&lt;p&gt;Como disse outro dia, estou relendo &quot;O Crisântemo e a Espada&quot; - estudo sobre a cultura japonesa realizado pela antropóloga americana Ruth Benedict durante a segunda guerra mundial. Já na universidade sempre achava os livros de antropologia muito mais interessantes que os de Política ou Sociologia, ainda que em geral discordasse de muitos aspectos deles, o interessante livro da antropóloga não foge desta regra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos muitos aspectos relevantes do livro é que não é um estudo desinteressado, mas um levantamento cuidado feito a peio e com o patrocínio do Ministério da Guerra americano com o intuito de auxiliar na formulação da política americana em relação ao Japão durante e após a guerra. Algumas das perguntas que o estudo precisava responder eram quais seriam as melhores formas de redigir a propaganda atrás o front e avaliar quais seriam as dificuldades da invasão e capitulação. Não ficaria surpreso se o estudo não estivesse entre os argumentos que embasaram e &quot;justificaram&quot; o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki - lamentável acontecimento que faz aniversário nos próximos dias.
&lt;p&gt;Como disse outro dia, estou relendo &amp;quot;&lt;u&gt;O Crisântemo e a Espada&lt;/u&gt;&amp;quot; - estudo sobre a cultura japonesa realizado pela antropóloga americana &lt;strong&gt;Ruth Benedict&lt;/strong&gt; durante a segunda guerra mundial. Já na universidade sempre achava os livros de antropologia muito mais interessantes que os de Política ou Sociologia, ainda que em geral discordasse de muitos aspectos deles, o interessante livro da antropóloga não foge desta regra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos muitos aspectos relevantes do livro é que não é um estudo desinteressado, mas um levantamento cuidado feito a peio e com o patrocínio do Ministério da Guerra americano com o intuito de auxiliar na formulação da política americana em relação ao Japão durante e após a guerra. Algumas das perguntas que o estudo precisava responder eram quais seriam as melhores formas de redigir a propaganda atrás o front e avaliar quais seriam as dificuldades da invasão e capitulação. Não ficaria surpreso se o estudo não estivesse entre os argumentos que embasaram e &amp;quot;justificaram&amp;quot; o lançamento das bombas atômicas sobre &lt;em&gt;Hiroshima&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Nagasaki&lt;/em&gt; - lamentável acontecimento que faz aniversário nos próximos dias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parto desta aparente contradição para destacar o que considero um dos aspectos mais simplificadores do estudo de &lt;strong&gt;Ruth Benedict&lt;/strong&gt;: a oposição entre o crisântemo - a apurada e delicada preocupação estética japonesa - e a espada - a índole guerreira de seu povo. Também se poderia falar da pena e a bomba para descrever esta cooperação patriótica que coloca o estudo científico a serviço dos interesses militares sem ver qualquer tipo de conflito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É preciso lembrar - saindo do universo etnocêntrico americano - que a associação entre artes, em particular a poesia, e a guerra não é algo inusitado como ela defende nos pressupostos do estudo. Pelo contrário ao longo da história é praticamente o padrão que um mesmo segmento social se dedique às duas tarefas, muitas vezes de forma simultânea. Quase me sinto tentado a dizer que o ocidente a partir da Idade Moderna é que é a exceção à regra, hipótese que teria inclusive a explicação de que isto se deve à &amp;quot;&lt;em&gt;desaristrocratização&lt;/em&gt;&amp;quot; da guerra, popularizada pela conscrição e pela adoção da pólvora que passou a recrutar a população - e em geral segmentos marginais da população - ao invés de algum tipo de estrato guerreiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas sociedades hindus, por exemplo, tanto poetas como guerreiros pertencem à casta &lt;em&gt;xátria&lt;/em&gt; e as características dos dois papéis são consideradas inseparáveis, como o emocionalismo, a coragem, o preparo, a inspiração. No mundo budista, da mesma forma, há uma associação entre o preparo para a luta e a inspiração artística. Estadistas, generais, filósofos e poetas confundem-se em diversas culturas tradicionais como a islâmica, a greco-romana em seus momentos clássicos, a renascença italiana, na cultura provençal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como quase sempre somos melhores em enxergar o outro que a nós mesmos, não é estranho que ela não enxergue a conexão entre a ciência e a guerra que, de certa forma, marca a cultura ocidental. Ligação esta que não existe somente em termos de tecnologia - na qual as relações promíscuas entre ciência e guerra são evidentes - mas também em relação às humanidades. O papel da antropóloga no caso em questão é uma sofisticação do papel de auxiliar do colonialista que cientistas de humanidades desempenharam - em particular mas não só no século XIX. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Papel não só de justificar a colonização, mas de estudar as melhores formas de implementá-la, avaliar as ferramentas a serem utilizadas, estabelecer estratégias de dominação e controle e, por fim, treinar &amp;quot;elites&amp;quot; nativas ocidentalizadas para garantir que com a substituição as metrópoles tudo continuaria funcionando de forma integrada ao sistema econômico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muito de toa a rejeição ao ocidente que percorre o mundo - em particular o mundo islâmico - deriva destas estratégias coloniais e o fracasso estas &amp;quot;elites substitutas&amp;quot; ocidentalizantes - ainda que quando providas de um discurso de esquerda ou revolucionário, como &lt;strong&gt;Saddam Hussein&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outra importante posição que &lt;strong&gt;Benedict&lt;/strong&gt; vê e que é uma das teses centrais do estudo, a &amp;quot;explicação&amp;quot; das diferenças entre as duas nações - Estados Unidos e Japão - segundo ela é a oposição entre a visão orientada à igualdade como valor fundamental nos EUA e a estrutura fortemente hierarquizada do Japão. Assim colocada parece ser muito simpática a visão dela, fundamentada em grande parte na imagem que &lt;strong&gt;Tocqueville&lt;/strong&gt; teve da América, mas ignorando as advertências que o diplomata francês fazia sobre as conseqüências desta determinada visão de igualdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que pouca coisa do estudo sobrevive a um confronto com a realidade moderna. Na medida em que o amor pela igualdade transforma-se, como aliás previu &lt;strong&gt;Tocqueville&lt;/strong&gt;, numa imensa fraqueza e insulamento dos cidadãos que os torna frágeis frente ao Estado e às grandes corporações e a aversão a qualquer hierarquia transforma-se em dissolução da autoridade, horror ao mérito e elemento desagregador verifica-se que há algo de errado no modelo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É preciso pensar, então, em qual medida este ideal de igualdade não é um discurso servindo a outro interesse mais do que uma realidade. Há, aqui, uma conexão fundamental com a dissociação entre o crisântemo e a espada que a autora faz. Para ela o soldado é algum tipo grosseiro que vive em uma trincheira, portanto há uma enorme distância entre este elemento desagradável mas necessário e o guerreiro japonês, capaz de terrível crueldade mas também preocupado com a poesia e outras expressões estéticas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, ela própria é a pesquisadora, a aparentemente neutra cientista detentora do conhecimento e da técnica que pode colocar-se acima d qualquer critério, inclusive ético, para orientar a ação militar. Não há concepção de igualdade entre ela e o pobre soldado enlameado que luta nas ilhas do Pacífico e ela até permite-se certa justificativa romântica do tratamento cruel dos japoneses com os prisioneiros de guerra. Ao mesmo tempo que legitima a guerra em defesa de uma concepção de igualdade sente-se atraída pelas virtudes japonesas. Mereceia talvez um estudo antropológico a forma crescente pela qual o &amp;quot;país da igualdade&amp;quot; de direitos vem demonstrando crescente preocupação com as virtudes heróicas. O filme &amp;quot;&lt;em&gt;O último samurai&lt;/em&gt;&amp;quot;, por sinal, é quase uma reatualização dos valores demonstrados por Benedict, ver os dosi demonstra o quanto uma determinada concepção evolui em meio século.&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Wed, 01 Aug 2007 08:04:03 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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<item>
 <title>Educação, quantidade e qualidade</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/educacao_quantidade_e_qualidade</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Acima de tudo, precisarão de coisas que o dinheiro não poder comprar: idéias e coragem, determinação e disposição para auto-avaliação, reforçadas por um desejo de aventura e mudança&amp;quot; (&lt;strong&gt;Philip Coombs, &lt;/strong&gt;&lt;u&gt;A Crise Mundial da Educação&lt;/u&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos meus maiores esforços pessoais ao escrever nestes últimos tempos é garantir a sinceridade do que escrevo, não me autocensurar pelo fato das coisas que escrevo agora passam em certo grau a serem compromissos maiores, quase um programa de governo. Nem sempre é fácil porque tendo a fazer propostas radicais - no sentido original do termo de atacar a raiz das questões - em um momento no qual as pessoas tendem à superficialidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Revolto-me com o gosto das pessoas pela quantidade. Acho que há certo aspecto infantil nestas soluções quantitativas. Para a criança é relevante ter dezenas de brinquedos, ou livros e revistas, ou roupas, que jamais usará, porque ela confunde a posse com o usufruto. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também a maioria da população pensa de forma quantitativa, acha eu ter grandes prédios ou aumentar as verbas para isto ou aquilo será capaz de resolver o problema. Querem um grande prédio para uma escola, um hospital gigantesco, um enorme centro cultural - para só usar alguns exemplos concretos com os quais me deparei nos últimos meses - sem se importar se a escola realmente ensinará, se os postos de saúde locais não dariam um atendimento mais adequado ou se pequenos grupos ativos de cultura não teriam melhor efeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A imensa maioria dos homens públicos mima a criança-povo não só dando o que ela pensa que deseja, mas incentivando este desejo quantitativo. Às vezes por sem-vergonhice mesmo, porque grandes prédios significam cifrões na equação com as empreiteiras, mas às vezes pensam em construir o óbvio por pura falta de imaginação e criatividade mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando comecei na vida política a esquerda era, talvez, mais inteligente e menos esperta. Denunciava as &amp;quot;&lt;em&gt;obras faraônicas&lt;/em&gt;&amp;quot; dos governos como sendo más respostas às reais necessidades da população. Por malandragem ou covardia este discurso sumiu, assim como o que criticava o assistencialismo, o clientelismo, o paternalismo, todos devidamente legitimados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Revolta-me que a &amp;quot;grande idéia&amp;quot; corrente para educação seja construir prédios, dar merenda, uniforme e material escolar. Lamentável que o mesmo &lt;strong&gt;Anísio Teixeira&lt;/strong&gt; que me dá alento para pensar a educação seja usado como álibi para esta preocupação estritamente material. É típico do nosso tempo que ao sentido múltiplo de &amp;quot;&lt;em&gt;Educação Integral&lt;/em&gt;&amp;quot; seja dado só o se sentido material, mas não é de forma alguma inevitável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando &lt;strong&gt;Philip Coombs&lt;/strong&gt; - que foi da Unesco como &lt;strong&gt;Teixeira&lt;/strong&gt; - escreveu em 1968 sobre a crise mundial da educação já antevia muitas dificuldades que seriam geradas pelo processo de universalização do ensino que corria pelo mundo. Uma das chaves das suas propostas era criatividade e outra avaliação permanente, ao lado disso falava de combater a inércia tanto interna como externa ao sistema, destacando que a relação entre escola e sociedade deveria ser dialética, ou seja a escola deveria não só atender às demandas da sociedade, mas ser capaz de contribuir para que estas demanda fossem as mais adequadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Julgo que um dos mais graves erros da esquerda em termos de educação foi menosprezar e desmantelar a educação técnica de qualidade. Há um grande esforço nos últimos anos para recuperar isto,mas só muito recentemente se pensa no assunto de uma forma mais adequada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a crise da educação é também sintoma da crise de autoridade generalizada. Resgatar o papel e a autoridade do mestre, que tanto descaso de um lado, teorias pretensamente alternativas&amp;quot; e desvalorização profissional de outro desgastaram. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O corporativismo, que é a espécie mais danosa da inércia interna, tem sido o grande elemento de reação a qualquer mudança. Em uma máquina do tamanho da educação estadual em São Paulo imagino que é uma força incapaz de ser enfrentada com eficiência. Certamente é uma pena, mas se houver meio de evitar que as boas experiências,as iniciativas pessoais e os esforços das pequenas minorias de mestres já se conseguirá muita cosia. Infelizmente a boa vontade, a dedicação e até a abnegação não tem como serem induzidos por políticas públicas, mas cabe esperar que ao menos elas não sejam punidas, o que já é grande coisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Avaliações, as temos aos montes, mas elas são hoje apenas números mortos, atestados de óbito da nossa educação e futuro. Resta esperar que sejam exumadas para servir de ferramenta às mudanças que são necessárias. Nem que seja para demonstrar o que não está funcionando e a inutilidade de merendas, uniformes e prédios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Tue, 31 Jul 2007 08:07:03 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Reflexões de aniversário</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/reflexoes_de_aniversario</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;Contra o que se sóe julgar, é a criatura de seleção, e não a massa, quem vive em essencial servidão. Não saboreia sua vida se não a faz consistir em serviço para algo transcendente. Porisso não considera a necessidade de servir como uma opressão. Quando esta, por azar lhe falta, sente desassossego e inventa novas normas, mais difíceis, mais exigentes, que o oprimam. Isto é a vida como disciplina - a vida nobre -. A nobreza define-se pela exigência, pelas obrigações, não pelos direitos.&amp;quot; &lt;/em&gt;(&lt;strong&gt;Ortega y Gasset&lt;/strong&gt;, &lt;u&gt;A Rebelião das Massas&lt;/u&gt;)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Todos os que proclamam algum processo de elevação espiritual como algum tipo de processo mágico jamais poderão ser capazes d sentir a satisfação e o efeito das pequenas ações cotidianas que marcam a caminho longo deste processo e estão acessíveis a qualquer um capaz de um mínimo de disciplina. Falo isto para justificar este meu post de aniversário, afinal uma das ações que tem sido mais relevantes para a minha vida tem sido planejar minha ações a cada dia e fazer o balanço do que consigo ou não realizar e porque no final do dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta contabilidade da vida, seguindo os fluxos naturais de dia, semana, mês, ano, nos ajudam a assumir o controle da própria vida, a não ser apenas reativo ao que ocorre, mas tomar a frente de nosso destino. Ao mesmo tempo a avaliação constante nos ajuda a ver onde e porque falhamos - partindo do princípio, claro, que somos capazes de sermos sincero conosco, o que por si só é um desafio. Libertar-se da postura estéril de culpar-se para tomar a posição de avaliação do que precisa ser corrigido e melhorado é por si só um elemento de separação entre elite e massa, afinal nada mais simples que culpar-se, portanto se punir, ao invés de fazer o esforço para corrigir-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que em poucos momentos da minha vida evolui tanto quanto neste período entre meus dois aniversários. Passei a compreender de fato, no coração, questões que compreendia só em tese. Libertei-me de boa parte das ambições e ao livrar-me delas, suponho, coloquei-me à altura de enfrentar desafios maiores. Penso que me libertei também de muitas fraquezas, como o desejo de agradar e a preocupação excessiva - diria quase &amp;quot;&lt;em&gt;nipônica&lt;/em&gt;&amp;quot; lembrando-me do livro de &lt;strong&gt;Ruth Benedict&lt;/strong&gt; &amp;quot;&lt;u&gt;O Crisântemo e a espada&lt;/u&gt;&amp;quot;, que ando relendo - com a reputação. Ser capaz de livrar-me destas cadeias me deixou mais sincero comigo mesmo e com os outros, menos infenso a tentar temperar minhas opiniões e ações segundo a vontade alheia. Esta servidão à própria imagem não deixa de ser ao mesmo tempo uma escravidão e uma idolatria ao próprio ego, conclui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que estas reflexões tiveram um papel fundamental nesta imensa parte de mim que sempre foi a vocação política ter voltado a ser um território habitado. Foi preciso que eu a tivesse deixado de lado, como mera tarefa profissional - a ser cumprida da melhor forma como qualquer tarefa, mas sem paixão - tivesse resistido a todos os cantos de sereia do Coronel Kurtz, já tivesse optado por ser outra coisa, enfim tivesse me libertado desta paixão. Então as circunstâncias atropelaram minhas opções com novas e jamais pensadas oportunidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo em que surgiram oportunidades já esquecidas, eram resgatadas pelas circunstâncias estes sonhos, tudo parecia ao mesmo tempo novo e inesperado e renascido do passado. Mas, por paradoxal que seja, e como se eu soubesse que seria assim, cada passo foi imaginado, previsto, construído. Não imagino que este processo pode ser descrito de forma adequada, mas achei uma descrição bem satisfatória revendo a série de entrevistas de &lt;strong&gt;Joseph Campbell&lt;/strong&gt; - que tem o título de seu livro mais conhecido &amp;quot;&lt;u&gt;O Poder do Mito&lt;/u&gt;&amp;quot; - quando o antropólogo fala de um momento em nossa vida que parece justificar nossa existência até então, que dá ordem a todo processo caótico que nos levou até aquele momento, como se toda nossa vida tivesse a finalidade de nos preparar para aquele momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;Márcia&lt;/strong&gt; tem sido a grande parceira neste processo todo, juntos enfrentamos os momentos ruins e os bons momentos, as vitórias e conquistas. E sem dúvida ás vezes estes últimos são muito mais difíceis de serem enfrentados. Ainda mais quando as vitórias exigem um grau de dedicação ao trabalho e esforço muito acima da que seria exigida de um trabalho qualquer. A tranqüilidade que ela me dá para cumprir meu destino e mais do que extraordinária ou imaginável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Curioso que jamais tenhamos discutido, nem nos bons nem nos melhores momentos destes meses todos. E esta ausência de discussão por menor que seja não é pelo motivo esperado, pela nossa capacidade mútua de dialogar sobre tudo, de conversar com calma, não se chegou jamais a um momento no qual esta disposição para o diálogo teve de ser sacada e utilizada. Bastou a empatia, a capacidade de sentir o outro e identificar-se com ele para que tudo fluísse com incrível calma e naturalidade - toda tensão colocada no lugar certo, no momento certo, aonde ela realmente é útil. Em outras palavras, há calma não pela frieza ou ausência de emoções ou excesso de racionalidade, há calma justamente porque se transcende tudo isto em um outro grau de via compartilhada. Nem estranho quando tantos comentam nossas semelhanças, até físicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas houve metas nas quais fracassei e falhas. A principal delas foi, na minha avaliação, não ser capaz ainda de atingir aquela superação da raiva e do ódio, até da vingança. Sei que o bom guerreiro é capaz de lutar sem nenhuma paixão, sem ódio àquele que enfrenta. Aliás nenhuma religião tradicional elimina a luta, o conflito, mesmo o extremamente pacífico Jesus que prega santidade diz que não veio trazer a paz, mas a espada. Todas as fés nos ensinam a lutar contra o mal, a começar pelo mal dentro de nós. Mas toda exigem a disciplina de não lutar com ódio ou medo, porque neste caso estaríamos de fato lutando nas fileiras contrárias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A satisfação toda que senti, por exemplo, com a queda e humilhação de pessoas que me perseguiram, por exemplo, não pode ser um sentimento positivo. Eu ter expressado claramente minha satisfação e até participado de algumas correntes de comentários e boatos foi algo que fez com que depois eu me sentisse fraco e indigno do papel que imagino para mim. Certamente não devia ter sido hipócrita somando-me a muitos que aparentavam um pesar que não tinham, mas também não deveria ter me somado aos que festejavam cada notícia envolvendo o nome do perseguidor em um escândalo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deveria, antes, ter me considerado contemplado e protegido por ter sido afastado de um lugar onde os relâmpagos da desonram caíram muitas vezes. Eu mesmo sempre havia dito a vários amigos, em especial à Renilde, que Deus havia sempre me concedido servir apenas a pessoas sérias e jamais ter sido confronto com algum dilema ético. No nível racional compreendi que todos os dissabores que passei tinham uma finalidade maior, mas creio que no coração a lição não foi totalmente absorvida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo cheguei a um grupo político no qual este tipo de compreensão é absolutamente essencial. Grupo perseguido, humilhado, traído, atacado duramente pelos últimos quinze anos, só será capaz de obter a vitória na medida em que se liberte dos ódios e ressentimentos. Também tem o grande mérito de ser um grupo que passou por todos os filtros que a vitória e ainda mais a derrota podem oferecer, aqueles que sobraram resistiam a todas as tentativas de cooptação, não sucumbiram ao desânimo, não abriram mãos de ideais e só fizeram crescer a vontade de fazer diferente e criar o novo. É ao mesmo tempo um orgulho fazer parte não só do grupo como de seu núcleo formulador, assim como é enorme desafio a mim mesmo estar á altura da tarefa. Mas para isto terei de ser capaz de enfrentar minhas fraquezas e ser bem sucedido onde falhei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por fim em meio a tantos aspectos positivos e grandes vitórias a vaidade, que andava há anos sob controle, vai achando espaço para ressurgir e eu penso que tenho falhado muito além do aceitável em controlá-la. Vaidade baseada às vezes no medo, às vezes no sentimento de vingança, enfim, naqueles sentimentos inferiores. Reconhecer estas fraquezas me ajuda também a ser mais tolerante, outro problema com o qual tenho lidado mal, afinal se eu que deveria ter uma consciência muito maior da importância da autodisciplina falho com tanta freqüência como posso cobrar melhor desempenho de outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Mon, 30 Jul 2007 15:38:15 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>A memória do herói</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/memoria_do_heroi</link>
 <description>&lt;p&gt;Agrada-me certa noção presente em algumas tradições segundo a qual a meta de nossa existência seria acrescentar certo tipo de “memória emotiva” à divindade, através a qual Ele pudesse enxergar-se. Em tal concepção o maior pecado seria ser chato, ter uma vida convencional da qual se é apenas sujeito passivo, portanto falhando do intuito fundamental da existência que seria o de acrescentar alguma vivência rica à unidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se há alguma dimensão religiosa do herói ela certamente estaria contida em uma mentalidade como essa. Nas culturas mais antigas a imortalidade era privilégio justamente dos que tinham dado à vida uma dimensão heróica – só os que haviam conquistado a glória podiam habitar a ilha dos bem aventurados no qual a Idade de Ouro não tinha cessado, aos demais estava reservada a eternidade como sombra fugidia no Reino de Hades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com o tempo estas noções de imortalidade foram se modernizando e democratizando, perdendo a sua essência. Há pouco ainda existiam aqueles que pretendiam ser possível comprar a salvação, portanto a eternidade. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também a noção heróica perverteu-se, lá na idade média Ibn Khaldun dizia que as reputações eram fraco indicador da qualidade dos guerreiros, generais e príncipes porque só aquele que não tinha apego a estes tipos de vaidade poderiam ter esta dimensão heróica, logo aqueles que contratavam poetas, músicos e bajuladores para saudar seus méritos é justamente porque não os tinham. Na modernidade, com os recursos da publicidade criam-se falsos heróis a todo instante e ninguém liga muito para as ações heróicas, quando muito ligam por um instante e depois se esquecem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem se incomode com isto nada tem desta dimensão heróica, porque sua meta não é o reconhecimento, mas o engrandecimento de si próprio, o ter algo de interessante a contar quando retornar á unidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas, enfim, o que seria um herói!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que é uma pergunta que não pode ser respondida, nem precisa. As mitologias diversas oferecem inúmeros modelos, mas o modelo fundamental, penso eu, subsiste dentro de cada um. Ao menos potencialmente cada ser humano pode atingir alguma dimensão heróica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A grande dificuldade, contudo, é liderar a si mesmo, vencer-se, submeter à alma animal à essência divina – afinal de que outra coisa as religiões e as mitologias falam senão desta batalha fundamental – sem o que se é um escravo do nosso eu inferior. Sem esta vitória – que não é um processo mágico, mas luta diária, não haverá herói de fato. Até por isto todos os que se jactam de seu heroísmo acabam por demonstrar a falta dele, motivo pelo qual toda definição de heroísmo já começa falsa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há quem diga que o tempo dos heróis já passou. Não estou certo disto, pelo contrário penso que em nenhum outro momento eles foram tão necessários e tão difíceis de serem produzidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vivemos nestes dias sombrios nos quais não só a questão do heroísmo não está colocada em pauta, mas mesmo falar em superar-se é fora de moda. Perdemos a noção do eterno porque valorizamos o rápido, o urgente; perdemos o sentido do esforço porque o mérito está em obter as coisas sem esforço; perdemos a noção da disciplina porque o que tem valor é não submeter-se a nada, a ser escravo do nosso ego. Ao mesmo tempo nos sentimos pequenos demais para ser heróicos, tudo é complexo, difícil, impossível.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há também muita confusão entre submeter-se às disciplinas externas e submeter-se à própria disciplina; entre transcender o juízo dos outros, as convenções sociais – o que só pode ser feito por aquele que se libertou do desejo de agradar – com não estar sujeito a regra nenhuma e a nenhum princípio. Por mais que algumas destas coisas pareçam semelhantes – e há nos homens-massa muito esforço em confundi-las mesmo - elas não só são distintas como contrárias. Saber bem a diferença, penso, já é tarefa heróica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a nossa meta fosse ser este caquinho de espelho do Altíssimo penso que poucas ações poderiam ser tão esclarecedoras do que a reflexão sobre como este valor transcendente nos guia, já que para isto seria preciso vasculhar nosso eu mais elevado em busca das pistas que Ele tivesse deixado&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Sat, 28 Jul 2007 08:03:07 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>O djinn me fala sobre liberdade e escravidão</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_djinn_me_fala_sobre_liberdade_e_escravidao</link>
 <description>&lt;p&gt;Quem passou esta semana para visitar-me foi aquele djinn que por algum tempo foi meu escravo, encarregado de redigir boa parte de meus textos. Veio de livre e espontânea vontade, com um bronzeado de quem está aproveitando as férias após milênios de escravidão e certo ar de sarcasmo de sempre.&lt;br /&gt;
Fiquei com a impressão de que só perguntou o que eu andava fazendo por educação, porque parece muito bem informado sobre meus afazeres atuais, não teve dificuldade nenhuma em encontrar minha nova sala 5 andares acima da anterior e ainda estava afiado para debater minhas ações atuais.&lt;br /&gt;
Depois das formalidades de praxe, e como muçulmano o djinn alongou-se nas fórmulas, ele foi direto ao foco:&lt;br /&gt;
- Tem certeza que tudo que anda fazendo é realmente pelo que acredita, não está mais preocupado às vezes com as três moedas de ouro, glória e vaidade!&lt;br /&gt;
Acho que só dele, da Márcia e de alguns poucos amigos muito próximos toleraria uma pergunta tão direta em um tom tão acusativo.&lt;br /&gt;
É verdade, às vezes me pego em devaneios de poder, em sonhos de glória, às vezes o que era para ser meio torna-se fim em minhas preocupações. Mas não dou o braço a torcer.&lt;br /&gt;
- Há oportunidades que surgem raramente na nossa vida, tenho de aproveitá-las e estar preparado para elas – eu disse, sem estar totalmente convencido das minhas palavras.&lt;br /&gt;
- Sei, está procurando os atalhos, né – disse ele com uma gargalhada, demonstrando que sabia bem o sentido que dou à palavra.&lt;br /&gt;
Dei um riso amarelo e ameacei protestar, ele não me deixou falar e seguiu:&lt;br /&gt;
- A vida de vocês humanos é tão curta e frágil que acho que é inevitável que pensem assim, é uma pena, caso contrário poderiam fazer grandes coisas.&lt;br /&gt;
- Mas eu nunca desejei outra coisa senão fazer grandes cosias, é por isto que trabalho feito louco aqui. Por isto deixei a tranqüilidade dos devaneios, porque surgiu a oportunidade de agir concretamente.&lt;br /&gt;
Balançando a cabeça ele retrucou:&lt;br /&gt;
- É melhor parar de tentar se justificar, estas suas últimas frases são indignas de você.&lt;br /&gt;
- Como assim, disse eu baixando a guarda.&lt;br /&gt;
- Se vai um dia fazer algo grandioso vai ser por causa destes devaneios, só por causa deles, se sua ação concreta não for ao mesmo sentido do devaneio logo se sentirá escravo de novo.&lt;br /&gt;
- Mas a disciplina...&lt;br /&gt;
- Se a disciplina for inspirada pelas cosias que acredita, então é a disciplina do homem livre, caso contrário é apenas a submissão de escravo.E olha que de escravidão eu entendo!&lt;br /&gt;
- Para quem vive em liberdade há tão pouco tempo está pretendendo entender muito do assunto.&lt;br /&gt;
- Ninguém sabe tanto sobre a liberdade quanto o escravo, caso não saiba, porque passei séculos pensando sobre ela. É possível aprender virtude mesmo do pior pecador se conseguimos vê-lo como um professor, também é possível aprender sobre a liberdade com o mais submisso dos escravos.&lt;br /&gt;
- Em certo sentido somos todos escravos de algo. Ponderei.&lt;br /&gt;
- Não, só somos escravos de nós mesmos, esta é a única escravidão. Só nos submetemos a algo porque nosso ego tem algum desejo, é o medo da morte, o medo de perder a vida, que impede que o escravo se revolte e por isto ele se conforma com a escravidão.&lt;br /&gt;
- Mas não sou um escravo, pelo contrário, jamais estive em uma posição na qual pudesse fazer tantas coisas.&lt;br /&gt;
 - E está nesta posição porque demonstrou sua liberdade e sua auto-disciplina, sua autoridade, então tenha sempre isto em mente. Lutou até agora pelo que acreditava, não por esta ou aquela fração de poder, continue assim, é só isto que vim dizer.&lt;br /&gt;
- E não é isto que venho fazendo, ora essa!&lt;br /&gt;
- Não, sabe que nem sempre. Quanto tempo anda perdendo pensado no poder, só no poder, não nas cosias que precisa fazer para merecê-lo. Para não falar das pequenas satisfações e vingancinhas. Tudo isto é indigno de você, meu amigo. São atitudes de um escravo da ira e da cobiça.&lt;br /&gt;
- Como você disse lá atrás, sou humano.&lt;br /&gt;
- Não é motivo para conformar-se com isto, se entregar às fraquezas.&lt;br /&gt;
Falou isto e sumiu como costuma fazer, me deixando a sós com tantas indagações.&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Fri, 27 Jul 2007 08:09:08 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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<item>
 <title>O resgate do poder da palavra</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/o_resgate_do_poder_da_palavra</link>
 <description>&lt;p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt; &amp;quot;Não há criação estatal se a mente de certos povos não é capaz de abandonar a estrutura tradicional de uma forma de convivência e, ademais, de imaginar outra nunca existida (...)O Estado começa por ser uma obra de imaginação absoluta. A imaginação é o poder libertador que um homem tem. Um povo é capaz de organizar um Estado na medida da sua imaginação&amp;quot; (Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas).&lt;/em&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A crise institucional do país aparece de forma clara, evidente por si mesma e atinge em especial aos parlamentos. É preciso enfrentar a questão de frente e ir para além da simples discussão técnica sobre reforma política, emendas e remendos na legislação. A despeito de ser possível enfrentar alguns aspectos específicos desta crise através de mudanças na legislação, em particular nos sistemas eleitorais, a raiz mesmo da questão parece estar mais ligada a outros elementos que, se não forem pensados, tornarão mesmo a mais radical reforma política inócua.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A falácia segundo a qual todas as vicissitudes e idiossincrasias do nosso sistema político serão extintas por algum conjunto de leis de uma reforma política - a qual por sinal já virou &amp;quot;palavra mágica&amp;quot; descrevendo propostas tão diversas a ponto de perder o valor como conceito e até como slogan - ignora o elemento essencial de todo processo. O que nos falta não são leis, mas de um lado uma cultura cívica, um conceito ativo de cidadania de um lado e de outro o hábito de debater e defender as idéias.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Somos, como povo e como dirigentes, talvez até criativos demais no acessório, mas padecemos de uma falta de originalidade fundadora. Foi legado ao Brasil uma estrutura política vinda de outros climas e realidades - Monteiro lobato dizia que era uma &amp;quot;rosa artificial&amp;quot; - e a este modelo inadequado, quase caricato - como por exemplo as eleições a bico de pena na República Velha ou os senadores biônicos no Regime Militar - foram sendo incorporados casuísmos diversos - a sub-representação dos estados mais populosos, por exemplo - que desfiguraram a questão ainda mais.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Uma das primeiras vítimas deste processo foi o debate político propriamente dito. Destacando que corrente política nenhuma parece estar livre desta tendência, o exercício da palavra, do esforço de persuasão, de convencimento por argumentos, apequena-se a cada ano. Até como efeito disto não se consegue discutir a questão com a seriedade que ela merece porque a todo instante apenas se pensa nas questões efêmeras e pequenas. Discute-se a todo momento tendo em vista apenas as configurações de poder, pensando-se em como obter uma vantagem tática, mas não se discute a questão estrutural.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Assim como a criança que nasce com dificuldades de audição tende a ter problemas de audição, porque não consegue ouvir aos outros e a si mesmo, também a falta do exercício de parlamentar acaba por prejudicar a capacidade de audição da sociedade política.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Tornam-se cada vez mais raros momentos como aqueles no qual com um discurso Mario Covas convencia a Câmara dos Deputados a não votar a autorização para processar Marcio Moreira Alves - em 68 - ou conquistava a luz de propostas a liderança da bancada do PMDB na Constituinte em 87. Surdos aos argumentos alheios e sabendo que os adversários são igualmente surdos aos seus, o Parlamento vai perdendo sua capacidade de falar, o discurso perde sua qualidade fundamental de tentar persuadir.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Deixa então de haver, de fato, o embate de idéias na tentativa de convencer ou produzir um consenso que seja a síntese de visões distintas. Chega-se não ao verdadeiro consenso, busca da razão, mas apenas a frágeis e circunstanciais equilíbrios de poder, quase sempre orientados em função de elementos externos ao jogo parlamentar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A crise moral, os sucessivos escândalos, também estão diretamente relacionados a este processo. Pois como a palavra vale pouco ou nada, então o que vale a pena é buscar algum nicho corporativo, transformar o voto em moeda ou, no melhor dos casos, utilizar o mandato como peça de alguma máquina política. A própria generalização formulada pelo eleitor médio -  que não distingue entre o parlamentar preocupado em construir um mandato sério, o &amp;quot;mercador de ilusões&amp;quot; ou o &amp;quot;balconista de grandes e pequenos negócios&amp;quot; - torna-se parte integrante de todo o fluxo descendente da política porque a vítima preferencial desta indiferenciação é justamente o bom parlamentar, já que o eleitor dos &amp;quot;picaretas&amp;quot; vota segundo outras motivações.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;A crise política não será resolvida por truques de marketing - aliás é até bom lembrar que parte do escândalo do mensalão se deu em torno do superfaturamento e desvio de verbas de uma campanha para melhorar a imagem da Câmara dos Deputados. Se não por outros motivos porque a linguagem do marketing e da publicidade é um monólogo e o que precisamos é de diálogo. Um diálogo criador que nos permita de novo termos imaginação para pensar o novo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jul 2007 08:09:02 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Dilemas da escola</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/dilemas_da_escola</link>
 <description>&lt;p&gt;Um dos assuntos sobre os quais mais tenho pensado, discutido e escrito profissionalmente é Educação. Não é um desafio fácil, ainda mais na situação em que me encontro hoje. Ainda que jamais tenha sido - intencionalmente pelo menos - irresponsável em escrever sobre o que não é plausível, hoje em dia estas minhas palavras tem responsabilidade adicional porque em certa medida implicam uma intenção de se colocar em prática, em médio prazo, tudo aquilo que é escrito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pressão acontece porque poucas questões se tornaram tão complexas quanto a educação. Em meio a pirotécnica de governos preocupados em dizer que fazem algo e corporativismo de entidades ligadas a educação mas em geral tendo o contracheque como preocupação principal há uma enorme preocupação de todos em fazer algo. O problema é que ninguém sabe exatamente o que precisa ser feito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;!--break--&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos assuntos sobre os quais mais tenho pensado, discutido e escrito profissionalmente é Educação. Não é um desafio fácil, ainda mais na situação em que me encontro hoje. Ainda que jamais tenha sido - intencionalmente pelo menos - irresponsável em escrever sobre o que não é plausível, hoje em dia estas minhas palavras tem responsabilidade adicional porque em certa medida implicam uma intenção de se colocar em prática, em médio prazo, tudo aquilo que é escrito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pressão acontece porque poucas questões se tornaram tão complexas quanto a educação. Em meio a pirotécnica de governos preocupados em dizer que fazem algo e corporativismo de entidades ligadas a educação mas em geral tendo o contracheque como preocupação principal há uma enorme preocupação de todos em fazer algo. O problema é que ninguém sabe exatamente o que precisa ser feito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez decepcione aqueles que imaginam que todos os problemas do Brasil são produto das nossas mazelas nacionais, mas a crise da educação é internacional. Com certeza nossos problemas são agravados por falta de prioridade, visão e honestidade, pela imensa dimensão as tarefas educacionais inclusive causadas por decisões corretas - caso da universalização do ensino. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas mesmo fortificada pelas circunstâncias nacionais, a crise da educação é uma crise mundial e este elemento é um aspecto importante a se considerar, inclusive porque um dos eixos desta crise global é o corporativismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dos elementos que agravam meu conflito interno escrevendo sobre educação é o fato de jamais ter tido uma opinião muito positiva sobre ela. Como &lt;strong&gt;Herman Hesse&lt;/strong&gt; sempre achei que o futuro é construído por aqueles que fogem da escola. Sempre achei que a cultura tem um poder transformador muito maior, mais efetivo e de melhor qualidade que a educação, quase sempre destinada apenas a reproduzir valores e saberes. Cito sempre a frase de &lt;strong&gt;Borges&lt;/strong&gt;, na qual ele diz que uma biblioteca o educou muito mais que as escolas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como me agradam os paradoxos, diria que um dos motivos da crise da educação é justamente um dos resultados da crise da autoridade. Esta crise da autoridade, inspirada pela erosão geral de toda autoridade, fomentada por metodologias pretensamente experimentais e revolucionárias de ensino segundo as quais o professor não deve ensinar, amplificada pela dissolução dos laços familiares e desaparecimento a figura paterna que nos treina em lidar com a autoridade, enfim, de inúmeros elementos que retiram do processo educacional o seu centro, que deveria ser a figura do mestre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Huxley&lt;/strong&gt; destaca o papel da rígida formação escolar oferecida pelos jesuítas - em particular em &lt;span style=&quot;text-decoration: underline;&quot;&gt;Os demônios de Loudon&lt;/span&gt;, onde dedica a abertura do livro a esta questão - como central na história de vários personagens fictícios ou históricos - incluindo o rebelde e anti-clerical &lt;strong&gt;Voltaire&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sair deste paradoxo não deixa de ser um exercício interessante. Chega a ser tentadora a solução fácil, segundo a qual há dois tipos de pessoas, aquelas que precisam da escola e aquelas para as quais ela é não só desnecessária mas prejudicial. Aos primeiros estaria destinado o papel de subalternos aos quais o aprendizado do conhecimento reproduzido nas escolas seria importante, às segundas, em muito menor número, as escolas seriam um entrave à livre expressão e uma amarra ao conhecimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas me causa repulsa esta solução fácil, a qual implica em negar a identidade fundamental dos seres humanos e a minha profunda crença de que todos podem desenvolver todo o seu potencial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo admitindo-se a existência de homens-massa e homens-de-excelência, como quer Ortega Y Gasset, ainda assim é preciso verificar que ambos se beneficiam com a disciplina. Não é à toa que a imensa maioria dos grupos tradicionais tem uma imensa parte de seu processo de formação voltado a destacar a importância da disciplina. Nenhum buscador sincero jamais chegará a lugar algum enquanto não descobrir a importância da disciplina e do respeito à autoridade, mesmo que por conta de outras circunstâncias haverá o momento de romper com elas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É a Ortega y Gasset que recorro para tentar compreender a importância da disciplina e da autoridade de um lado e entender as causas da crise da educação. Para o homem-massa toda disciplina, qualquer cosia que coloque limites a satisfação dos seus desejos é deplorável. Portanto é natural que ele busque o conhecimento pelos meios fáceis, porque qualquer esforço é para ele intolerável, assim como toda autoridade é insuportável, salvo quando coagido a obedecê-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para agravar o paradoxo, é preciso reconhecer que os métodos considerados antiquados e autoritários de ensino geraram muito maiores intelectuais, escritores, pensadores e até educadores do que todas as modernas teorias, às quais tem levado o nível médio de conhecimento a graus muito baixos, salvo - talvez - quando se trata do conhecimento altamente especializado (&lt;em&gt;o qual é também uma abdicação de esforçar-se em qualquer outro campo do conhecimento salvo aquele que se deseja&lt;/em&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Imaginando, então, que a autoridade do mestre é um aspecto importante na educação se chega a certo beco sem saída, porque autoridade não é algo que possa ser dada, ainda que em certas circunstâncias possa ser ensinada, desde que o aluno a deseje e se esforce para aprender, sobretudo, a auto-disciplina (&lt;em&gt;porque ninguém terá autoridade sobre outro se não tiver em primeiro lugar sobre si mesmo&lt;/em&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por mais que avalie que a questão a valorização do professor não é uma questão salarial e veja com antipatia a preocupação corporativa não posso deixar de concluir que não haverá saída da crise da educação sem esta recuperação dos salários dos professores. Um mau professor não ensinará melhor se ganhar mais, claro, mas havendo melhores salários jovens de talento, de excelência, voltarão a se interessar pela carreira e com o tempo ocuparão o espaço dos maus profissionais. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje isto só acontece no caso extremamente excepcional de alguém cujo grau de abnegação seja tão grande, a vocação de professor seja tal, que mesmo em circunstâncias extremamente adversas resolva seguir a carreira do magistério. Toda a estrutura educacional conspira contra este infeliz sacerdote do conhecimento, voltada para reforçar e premiar a mediocridade - às vezes até o descaso. Mudar isto é um dos grandes desafios de quem deseja provocar a revolução da educação que se precisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma questão relacionada a esta demonstra que há esperanças e meios. Por mais que se fale na recuperação do status social do professor, estou absolutamente certo que junto à população, no imaginal e mesmo no imaginário da sociedade, o mestre jamais chegou a perder a autoridade social que teve em outros momentos. Salvo, talvez, para certos segmentos de jovens que idolatram o traficante, o jogador de futebol, a celebridade e outros personagens que se antepõem como modelo ao que detém o conhecimento - na maior parte da sociedade o respeito ao papel do professor permanece resguardado, mesmo quando os que o detém não correspondem às expectativas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta minha hipótese é passível de comprovação, basta chegar a qualquer ambiente e discutir a questão e verá que a despeito de tudo o professor goza de consideração. A perda de status é apenas financeira e mesmo vivendo em uma sociedade na qual as pessoas são medidas pelo valor quantitativo das suas posses, ainda assim, o professor goza de respeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Curiosamente o desrespeito vem muitas vezes do Estado, que devia representar os valores que a população tem. Ao contrário do que é dito existe muita verba para a educação. A questão não é quantitativa, mas qualitativa: se gasta mal. E se gasta mal em grande parte porque o professor é pouco considerado neste processo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A última moda nas soluções pirotécnicas de governos para demonstrarem sua preocupação com a educação é a distribuição de uniforme e material escolar, ao lado das já reincidentes grandes estruturas. A população acaba sendo iludida ou subornada por estas iniciativas, mas mesmo estes segmentos podem ser convencidos com facilidade de que nada disto tem a ver com a educação que precisamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por fim acho que há outro elemento nesta crise que precisa ser enfrentado pelo conjunto da sociedade, porque é um elemento cultural. A escola tinha mais valor quando se imagina que o acesso à educação permitiria alguma ascensão social, o chamado &lt;em&gt;capital humano&lt;/em&gt;. É em grande parte neste sentido que o traficante e o jogador de futebol são antíteses do professor porque demonstram a inutilidade financeira da educação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em plena era da informação, na qual o conhecimento é matéria prima fundamental, não se convence a sociedade a sonhar que a escola pode representar uma estratégia de evolução pessoal no único valor que sobrevive - que é o financeiro. Certamente há algo de muito errado em todas as estratégias, mesmo aquelas que não são baseadas em ideais mais elevados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Wed, 25 Jul 2007 08:00:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Democracia e aristocracias</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/democracia_e_aristocracias</link>
 <description>&lt;p&gt;Não consigo chegar a nenhum acordo comigo mesmo sobre a democracia. De um lado sinto a democracia real como algo que caminha para o grotesco, impele o ser humano para os mais baixos degraus da vida social, estimula a mediocridade e a corrupção, entrega o poder a pessoas que nenhuma autoridade tem para exercê-lo. De um outro lado a vejo como um ideal sublime, única forma de governo capaz de realmente fazer jus à condição humana e a única na qual é possível evitar a degradação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não, a questão não está em distinguir a democracia ideal e a real. Esta seria uma distinção simplista e, ademais, há pontos questionáveis na democracia ideal tanto quanto há aspectos elevados na democracia real.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para os filósofos gregos a democracia era condenável como princípio, não só pela sua rápida degradação em domínio dos demagogos como pela sua idéia central do governo pertencer ao povo e não aos dotados de qualidades especiais e autoridade. Contudo é fundamental dizer que eles próprios não foram capazes de imaginar um sistema melhor, nem mesmo em termos de modelo idealizado. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;(Mesmo a rígida &lt;u&gt;República &lt;/u&gt;de &lt;strong&gt;Platão &lt;/strong&gt;fundamenta-se em trapaças e truques sustentando a impossibilidade de uma ética absoluta ao dar os guardiães o direito de trapacear para garantir a estabilidade do sistema.)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Descartando em absoluto todo sistema autoritário, em geral baseado apenas em argumentos levantados de última hora para tentar dar aparência de legitimidade a algum déspota, o pouco que sobra de teorias não-democráticas que conservam algum fundo de autoridade está baseado em algum critério aristocrático que em certas circunstâncias pode ser justificado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parece razoável imaginar que tarefa tão importante quanto o governo de uma nação seja entregue a pessoas preparadas para isto, capazes de diagnosticar problemas e apontar soluções, que dediquem suas vidas a servir o bem público. Esta é a base fundamental de qualquer argumento não-democrático que mereça ser levado em consideração. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As vertentes não-democráticas - note que não uso o termo antidemocráticas - usam variantes deste argumento, talvez nem sempre expresso com tanta clareza e sem disfarces, mas ainda assim contendo a mesma essência. É o argumento dos tecnocratas, que imaginam que a crescente complexidade das tarefas administrativas exige um homem público preparado, um burocrata profissional ou um técnico com grande formação. Note-se que este argumento disfarça-se quando se diz que esta burocracia tecnocrática serve a um governante eleito, ao qual caberia dar as &lt;em&gt;linhas gerais&lt;/em&gt; da política  a ser seguida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O eixo central de toda a minha fé democrática é que aristocracia - literalmente &lt;em&gt;governo dos melhores&lt;/em&gt; - alguma foi capaz de propor método satisfatório de seleção de quais seriam &amp;quot;&lt;em&gt;os melhores&lt;/em&gt;&amp;quot;, detentores portanto do direito de governar. Até é possível argumentar com razoável eficiência em defesa da tese central aristocrática - no sentido exato do termo, claro, não daquela expressão política conservadora que ele passou a ter.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quase ninguém poderia confrontar a idéia de que o poder deveria ser exercido pro aqueles que tem a dedicação e o preparo para exercê-lo da melhor forma possível. O problema é a incapacidade absoluta de formular um meio eficiente para esta seleção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As &amp;quot;&lt;em&gt;aristocracias&lt;/em&gt;&amp;quot; - no sentido distorcido do termo -  do antigo regime não só dão farta demonstração da ineficiência do critério hereditário como, no entendimento de &lt;strong&gt;Ortega y Gasset&lt;/strong&gt;, são responsáveis pela desmoralização do termo nobreza. E isto mesmo quando ao nascimento soma-se o ensino e o treinamento, demonstrando que mesmo em condições ideais de vida com o acesso a todas as oportunidades possíveis não há como garantir que uma pessoa tenha a autoridade necessária a quem governa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É justamente onde as noções não-democráticas fraquejam que a democracia tem seu pilar fundamental de sustentação. Só nela é possível imaginar um critério de seleção perfeitamente justo e capaz de aprimorar-s com o tempo e corrigir enganos. Em última instância um mau governo é também desejo do povo, enfim a democracia seria um sistema que se aprimora inclusive pelos erros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A concepção paternalista de todo pensamento não-democrático é o de que o povo é sujeito a erros freqüentes, é como uma criança que deve ser protegida das conseqüências de suas ações. Qualquer pai razoável sabe que esta concepção é problemática, impede o amadurecimento, tanto das crianças como dos povos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Analisando assim as duas grandes vertentes do pensamento não-democrático - a necessidade dos que governam serem os mais preparados e os que levantam os perigos da escolha democrática - chego a conclusão que por mais justos que possam ser os argumentos eles são ineficazes e até prejudiciais na proposição de soluções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A própria democracia em si parece a mim ser muito mais eficaz no sentido de resolver os dois problemas, de um lado porque não é impossível supor que podendo escolher o povo um dia aprenda a escolher os que são melhores, desde que tenha informação, independência e formação adequada para isto. E que as próprias escolhas erradas são parte deste processo de aprendizado. No máximo penso que é necessário restringir as possibilidades de escolhas frontalmente autoritárias, que visem tirar a nação do universo democrático, porque neste caso a retomada da democracia poderia obrigar ao apelo a métodos não políticos da força, da rebelião. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todo o raciocínio seria muito mais bonito não fosse as evidências concretas de degradação e fracasso progressivo a democracia. Convivendo no meio político todo o dia sinto esta degradação de forma muito clara. A começar pelo movimento popular, no qual é crescente o número de pretensas lideranças ansiosas pro vender o apoio ou trocá-lo por benefício pessoal, tanto como na própria sociedade o número de pessoas dispostas a transformar seus direitos em objeto de barganha é crescente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diria que o número de pessoas que leva a política a sério é declinante. Há os demagogos prontos a conduzir as massas a demandas inviáveis que nem eles mesmo no poder teriam intenções ou condições de atender, há mobilizações feitas por motivos vis, há absoluta falta de responsabilidade e seriedade. Sem discutir quem veio primeiro, diria que todo este ambiente corrompido, pantanosos, incentiva os escândalos que estão no noticiário, afinal em um mundo no qual as idéias e as palavras valem tão pouco mesmo muita gente séria que deseja sobreviver na política tem de buscar acumular o único bem desejado: grana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É em um momento de degradação absoluta como este que se torna ainda mais necessário ter aquele tipo de dedicação e abnegação que fundamenta as verdadeiras nobrezas, quando se tem de dizer que há custos éticos que não podem ser pagos para chegar ao poder, só assim se preserva a autoridade necessária para que o poder seja exercido da forma como deve.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em outras palavras, parece-me que o tipo de &amp;quot;&lt;em&gt;elite&lt;/em&gt;&amp;quot; que a democracia requer para funcionar bem é de um molde muito mais avançado do que as &lt;em&gt;elites &lt;/em&gt;aristocráticas, porque não só precisam de toda a autoridade, concimento, preparo, coragem que as &amp;quot;&lt;em&gt;elites&lt;/em&gt;&amp;quot; tradicionais, mas também precisam da abnegação e determinação para lutarem para chegar ao poder de um lado convencendo as massas e de outro a disciplina moral de rejeitar toos os atalhos deste caminho. Estas pessoas, são poucas mais existem, estão muito acima do nível moral de qualquer outra aristocracia que já tenha exercido o poder, mas acima até das elites ideais como os guardiães da &lt;u&gt;República &lt;/u&gt;de &lt;strong&gt;Platão&lt;/strong&gt;, que precisavam de expedientes para governar.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Tue, 24 Jul 2007 08:13:52 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Filhos do Sol, filhos da terra</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/filhos_do_sol_filhos_da_terra</link>
 <description>&lt;p&gt;A terra desempenha em inúmeras crenças - para não falar da imagem no senso comum - um papel gerador. Já houve mesmo teorias científicas e econômicas sobre o papel da terra. Assim como não nos damos conta que na realidade o sol não nasce e se põe todos os dias - a despeito destas imagens estarem fortemente enraizadas na nossa linguagem diária - também o papel da terra na geração e manutenção da vida é ínfimo.
&lt;p&gt;A terra não é muito mais do que simples suporte. A energia para a vida vem do Sol, a matéria que a compõe vem do ar e da água, da terra se utiliza uma pequena porção de componentes em geral complementares. A ciência já comprovou isto há mais de um século, mas continuamos a dar à terra este papel gerador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso no sentido simbólico desta realidade - porque a característica de todo processo natural é ter também um sentido simbólico porque todos os processos, no final, são um só.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É curioso que a terra é símbolo do que é estável, permanente, sólido. Também a vemos como símbolo materno. Na mitologia islâmica a diferença entre os seres humanos e os &lt;em&gt;djins&lt;/em&gt; é que somos feitos de água e terra enquanto os &lt;em&gt;djins&lt;/em&gt; são feitos de ar e fogo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas &lt;em&gt;grosso modo&lt;/em&gt;, tanto do ponto de vista científico como mitológico somos como os &lt;em&gt;djins&lt;/em&gt;, feitos de ar e fogo. Cada átomo de carbono que está em nossos corpos um dia esteve no ar, cada joule de energia que os mantém unidos um dia chegou á terra na forma de raios solares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso também em outras analogias possíveis para esta constatação. Por exemplo que mesmo nos julgando filhos da terra, somos na verdade filhos do sol, da luz, mesmo quando esta realidade é mascarada pelas aparências. Da terra temos o suporte, uma pequena fração de nossos componentes - lembro aquela pequena parcela de não-divindade que foi necessária misturar-se ao Todo para gerar o cosmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Toda interpretação literal - como a que costuma ser feita pelos que ignoram os símbolos - tende ao disparate. Penso nos grupos extremistas que afirmam viver de luz, de uma forma ou de outra todos vivem de luz porque é a energia solar que sustenta a maior parte da vida do planeta. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É a transformação da energia solar em energia química que permite o crescimento das plantas, portanto dos animais que se alimentam delas e dos animais que se alimentam dos que se alimentam de plantas ou de outros animais. Salvo parte das fontes artificiais - energia hidrelétrica e nuclear - e uma ínfima proporção de fontes naturais de energia química no fundo dos oceanos toda a energia que circula no planeta vem da luz do sol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso na beleza desta constatação de que não somos seres da terra, somos apenas a materialização de uma luz superior que nos infunde a energia necessári para sobreviver.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
</description>
 <comments>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/filhos_do_sol_filhos_da_terra#comments</comments>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1123">Arte</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/2">Islam</category>
 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/1121">Pessoal</category>
 <pubDate>Mon, 23 Jul 2007 17:11:52 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>Eterno e etéreo</title>
 <link>http://www.poderdapalavra.com.br/portal/eterno_e_etereo</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&amp;#8220;O pol&amp;#237;tico pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurrei&amp;#231;&amp;#227;o do homem&amp;#8221; (Guimar&amp;#227;es Rosa, citado no artigo Sobre pol&amp;#237;tica e jardinagem, Folha de S&amp;#227;o Paulo, 19/5/200 de Rubem Alves) &lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Continuo preocupado com a &amp;#8220;poesia da pol&amp;#237;tica&amp;#8221;. O foco da minha medita&amp;#231;&amp;#227;o di&amp;#225;ria, daquele pequeno espa&amp;#231;o no qual me esfor&amp;#231;o para estar conectado ao sagrado e desligado das urg&amp;#234;ncias, tem sido fugir das armadilhas da realidade e reunir for&amp;#231;as para n&amp;#227;o se render a algum pragmatismo. Houve tempos no qual eu achava que o pragmatismo era um passo essencial para encher de carne o esqueleto da utopia. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje acho que j&amp;#225; temos pragmatismo demais. O desafio hoje &amp;#233; continuar sonhando. Curioso que em nenhum outro momento da minha vida tive o poder individual de fazer as coisas. H&amp;#225; tantas coisas agora que dependem mais de mim do que de qualquer outra pessoa. Sem o esfor&amp;#231;o de visualisar os sonhos de olhos abertos eu imagino que seria f&amp;#225;cil se perder por estes labirintos nos quais a modernidade anda. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&amp;#243; tenho pedido a Deus ser capaz de manter o foco e sonhar. Paradoxal que como pessoa que decide foque o sonho enquanto como conselheiro sempre me esforcei em ser realista e quase pragm&amp;#225;tico. Parece-me o sinal de estar em um caminho reto, salvo se a autocr&amp;#237;tica j&amp;#225; tenha ido para o espa&amp;#231;o e eu n&amp;#227;o tenha me dado conta. Li em algum lugar que n&amp;#227;o h&amp;#225; coisa mais dif&amp;#237;cil que salvar um povo que n&amp;#227;o quer ser salvo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&amp;#227;o concordo, mas reconhe&amp;#231;o quanto h&amp;#225; de obst&amp;#225;culos em todos os caminhos. Estamos nos afundando em um pantanal. Afundando todos juntos, porque mesmo aqueles que apontam enorme indigna&amp;#231;&amp;#227;o com os rumos das cosias, em especial da pol&amp;#237;tica, n&amp;#227;o tem nojo, mas inveja. Indignam-se n&amp;#227;o por aquelas coisas ocorrerem, mas porque n&amp;#227;o est&amp;#227;o inclu&amp;#237;dos nelas. E neste todos re&amp;#250;no boa parte, a imensa maioria, do povo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos dos sonhos e projetos desabam porque as lideran&amp;#231;as pol&amp;#237;ticas &amp;#8211; da rua &amp;#224; na&amp;#231;&amp;#227;o &amp;#8211; est&amp;#227;o preocupados em sobreviver e a corrup&amp;#231;&amp;#227;o come&amp;#231;a quando um pol&amp;#237;tico &amp;#233; pesado a partir do dinheiro que d&amp;#225; a esta ou aquela entidade ou lideran&amp;#231;a. N&amp;#227;o temos democracia, apenas um imenso mercado das consci&amp;#234;ncias. Para ter cr&amp;#233;ditos para adquirir produtos neste mercado adianta pouco ter boas id&amp;#233;ias, fazer projetos interessantes e discursos significativos. &amp;#201; preciso apenas ter dinheiro. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O poder da palavra, a persuas&amp;#227;o, no m&amp;#225;ximo garante uma boa barganha, mas n&amp;#227;o a vit&amp;#243;ria. Como mais vale o dinheiro que a palavra, ent&amp;#227;o o que passa a valer &amp;#233; a capacidade de transformar palavra em dinheiro. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alquimistas ao contr&amp;#225;rio, transformando o que &amp;#233; nobre em vil! &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estes t&amp;#234;m o futuro quase garantido, mesmo se pegos com a m&amp;#227;o na massa poder&amp;#227;o ser anistiados pela inconsci&amp;#234;ncia coletiva e voltar&amp;#227;o consagrados na elei&amp;#231;&amp;#227;o seguinte. Mas n&amp;#227;o sou um homem sem esperan&amp;#231;as &amp;#8211; n&amp;#227;o tenho talvez aquela esperan&amp;#231;a d&amp;#250;bia como a que ficou pres ao gargalo do jarro de Pandora &amp;#8211; mas tenho a esperan&amp;#231;a de que ainda &amp;#233; poss&amp;#237;vel construir o novo. Minha esperan&amp;#231;a reside em um pilar pr&amp;#225;tico e outro et&amp;#233;reo. O pilar pr&amp;#225;tico &amp;#233; que haver&amp;#225; um momento no qual n&amp;#227;o haver&amp;#225; mais dinheiro em circula&amp;#231;&amp;#227;o suficiente para comprar consci&amp;#234;ncias. Um dia chega-se ao fundo do cofre e neste dia as tens&amp;#245;es n&amp;#227;o poder&amp;#227;o mais ser aliviadas pela propina grande ou pequena &amp;#8211; porque aumenta os que querem vender mas os pre&amp;#231;os sobem. Tem de se chegar a um momento no qual ser&amp;#225; preciso ser t&amp;#227;o vil para ter dinheiro suficiente para comprar a parte de poder que cada cidad&amp;#227;o que ser&amp;#225; evidente que estamos no fundo do po&amp;#231;o e &amp;#233; preciso come&amp;#231;ar de novo a acreditar. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A outra esperan&amp;#231;a reside na cren&amp;#231;a de que o aviltamento n&amp;#227;o &amp;#233; a condi&amp;#231;&amp;#227;o normal do ser humano. A nobreza do comportamento e a autoridade moral h&amp;#227;o de voltar a tocar o cora&amp;#231;&amp;#227;o os homens algum dia. Mesmo nos ambientes mais s&amp;#243;rdidos ainda haver&amp;#225; situa&amp;#231;&amp;#245;es nas quais algu&amp;#233;m poder&amp;#225; exercer o poder com autoridade e a pequena luz que vier dali ser&amp;#225; capaz de iluminar a treva em volta ou ao menos demonstrar que a luz n&amp;#227;o &amp;#233; um fato de fic&amp;#231;&amp;#227;o. Em qualquer caso, estas esperan&amp;#231;as residem na possibilidade da exist&amp;#234;ncia de uma elite no sentido mais antigo e preciso da palavra que n&amp;#227;o abra m&amp;#227;o de seu dever e ouse assumir suas responsabilidades e negar os atalhos, que tenha a autoridade do exemplo, da vida simples, da rejei&amp;#231;&amp;#227;o da for&amp;#231;a pelo argumento, da dedica&amp;#231;&amp;#227;o muito acima dos padr&amp;#245;es esperados, da capacidade de abrir m&amp;#227;o aquilo que as afasta do centro. Se esta suposi&amp;#231;&amp;#227;o comprovar-se falsa, ent&amp;#227;o n&amp;#227;o h&amp;#225; esperan&amp;#231;as.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Tue, 17 Jul 2007 19:11:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Prosa e poesia</title>
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 <description>&lt;p&gt;Li em algum lugar que somos prosaicos quando fazemos aquilo que somos obrigados e somos po&amp;#233;ticos quando fazemos algo com paix&amp;#227;o. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nestes dias eu tenho sentido muito a realidade desta senten&amp;#231;a. J&amp;#225; havia esquecido o quanto a a&amp;#231;&amp;#227;o pol&amp;#237;tica pode ser po&amp;#233;tica, mesmo nestes tempos de desesperan&amp;#231;a, mesmo nestes tempos nos quais os sonhos precisam ser reconstru&amp;#237;dos de quase zero. Tamb&amp;#233;m sinto o resgate do orgulho da minha a&amp;#231;&amp;#227;o profissional. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recupero a sensa&amp;#231;&amp;#227;o de que com todas as dificuldades &amp;#233; poss&amp;#237;vel pensar e construir o novo. N&amp;#227;o tenho tido muito tempo para escrever, passo os dias em uma enorme correria &amp;#8211; reuni&amp;#245;es; textos para escrever, ler, discutir; acompanhar as discuss&amp;#245;es no plen&amp;#225;rio; redigir leis; comentar outras; pesquisar alternativas e propostas e, principalmente, debater com a sociedade solu&amp;#231;&amp;#245;es ao mesmo tempo poss&amp;#237;veis e audaciosas. Este desafio de romper o ciclo da crescente mediocridade faz com que n&amp;#227;o sinta tanto esta falta de tempo de escrever para o blog. Lidar com a realidade, com a diversidade, &amp;#233; certamente um caminho perigoso. Continuo, como j&amp;#225; disse antes h&amp;#225; v&amp;#225;rios amigos, acreditando que enquanto minha luta &amp;#233; pelo que acredito e n&amp;#227;o por 3 moedas de ouro conto com a necess&amp;#225;ria prote&amp;#231;&amp;#227;o. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alguns colegas de trabalho, por sinal, me disseram nestes dias pelos corredores que era uma pessoa de sorte, pois se tivesse ficado onde estava teria de falar n&amp;#227;o sobre o novo, sobre o rompimento da mediocridade, mas sobre outros assuntos nada nobres. Mais uma vez s&amp;#243; posso assinalar que o caminho nos escolhe e que neste caminho h&amp;#225; uma sabedoria superior.&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Wed, 11 Jul 2007 23:21:37 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>Cassandras e Prometeus</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/srubens114_2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px&quot; height=&quot;141&quot; alt=&quot;srubens114&quot; src=&quot;http://www.poderdapalavra.com.br/arquivos/srubens114_thumb.jpg&quot; width=&quot;122&quot; align=&quot;left&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Desde a &amp;#233;poca na qual a voca&amp;#231;&amp;#227;o e a profiss&amp;#227;o da pol&amp;#237;tica n&amp;#227;o se entremeavam, quando tentava apontar caminhos enquanto jornalista para a pol&amp;#237;tica, sentia que pesava sobre mim maldi&amp;#231;&amp;#227;o similar a de Cassandra &amp;#8211; a troiana que havia recebido a ben&amp;#231;&amp;#227;o de prever o futuro e a maldi&amp;#231;&amp;#227;o de suas previs&amp;#245;es jamais serem acreditadas. Achei, ent&amp;#227;o, de bom aug&amp;#250;rio que na reuni&amp;#227;o do mandato parlamentar no qual atuo desta semana, a primeira na qual exer&amp;#231;o oficialmente o novo papel de chefe de gabinete, tenha sido sugerida pelo deputado a leitura de um artigo referindo-se ao mito de Cassandra &amp;#8211; o excelente artigo &amp;#8220;Sob o signo de Cassandra&amp;#8221; do diplomata Marcelo Dantas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meu novo papel tem em si o desafio de ser capaz de materializar numa estrutura eficiente os valores e conceitos antes formulados apenas como textos, como palavras. Mesmo parecendo paradoxal, &amp;#224;s vezes &amp;#233; mais simples convencer grande n&amp;#250;mero de pessoas distantes do que um pequeno grupo de pessoas pr&amp;#243;ximas. N&amp;#227;o falar a um p&amp;#250;blico disperso e mais ou menos amorfo, mas a alguns poucos indiv&amp;#237;duos com os quais se convive todo dia traz a grande responsabilidade de se viver o que se diz, de enfrentar as dificuldades concretas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrever &amp;#233; sempre um ato aristocr&amp;#225;tico e individual, portanto autorit&amp;#225;rio. Mesmo quando se pretende convencer, persuadir, quando h&amp;#225; di&amp;#225;logo, este di&amp;#225;logo &amp;#233; em certa medida falso porque sempre escrevemos para n&amp;#243;s mesmos, antes de escrever para os outros &amp;#8211; ao menos quando se escreve com sinceridade. J&amp;#225; a a&amp;#231;&amp;#227;o de dirigir a a&amp;#231;&amp;#227;o deve ser democr&amp;#225;tica, depende de elementos externos a si. O esfor&amp;#231;o de construir a governan&amp;#231;a requer a avalia&amp;#231;&amp;#227;o das for&amp;#231;as e fraqueza dos outros &amp;#8211; e ainda mais de si mesmo. A distin&amp;#231;&amp;#227;o entre autoridade e poder, sobre a qual sempre escrevo tanto, ganha uma dimens&amp;#227;o maior e mais ampla quando se tem uma ao lado da outra. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Passei os &amp;#250;ltimos 25 dos meus 38 anos falando sobre como achava que devia ser a pol&amp;#237;tica, sobre a necessidade de construir o novo, ter a coragem de criar, ousar conceitos novos. Daqui a pouco tenho de romper as barreiras entre o idealizado e o concreto, n&amp;#227;o sem certa sensa&amp;#231;&amp;#227;o desta s&amp;#237;ndrome de Cassandra ter sido deixada de lado, ao menos para um certo grupo que decidiu a esperan&amp;#231;a &amp;#233; poss&amp;#237;vel, mesmo no cen&amp;#225;rio tr&amp;#225;gico.&lt;/p&gt;
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 <category domain="http://www.poderdapalavra.com.br/taxonomy/term/6">Política</category>
 <pubDate>Wed, 20 Jun 2007 16:36:03 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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 <title>&quot;Há momentos nos quais só trabalhar para o futuro nos consola&quot;</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Momento 1 &lt;/strong&gt;- Uma sirene e as luzes de um carro de polícia faiscam atrás do carro do deputado, o motorista imagina que eles querem ultrapassar e abre passagem, mas ele continua seguindo atrás. Quando o carro para numa rua tortuosa e esburacada de uma cidade da periferia do ABC, no lugar da reunião, nós descemos, o carro da polícia para e dois soldados de armas na mão pulam da viatura. Alguém explica para os policiais que é o deputado. Os policiais, meio envergonhados e assustados tentam explicar que a culpa do mal entendido não é deles: - Vimos um carro grande, com placa de carro oficial, nestas quebradas, não é época de eleição, imaginamos que só podia ser sequestro!  Impossível escapar do jargão &amp;quot;cômico se não fosse trágico&amp;quot; que o fato de um homem público reunir-se com sua comunidade quase seja ocorrência policial...  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Momento 2&lt;/strong&gt; - Leio revoltado que uma Secretaria da Saúde recorreu ao STJ para não ser obrigada a comprar, por liminar, remédios de alto custo necessários para garantir a vida dos pacientes. A revolta chega ao asco quando vejo que o mesmo estado daquela secretaria está envolvido até o pescoço nas falcatruas denunciadas pela Operação navalha. Não tem recursos para salvar uma vida, mas para montar esquemas com empreiteiras tem. Muito nojo da política, muito desprezo por quem vota em gente capaz destas brutalidades, mas me consola uma frase da correspondência entre Anísio Teixeira e Monteiro Lobato: &lt;strong&gt;Há momentos nos quais só trabalhar para o futuro nos consola&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
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 <pubDate>Mon, 21 May 2007 22:18:55 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Alexandre Gomes</dc:creator>
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