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Inspiração
Inspiração não é voz
Falando na sua cabeça
É o mais terrível silêncio
Possível de ser imaginado
Alcançar este silêncio
Não requer esforço
ou sabedoria
Só coragem
A coragem de imergir
No Oceano primordial
Antes dele ser habitado
Pelo Caos.
Cinzas da Cidade
Cinzas da cidade
Para Sampa em seu 457o. Aniversário
É fácil admirar o colorido,
Mas seus tons de cinza,
Feitos de chumbo e carvão,
Só podem ser apreciados
Em movimento.
É fácil apreciar o silêncio,
Mas seus sons de mil vozes,
Feitos de sussurros de cobiça ou gritos de miséria
Só soam como música
Em movimento.
Esta sua fuligem não é como a poeira dos tempos
Cobrindo ruínas outrora sagradas,
Esse seu manto cinza é cosido pela velocidade
Lembrando como tudo que é moderno
Termina em cinzas.
Se a metafísica é uma trilha na floresta antiga
Pela qual se anda a pé e com vagar
Então a dialética é este explodir de sons
da sua multidão tropeçando em si mesma.
Pela qual atravessamos rápidos e atentos.
Mas para nunca esquecer,
Mesmo os que falaram daquilo que é eterno
E imutável, insuflaram ou condenaram o progresso,
Só puderam fazê-lo nas cidades que eram
Como você.
É cinza porque na sua paleta
Só há Luz e Trevas
Misturadas de todas as formas.
Suas cinzas são o que restou do homem,
E ninho aonde ele renasce todos os dias.
Casca
O tempo do silêncio vai se quebrando
As últimas chuvas da estação
Libertarão a torrente
Ávida da palavra
Como algum profeta apocalíptico
O silente sabe
Que seu tempo de regência se finda
Tentará usurpar o trono
Ou cederá o cetro?
Será o silêncio dos covardes
Ou dos prudentes?
Soldado
Envolto na floresta à beira da fogueira
O velho soldado pensa que lutou
Guerras demais para ainda acreditar nelas
Olhando as estrelas e as chamas
Só pensa se o aço gasto da espada,
Único instrumento de trabalho que conheceu,
Servirá a um mercenário ou a um salteador.
Pintura Rupestre
Beatitude
O artista
Compartilha da beatitude do santo;
Seu mérito é não estar lá,
Ser taça vazia,
Não se debate tentando nadar
Nas corredeiras,
Apenas se deixa afogar
por alguns instantes.
Sonhos
Para onde vão os sonhos
Quando Morrem?
Será a realidade
O Inferno dos sonhos?
Rochedo na praia
Já fui um rochedo na praia,
Suas ondas foram me dissolvendo
A cada maré, me levando grão a grão
Me deixando espalhado em tantas
Outras praias.
Espalhados pelo mundo
Cada grão de areia que sou
Ainda se lembra que um dia foi um rochedo
E com saudade espera ansioso
Ser envolvido e banhado
Quando sua maré sobe.
Além das palavras
Transcender as palavras,
Ir além dos sentidos,
Ignorar tempo e espaço,
Enfrentar os medos,
Enfim,
Perder-me entre seus braços,
Me encontrar em seu beijo!
Despindo as palavras
Nossas almas vão se despindo
das palavras,
elas vão sendo jogadas pelo caminho,
como estorvo
ao contato dos sentimentos
entre si
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Detecção de plágio e cópia não autorizada
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Progressista
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Ágora Eletrônica ou teletela cibernética?
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O círculo da Intolerância
Talento e técnica
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Uma das histórias do Mullah Nasrudin conta que um grupo de garotos o procura para dividir entre eles um monte de nozes. O mullah pergunta se eles desejam que ele faça a divisão segundo as leis de Deus ou dos homens. Como eles respondem que desejam que a repartição seja feita segundo as leis de Deus, Nasrudin dá a um monte de nozes, a outro uma, a outro nenhuma e segue assim distribuindo de forma arbitrária.